Depois que o contrato do Nine Inch Nails com as gravadoras terminou, o Trent Reznor chutou o balde. Não fazia muito tempo que havia saído o (ótimo) Year Zero ele lançou o disco com as versões remixadas das músicas (remix de gente foda como The Knife e os caras do New Order), gravou um cd quádruplo (!) de música instrumental para download parcial de graça ou inteiro por 5 dólares (Ghosts) e agora, nem dois meses depois, totalmente do nada (sem nenhum anúncio prévio) colocou o disco novo do Nine Inch Nails que ninguém nem sabia que ele tava gravando no site. E esse só tem uma forma de ser adquirido - totalmente de graça.
http://dl.nin.com/theslip/
Pessoas espertas como ele já sacaram que as gravadoras já morreram. Nada mais que questão de tempo.
UPDATE
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Escutei hoje o dia inteiro no repeat. :-)
terça-feira, 6 de maio de 2008
Semana Trilha Sonora - Terça Feira
A Estrada Perdida
Um dos meus filmes preferidos do meu diretor preferido (já deu para perceber que é o David Lynch né), tive que ver Lost Highway umas 15 vezes e passar muitas noites discutindo ele em mesa de bar para conseguir entender direito o filme (ou me iludir que eu entendi).O David Lynch disse ter tido toda a idéia do filme nas sensações que ele sente dirigindo por auto estradas vazias à noite, experiência que eu tenho passado bastante já que estou em deslocando 900 km por semana para trabalhar. A outra viagem que foi incorporada no filme é a vontade de ser outra pessoa e/ou de recriar sua vida do zero, especialmente entre quem está com algum grande problema nas mãos.O filme é um dos mais noir do David Lynch, é bem dark (para mim é um filme de terror) e muitíssimo surreal.Junte essas idéias e você pode imaginar a trilha: ansiosa, misteriosa, dark, surreal, etérea, criativa e excelente. Talvez a minha trilha sonora preferida.Quem compilou ela foi (novamente) o Trent Reznor. Diz ele que o David Lynch chamou ele num canto do set e mostrou para ele um pedaço de carne que havia caído no chão e um monte de formigas e outros insetos que estavam rastejando e devorando ele. "Assim que eu quero que seja a trilha desse filme".O Trent Reznor usou desde Tom Jobim (Insensatez, puta música melancólica) até Rammstein,e novamente fez uma das melhores músicas do Nine Inch Nails para um filme (neste caso, The Perfect Drug); tem uma das melhores músicas do Smashing Pumpkins na minha opinião (Eye). Tem bastante Angelo Badalamenti, que é compositor de quase todas as trilhas do David Lynch e um dos melhores compositores de trilhas sonoras no geral para mim. Trabalha principalmente com jazz surreal e para mim ele faz na música algo próximo que o Lynch faz no cinema.O início do filme, enquanto toca I'm Derranged do David Bowie (maravilhosa) é uma das aberturas de filme mais marcantes que eu já vi.PS: eu tenho um gigantesco ódio particular de imbecis que dirigem de maneira sem noção na estrada, por isso a cena do filme em que o Mr. Eddy (um mafioso) é colado e depois fechado e se vinga do motorista fdp é uma das minhas cenas preferidas da história do cinema. Pqp agora me deu vontade de ver esse filme de novo!
