Hoje para quem está em BH tem um show de grátis no teatro Marília (20:00) com o melhor hip-hop daqui, ponto. Estou a semana inteira viciado no cd do Julgamento (acabou de sair). É bem incisivo, mas não é gansgsta, a mensagem básica e "fique espero" ou então (elaborando) "quando percebe que mentiram para você a vida inteira é que você descobre seu lugar no mundo". Os arranjos são bacanas demais e variados, ficam com um pé no hip hop do início da década de 90 (que para mim é o melhor de todos) e rola desde com violão flamenco até com metalzão no fundo. O show é hip hop clássico - começa com dois manos e um dj no palco e no fim tem uns 16 manos numa gloriosa confusão (isso quando não colocam baixo e bateria ao vivo). E é também foda para dançar.
Numa boa? Troca a novela hoje por música boa. Ou no mínimo dá uma sacada.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
terça-feira, 15 de julho de 2008
Reclamações de um véio chato
Mesmo quem não é muito ligado em música consegue perceber que o rock é cíclico, e alterna períodos quando é mais ou menos dominante e períodos em que cai, para voltar a ficar relevante de novo, e dormir novamente. O rock é uma espécie de Mum-Ra, só que não fica estático, sempre volta com uma cara nova, e é o que mantém o estilo interessante (se você olhar algo mais tradicional como, hmmm polka, toca-se as mesmas coisas que séculos atrás para sempre).
Dito isso, claramente estamos numa fase de "baixa" do rock. O estilo dominante hoje na música pop é o hip hop/R&B (infelizmente a variação ruim destes estilos que já produziram muita coisa boa), repare nos carros que passam na rua, nas boates, na MTV/Multishow etc. Aliás, já estou enxergando saturação neste domínio também - todo dia você vê MAIS UMA "mulherzinha do R&B" cantando sobre como ela bomba na boate