A História Real
Já que estou falando de David Lynch, vou aproveitar e mencionar outra trilha que eu amo. A História Real (The Straight Story) chama atenção por três pontos principais: primeiro, porque apesar de surreal é de fato uma história real, de um fazendeiro que atravessou do Iowa até o Wisconsin dirigindo um cortador de grama. Segundo, porque é um filme bonitaço e excelente. E terceiro, porque é com ele que o David Lynch prova que não precisa se repetir e que ele consegue fazer um filme bom seja qual for a temática ou o estilo; esse filme não tem as marcas dele (surrealismo, clima dark etc) e é tão bom quanto os seus outros filmes.A trilha sonora é toda do Angelo Badalamenti, que eu já elogiei acima. Em vez de trabalhar com jazz ele entra na viagem do filme e faz um trilha bem rural e tanquila, muito bonita, intrspectiva e acima de tudo imersiva. Basta ouvir a sanfoninha que ele usa na música que toca enquanto o velho viaja pela estrada que você - onde estiver, e fazendo o que estiver fazendo - se transporta na hora para um lugar mais calmo, tranquilo e bonito. Você sai da sua cadeira no trabalho e vai sentar num cortador de grama que está viajando na estrada.Como Blade Runner, essa trilha não vai ter um décimo do significado para você se não ver o filme antes - e como Blade Runner, se não viu, você está errado. :-)
Legend of Zelda - The Twilight Princess
E uma vez que estou falando de trilhas imersivas, vou chutar o balde e não vou deixar de mencionar essa triha feita para um jogo de videogame. Isso mermo!Quando eu joguei Zelda estava numa fase ruim de indefinição na vida, foi quando eu estava transicionando de tentar com minha empresa, que não estava dando muito certo, para voltar a trabalhar para os outros. É claro que foi confuso e um pouco deprimente e meu refúgio para esquecer minha vida um pouquinho era Zelda.Não quero ficar fazendo review de videogame aqui, para entender porque eu coloco essa trilha entre as trilhas de cinema basta saber que é o jogo mais imersivo do mundo. Sério. Foi o único jogo de videogame na minha vida que eu por vezes ligava não para avançar com a história mas só para montar no cavalo e sair cavalgando pelo mundo, vendo as paisagens e as criaturas que vivem lá e conversando com os personagens. Até hoje eu tenho vontade de fazer isso.A trilha, além de ser formada de músicas orquestradas maravilhosas, é tão imersiva quanto o jogo. Eu gostava de trabalhar ouvindo as músicas do Zelda e entrava dentro do mundo de Hyrule na mesma hora.Resta saber se ela vai ser relevante e bonita mesmo para alguém que não jogou. Se alguém animar a tentar me avise qual foi o resultado.
Party Monster
(Ótimo) filme do Macaulay Culkin que mostra a história (real) dos amigosa bicha loucas Michael Alig e Seth Green, que eram promotores de festa em Nova Yorke e foram (parcialmente) responsáveis pelo surgimento (ou pelo menos da definição do que hoje entendemos por) a cultura rave, as festas exageradas e o culto à música eletrônica.O uso de drogas desses dois no filme em níveis absurdos (eles colocavam uma bandeja cheia de pílulas no forno e esse era o "jantar") foi diminuído em relação ao real por medo do público achar que o mostrado no filme era irreal. Quando teve uma de suas overdoses Michael Alig saiu da cama do hospital carregando o soro no braço e deu uma festa em que todo mundo tinha que ir vestido de médico e enfermeira.Hoje está na prisão porque matou seu traficante. A trilha acompanha essa época de abusos surreais e festas sem controle do fim da década de 80/início da 90 e tem muito eletrônico excelente, não necessariamente desta época - usaram muita coisa mais moderna que veio depois também.Na verdade funciona como ótima coletânea para quem quer conhecer alguns dos destaques do eletrônico dos últimos anos - Vitalic, Felix Da Housecat, Ladytron, Miss Kittin, Scissor Sisters - e tem umas coisas mais velhas dançantes tb - Dead Or Alive, Pet Shop Boys (que eu não gosto), até Nina Hagen.
Spawn
Um personagem legal, um filme não tão legal e uma trilha com uns 50% de acerto como a do Matrix. Mas quando acerta, acerta muito.A idéia da trilha do filme do Spawn era misturar sempre uma banda de metal com produtores famosos de música eletrônica e ver no que dá. Gosto da idéia e poderia ter dado mais certo se as escolhas fossem melhores, mas tentando acumular o que era popular na época acabaram selecionando algumas coisas meia boca ou ruins mesmo - Incubus (meia boca), Silverchair (lixo total), Metallica (eu sei que tem muita gente que gosta, eu só gosto do primeiro disco), Korn (mesmo caso).Mas quando acerta detona - é o único cd em que você pode ouvir coisas absurdas como Slayer tocando junto com Atari Teenage Riot, Butthole Surfers com Moby, Prodigy com Rage Against The Machine, Henry Rollins com Goldie ou a melhor música "Can't You Trip Like I Do" que acabou sendo talvez a melhor música do Filter, feita junto com o Crystal Method. Escuta pelo menos essa.
Um dos meus filmes preferidos do meu diretor preferido (já deu para perceber que é o David Lynch né), tive que ver Lost Highway umas 15 vezes e passar muitas noites discutindo ele em mesa de bar para conseguir entender direito o filme (ou me iludir que eu entendi).O David Lynch disse ter tido toda a idéia do filme nas sensações que ele sente dirigindo por auto estradas vazias à noite, experiência que eu tenho passado bastante já que estou em deslocando 900 km por semana para trabalhar. A outra viagem que foi incorporada no filme é a vontade de ser outra pessoa e/ou de recriar sua vida do zero, especialmente entre quem está com algum grande problema nas mãos.O filme é um dos mais noir do David Lynch, é bem dark (para mim é um filme de terror) e muitíssimo surreal.Junte essas idéias e você pode imaginar a trilha: ansiosa, misteriosa, dark, surreal, etérea, criativa e excelente. Talvez a minha trilha sonora preferida.Quem compilou ela foi (novamente) o Trent Reznor. Diz ele que o David Lynch chamou ele num canto do set e mostrou para ele um pedaço de carne que havia caído no chão e um monte de formigas e outros insetos que estavam rastejando e devorando ele. "Assim que eu quero que seja a trilha desse filme".O Trent Reznor usou desde Tom Jobim (Insensatez, puta música melancólica) até Rammstein,e novamente fez uma das melhores músicas do Nine Inch Nails para um filme (neste caso, The Perfect Drug); tem uma das melhores músicas do Smashing Pumpkins na minha opinião (Eye). Tem bastante Angelo Badalamenti, que é compositor de quase todas as trilhas do David Lynch e um dos melhores compositores de trilhas sonoras no geral para mim. Trabalha principalmente com jazz surreal e para mim ele faz na música algo próximo que o Lynch faz no cinema.O início do filme, enquanto toca I'm Derranged do David Bowie (maravilhosa) é uma das aberturas de filme mais marcantes que eu já vi.PS: eu tenho um gigantesco ódio particular de imbecis que dirigem de maneira sem noção na estrada, por isso a cena do filme em que o Mr. Eddy (um mafioso) é colado e depois fechado e se vinga do motorista fdp é uma das minhas cenas preferidas da história do cinema. Pqp agora me deu vontade de ver esse filme de novo!
A História Real
Já que estou falando de David Lynch, vou aproveitar e mencionar outra trilha que eu amo. A História Real (The Straight Story) chama atenção por três pontos principais: primeiro, porque apesar de surreal é de fato uma história real, de um fazendeiro que atravessou do Iowa até o Wisconsin dirigindo um cortador de grama. Segundo, porque é um filme bonitaço e excelente. E terceiro, porque é com ele que o David Lynch prova que não precisa se repetir e que ele consegue fazer um filme bom seja qual for a temática ou o estilo; esse filme não tem as marcas dele (surrealismo, clima dark etc) e é tão bom quanto os seus outros filmes.A trilha sonora é toda do Angelo Badalamenti, que eu já elogiei acima. Em vez de trabalhar com jazz ele entra na viagem do filme e faz um trilha bem rural e tanquila, muito bonita, intrspectiva e acima de tudo imersiva. Basta ouvir a sanfoninha que ele usa na música que toca enquanto o velho viaja pela estrada que você - onde estiver, e fazendo o que estiver fazendo - se transporta na hora para um lugar mais calmo, tranquilo e bonito. Você sai da sua cadeira no trabalho e vai sentar num cortador de grama que está viajando na estrada.Como Blade Runner, essa trilha não vai ter um décimo do significado para você se não ver o filme antes - e como Blade Runner, se não viu, você está errado. :-)
Legend of Zelda - The Twilight Princess
E uma vez que estou falando de trilhas imersivas, vou chutar o balde e não vou deixar de mencionar essa triha feita para um jogo de videogame. Isso mermo!Quando eu joguei Zelda estava numa fase ruim de indefinição na vida, foi quando eu estava transicionando de tentar com minha empresa, que não estava dando muito certo, para voltar a trabalhar para os outros. É claro que foi confuso e um pouco deprimente e meu refúgio para esquecer minha vida um pouquinho era Zelda.Não quero ficar fazendo review de videogame aqui, para entender porque eu coloco essa trilha entre as trilhas de cinema basta saber que é o jogo mais imersivo do mundo. Sério. Foi o único jogo de videogame na minha vida que eu por vezes ligava não para avançar com a história mas só para montar no cavalo e sair cavalgando pelo mundo, vendo as paisagens e as criaturas que vivem lá e conversando com os personagens. Até hoje eu tenho vontade de fazer isso.A trilha, além de ser formada de músicas orquestradas maravilhosas, é tão imersiva quanto o jogo. Eu gostava de trabalhar ouvindo as músicas do Zelda e entrava dentro do mundo de Hyrule na mesma hora.Resta saber se ela vai ser relevante e bonita mesmo para alguém que não jogou. Se alguém animar a tentar me avise qual foi o resultado.
Party Monster
(Ótimo) filme do Macaulay Culkin que mostra a história (real) dos amigosa bicha loucas Michael Alig e Seth Green, que eram promotores de festa em Nova Yorke e foram (parcialmente) responsáveis pelo surgimento (ou pelo menos da definição do que hoje entendemos por) a cultura rave, as festas exageradas e o culto à música eletrônica.O uso de drogas desses dois no filme em níveis absurdos (eles colocavam uma bandeja cheia de pílulas no forno e esse era o "jantar") foi diminuído em relação ao real por medo do público achar que o mostrado no filme era irreal. Quando teve uma de suas overdoses Michael Alig saiu da cama do hospital carregando o soro no braço e deu uma festa em que todo mundo tinha que ir vestido de médico e enfermeira.Hoje está na prisão porque matou seu traficante. A trilha acompanha essa época de abusos surreais e festas sem controle do fim da década de 80/início da 90 e tem muito eletrônico excelente, não necessariamente desta época - usaram muita coisa mais moderna que veio depois também.Na verdade funciona como ótima coletânea para quem quer conhecer alguns dos destaques do eletrônico dos últimos anos - Vitalic, Felix Da Housecat, Ladytron, Miss Kittin, Scissor Sisters - e tem umas coisas mais velhas dançantes tb - Dead Or Alive, Pet Shop Boys (que eu não gosto), até Nina Hagen.
Spawn
Um personagem legal, um filme não tão legal e uma trilha com uns 50% de acerto como a do Matrix. Mas quando acerta, acerta muito.A idéia da trilha do filme do Spawn era misturar sempre uma banda de metal com produtores famosos de música eletrônica e ver no que dá. Gosto da idéia e poderia ter dado mais certo se as escolhas fossem melhores, mas tentando acumular o que era popular na época acabaram selecionando algumas coisas meia boca ou ruins mesmo - Incubus (meia boca), Silverchair (lixo total), Metallica (eu sei que tem muita gente que gosta, eu só gosto do primeiro disco), Korn (mesmo caso).Mas quando acerta detona - é o único cd em que você pode ouvir coisas absurdas como Slayer tocando junto com Atari Teenage Riot, Butthole Surfers com Moby, Prodigy com Rage Against The Machine, Henry Rollins com Goldie ou a melhor música "Can't You Trip Like I Do" que acabou sendo talvez a melhor música do Filter, feita junto com o Crystal Method. Escuta pelo menos essa.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Semana Trilhas Sonoras - Segunda Feira
O Corvo
Teve um período durante a minha adolescência em que eu visitava muito São João Del Rey mas, por razões pessoais, quis diminuir minhas saídas à noite na cidade. Passei muitas noites desse período num quarto na casa da minha avó, deitado no chão com as caixas de som dos dois lados da minha cabeça, virando a noite escutando música. Hoje, com a distância, vejo que foi um período chave que formou muito do meu gosto musical.Um dos discos que mais foram escutados nestas noites solitárias foi a trilha sonora do Corvo. Baseado em um quadrinho ghotic-punk, acertaram muito no primeiro filme, que teve bastante sucesso em adaptar esse clima para a tela, com ênfase igual tanto no "gótico" quanto no "punk". Para quem conhece rpg, me lembra demais o clima do jogo Wraith (do qual sou muito fã até hoje).Claro que a trilha teve que acompanhar essa onda e é bastante baseada nessa onda de gótico-deprezão-porém-agressivaço e em vez de cair nas armadilhas fáceis preferiu investir em versões interessantes.Tem The Cure (que fez a música Burn só para o filme), Jesus And Mary Chain e Violent Femmes para garantir que é deprê o suficiente; tem versões bacanas como o Nine Inch Nails fazendo cover de Joy Division (dead souls - lindaça), tem o Henry Rollins fazendo cover de Suicide, tem uma música do Rage Against The Machine que não saiu em nenhum outro disco.Tem também umas bandas de industrial obscuro que são legais tipo Machines os Loving Grace e My Life with the Thrill Kill Kult (não tem nada mais a cara do filme que industrial); e ainda tem umas porradaças (tipo Milquetoast, a melhor música do Helmet, aliás, uma das melhores músicas de metal da década de 90).Escute essa trilha se imaginando em uma cidade escuraça onde chove o tempo todo e tomada pela violência de gangs nas ruas com implantes cibernéticos.Nota: ignore as continuações do filme e suas respectivas trilhas.
Blade Runner
Todo esse papo de "cidade escura dominada por gangs cibernéticas" acima logicamente me lembrou de Blade Runner, que além de excelente (muita gente até hoje considera o único filme realmente cyberpunk apesar de muitas outras tentativas) a trilha do Blade Runner demorou 10 anos para ser lançada em sua versão completa depois do filme.A esmagadora maioria da trilha foi feita pelo Sr. Evangelos Odysseas Papathanassiou (que todo mundo conhece por Vangelis), um grego que compõe música eletrônica misturada com música clássica. As músicas do Blade Runner são quase todas tocadas em sintetizador e com um estilo bem melódico, melancólico e futurista ao mesmo tempo se tornaram tão parte do clima do filme quanto a cidade decadente.Me passa totalmente a viagem de isolamento melancólico do Deckard (personagem principal). Aliás, não escute essa trilha se você ainda não viu o filme (e se for esse o seu caso vai resolver isso né meu amigo).
Assassinos Por Natureza
Um filme que abre com uma tomada de uma estrada no deserto e com uma música do Leonard Cohen (para quem não conhece, a grande inspiração do Nick Cave) vale ser visto só por essa cena.
Um filme que tem uma cena de uma garota magrela espancando (aliás matando) um redneck enquanto toca uma música do L7 vale ser visto só por essa cena.
Um filme que tem Burn do Nine Inch Nails tocando em QUALQUER cena já vale ser visto - eu juro que eu quase chorei quando fui no show deles e começou a batida esquisita dela.
Aliás, é umas das duas trilhas que eu vou citar que foram compiladas pelo Trent Reznor, que se provou um cara que sabe fazer isso muito bem.Esse filme, assim como o Blade Runner, tem a trilha sonora muito entranhada nas cenas, as músicas fazem tanto parte do filme e são tão importantes quanto os personagens e o roteiro. E elas são absurdamente bem escolhidas - além das citadas só tem coisa muito legal tipo Patti Smith, Jane's Addiction e Lard. Pena que as músicas do Rage Against The Machine que tocam durante a revolta na prisão não entraram no cd.
Velvet Goldmine
Sendo uma viagem sobre a relação entre o Iggy Pop e o David Bowie na década de 70, e sobre toda a onda do glam rock que havia em torno deles, essa trilha não tinha como errar.Não consegui entrar muito no filme por ser muito direcionado aos gays - não sou homofóbico mas obviamente não consegui comprar a viagem do filme - e pelo jeito o David Bowie também não já que não deixou suas músicas entrarem na trilha por não gostar do roteiro. E olha que Velvet Goldmine é o nome de uma música dele.O "Iggy Pop do filme" se chama Brian Slade e sua banda se chama Venus in Furs. O Venus in Furs na vida real é formado por membros do Radiohead (Thom Yorke e Jhonny Greenwood), Suede e Roxy Music. A banda do "Iggy Pop" (Curt Wild's Wylde Ratttz) é formada por membros dos Stooges, Sonic Youth, Minutemen e Mudhoney. Ou seja, só cara foda de bandas que estão entre as minhas preferidas. E ainda tem mais coisas excelentes (Placebo, Brian Eno, Pulp, Lou Reed, Teenage Fanclub etc).Se quiser pule o filme, mas escute a trilha que acabou se tornando um excelente introdução para essa época (foda) do rock.
Matrix e Matrix Reloaded
A trilha do Matrix e do Matrix reloaded é 50% boa. Eu particularmente teria usado muito mais eletrônico/industrial (colocaria algumas coisas tipo KMFDM, Sister Machine Gun, Big Black, Front 242 etc), acho que combinaria muito melhor para o filme (aliás eu tenho mania de bolar "trilhas sonoras alternativas" na minha cabeça para os filmes que eu vejo).Essas duas trilhas tem umas coisas mega porcaria (tipo P.O.D. e Linking Park) então esteja avisado!Mas com a popularidade dos filmes algumas músicas que seriam obscuras se tornaram clássicos - tipo a Spybreak dos Propellerheads que se tornou quase a "música tema" do filme e Dragula do Rob Zombie.Em alguns momentos os produtores concordaram com a minha idéia e colocaram uns industralzão do mal tipo Ministry e Meat Beat Manifesto. Eu também gosto das músicas do Prodigy e do Rammstein que entraram.A do Matrix Reloaded tem uma das melhores música dos Deftones para mim (Lucky You) e até Team Sleep (que é um projeto paralelo dos caras do Deftones que ainda não lançou nenhum disco).Essas trilhas ficaram datadas meio rapidamente - não soam nem um pouco "modernas" como soaram na época que o filme saiu - mas tenho a impressão que farão muito sentido quando chegar 2020 e a clássica "nostalgia de duas décadas atrás" fazer os anos 2000 virarem o que os anos 80 são hoje.
Amanhã tem mais 5...
Teve um período durante a minha adolescência em que eu visitava muito São João Del Rey mas, por razões pessoais, quis diminuir minhas saídas à noite na cidade. Passei muitas noites desse período num quarto na casa da minha avó, deitado no chão com as caixas de som dos dois lados da minha cabeça, virando a noite escutando música. Hoje, com a distância, vejo que foi um período chave que formou muito do meu gosto musical.Um dos discos que mais foram escutados nestas noites solitárias foi a trilha sonora do Corvo. Baseado em um quadrinho ghotic-punk, acertaram muito no primeiro filme, que teve bastante sucesso em adaptar esse clima para a tela, com ênfase igual tanto no "gótico" quanto no "punk". Para quem conhece rpg, me lembra demais o clima do jogo Wraith (do qual sou muito fã até hoje).Claro que a trilha teve que acompanhar essa onda e é bastante baseada nessa onda de gótico-deprezão-porém-agressivaço e em vez de cair nas armadilhas fáceis preferiu investir em versões interessantes.Tem The Cure (que fez a música Burn só para o filme), Jesus And Mary Chain e Violent Femmes para garantir que é deprê o suficiente; tem versões bacanas como o Nine Inch Nails fazendo cover de Joy Division (dead souls - lindaça), tem o Henry Rollins fazendo cover de Suicide, tem uma música do Rage Against The Machine que não saiu em nenhum outro disco.Tem também umas bandas de industrial obscuro que são legais tipo Machines os Loving Grace e My Life with the Thrill Kill Kult (não tem nada mais a cara do filme que industrial); e ainda tem umas porradaças (tipo Milquetoast, a melhor música do Helmet, aliás, uma das melhores músicas de metal da década de 90).Escute essa trilha se imaginando em uma cidade escuraça onde chove o tempo todo e tomada pela violência de gangs nas ruas com implantes cibernéticos.Nota: ignore as continuações do filme e suas respectivas trilhas.
Blade Runner
Todo esse papo de "cidade escura dominada por gangs cibernéticas" acima logicamente me lembrou de Blade Runner, que além de excelente (muita gente até hoje considera o único filme realmente cyberpunk apesar de muitas outras tentativas) a trilha do Blade Runner demorou 10 anos para ser lançada em sua versão completa depois do filme.A esmagadora maioria da trilha foi feita pelo Sr. Evangelos Odysseas Papathanassiou (que todo mundo conhece por Vangelis), um grego que compõe música eletrônica misturada com música clássica. As músicas do Blade Runner são quase todas tocadas em sintetizador e com um estilo bem melódico, melancólico e futurista ao mesmo tempo se tornaram tão parte do clima do filme quanto a cidade decadente.Me passa totalmente a viagem de isolamento melancólico do Deckard (personagem principal). Aliás, não escute essa trilha se você ainda não viu o filme (e se for esse o seu caso vai resolver isso né meu amigo).
Assassinos Por Natureza
Um filme que abre com uma tomada de uma estrada no deserto e com uma música do Leonard Cohen (para quem não conhece, a grande inspiração do Nick Cave) vale ser visto só por essa cena.
Um filme que tem uma cena de uma garota magrela espancando (aliás matando) um redneck enquanto toca uma música do L7 vale ser visto só por essa cena.
Um filme que tem Burn do Nine Inch Nails tocando em QUALQUER cena já vale ser visto - eu juro que eu quase chorei quando fui no show deles e começou a batida esquisita dela.
Aliás, é umas das duas trilhas que eu vou citar que foram compiladas pelo Trent Reznor, que se provou um cara que sabe fazer isso muito bem.Esse filme, assim como o Blade Runner, tem a trilha sonora muito entranhada nas cenas, as músicas fazem tanto parte do filme e são tão importantes quanto os personagens e o roteiro. E elas são absurdamente bem escolhidas - além das citadas só tem coisa muito legal tipo Patti Smith, Jane's Addiction e Lard. Pena que as músicas do Rage Against The Machine que tocam durante a revolta na prisão não entraram no cd.
Velvet Goldmine
Sendo uma viagem sobre a relação entre o Iggy Pop e o David Bowie na década de 70, e sobre toda a onda do glam rock que havia em torno deles, essa trilha não tinha como errar.Não consegui entrar muito no filme por ser muito direcionado aos gays - não sou homofóbico mas obviamente não consegui comprar a viagem do filme - e pelo jeito o David Bowie também não já que não deixou suas músicas entrarem na trilha por não gostar do roteiro. E olha que Velvet Goldmine é o nome de uma música dele.O "Iggy Pop do filme" se chama Brian Slade e sua banda se chama Venus in Furs. O Venus in Furs na vida real é formado por membros do Radiohead (Thom Yorke e Jhonny Greenwood), Suede e Roxy Music. A banda do "Iggy Pop" (Curt Wild's Wylde Ratttz) é formada por membros dos Stooges, Sonic Youth, Minutemen e Mudhoney. Ou seja, só cara foda de bandas que estão entre as minhas preferidas. E ainda tem mais coisas excelentes (Placebo, Brian Eno, Pulp, Lou Reed, Teenage Fanclub etc).Se quiser pule o filme, mas escute a trilha que acabou se tornando um excelente introdução para essa época (foda) do rock.
Matrix e Matrix Reloaded
A trilha do Matrix e do Matrix reloaded é 50% boa. Eu particularmente teria usado muito mais eletrônico/industrial (colocaria algumas coisas tipo KMFDM, Sister Machine Gun, Big Black, Front 242 etc), acho que combinaria muito melhor para o filme (aliás eu tenho mania de bolar "trilhas sonoras alternativas" na minha cabeça para os filmes que eu vejo).Essas duas trilhas tem umas coisas mega porcaria (tipo P.O.D. e Linking Park) então esteja avisado!Mas com a popularidade dos filmes algumas músicas que seriam obscuras se tornaram clássicos - tipo a Spybreak dos Propellerheads que se tornou quase a "música tema" do filme e Dragula do Rob Zombie.Em alguns momentos os produtores concordaram com a minha idéia e colocaram uns industralzão do mal tipo Ministry e Meat Beat Manifesto. Eu também gosto das músicas do Prodigy e do Rammstein que entraram.A do Matrix Reloaded tem uma das melhores música dos Deftones para mim (Lucky You) e até Team Sleep (que é um projeto paralelo dos caras do Deftones que ainda não lançou nenhum disco).Essas trilhas ficaram datadas meio rapidamente - não soam nem um pouco "modernas" como soaram na época que o filme saiu - mas tenho a impressão que farão muito sentido quando chegar 2020 e a clássica "nostalgia de duas décadas atrás" fazer os anos 2000 virarem o que os anos 80 são hoje.
Amanhã tem mais 5...
Semana Trilhas Sonoras
Desde o início do blog eu tinha uma idéia de fazer esporadicamente e no espírito do primeiro post (sem promessas ou compromissos) algumas semanas temáticas para me ajudar a revolver minha memória sobre alguns discos esquecidos.Esses temas serão completamente sem regras :-) e pensei em alguns que eu ia achar legal escrever, desde basear uma semana em determinado estilo, em sentimentos (semana música deprê por exemplo) ou qualquer outra coisa que venha à cabeça (semana discos que eu ouvia no ônibus para a PUC, semana discos bons para ouvir dirigindo na estrada à noite etc).Eu queria começar falando de minhas trilhas trilhas sonoras preferidas, em torno de uns conceitos simples, do tipo:
- estou dando preferência para trilhas que utilizam músicas licenciadas ao invés de músicas compostas para o filme;
- não estou julgando o filme de onde a trilha veio, estou o julgando o disco como disco, mas é claro que é impossível não deixar sua ligação emocional com o filme pesa no quanto você gosta da trilha;
- não estou limitado a trilhas feitas para o cinema;
- fiz uma listinha de trilhas que eu gosto que vieram à minha cabeça e acho que vou escrever sobre mais ou menos 5 por dia.
De qualquer maneira, regras existem para ser quebradas, inclusive as acima... se eu esqueci de alguma trilha legal me recomende nos comentários, de repente descubro outras.Abraços para meus amigos zumbis.
- estou dando preferência para trilhas que utilizam músicas licenciadas ao invés de músicas compostas para o filme;
- não estou julgando o filme de onde a trilha veio, estou o julgando o disco como disco, mas é claro que é impossível não deixar sua ligação emocional com o filme pesa no quanto você gosta da trilha;
- não estou limitado a trilhas feitas para o cinema;
- fiz uma listinha de trilhas que eu gosto que vieram à minha cabeça e acho que vou escrever sobre mais ou menos 5 por dia.
De qualquer maneira, regras existem para ser quebradas, inclusive as acima... se eu esqueci de alguma trilha legal me recomende nos comentários, de repente descubro outras.Abraços para meus amigos zumbis.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Da série WTF??? - Clássico Instantâneo
Recentemente postei sobre a parceria do Aphex Twin (dj) e o Chris Cunningham (vj), aquelas parcerias raras do tipo gênio + gênio. Aproveitando, nesse feriado me mostraram no youtube um vídeo do Chris Cunningham editando uns vídeos ao vivo acompanhando o Aphex Twin, e olha que destruidor o que ele fez com a luta do Luke Skywalker e o Darth Vader:
http://www.youtube.com/watch?v=sxchw646zs4
http://www.youtube.com/watch?v=sxchw646zs4
Da Série "Música do Cramunhão" - Demolition Style Hell American Freak

Lá para 1995 todo mundo que gosta de música mais pesada foi meio que pego de surpresa por um daqueles discos que vem do nada, espancam todo mundo e marcam para sempre. Até hoje eu de vez em quando saco gente tatuando os desenhos do encarte.
Eu já escutava desde um pouco antes. Passei um pedaço considerável da minha adolescência no prédio do Igor-Nego-Boiça onde minha turma se encontrava, ficava bêbada de Street Fighter (bebida mistureba inventada por nós) e virava a tarde ouvindo White Zombie. A onda do White Zombie (aliás nome do primeiro filme de zumbi da história) era tocar música pesada insana e surreal totalmente baseada nos interesses do pessoal da banda - sendo o número 1 filmes de terror trash, especialmente os de zumbi (que todo mundo sabe que é a produção top do cinema depois de David Lynch). O mais bacana é que eles incorporavam samplers dos diálogos e outros ruídos dos filmes em praticamente todas as músicas e hoje eu fico me divertindo identificando de qual filme de zumbi aquele diálogo veio. Como as músicas eram cheias de barulho incidental nós (o bando de bêbados) desenvolvemos naturalmente quase que coreografias para acompanhar as músicas e seus barulhos (imagina uns moleques segurando uma "air-shotgun" e dando tiro uns nos outros).
O som foi super revolucionário para a época - era metal sim, mas não era de bater a cabeça, foi uma das primeiras bandas pesadas mais interessadas em fazer você pular, ainda mais porque tinha um monte de influências de música eletrônica e hip hop - aliás foi uma das primeiras bandas de metal que eu conheci que incorporava música eletrônica, e até hoje isso não fizeram isso bem como eles. Como o Rob Zombie não sabe cantar e sabe disso, ele socava um monte de efeito cabuloso na voz que dava um resultado muito bacana, tem músicas em que parece que a voz dele é alguma coisa sobrenatural vinda do além.
Uma típica letra do White Zombie é um texto legal demais que não faz sentido nenhum:
I am the astro creep a demolishion style hell american freak
I am the crawling dead a phantom in the box shadow in your head
acid suicide freedom of the blast read the fucker lies
scratch off the broken skin tear into my heart make me do it again
foda :-)
Pena que a carreira solo do Rob Zombie começou bem e depois desandou, claramente ele começou a priorizar a carreira de diretor (dirigiu inclusive o remake do Halloween) e está pouco se fudendo para música, discos meia boca gravados em 5 minutos.
Comece por - Astro Creep 2000 (o disco do primeiro parágrafo)
Depois vá para - La Sexorcisto
Único do Rob Zombie que dá para ouvir - Hellbilly Deluxe
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Da Série "WTF" - Escolha a sua
Eu voto na do número 67!
(cara que coisa DOENTE!!!!!)
http://www.coverbrowser.com/covers/worst-album-covers
(cara que coisa DOENTE!!!!!)
http://www.coverbrowser.com/covers/worst-album-covers
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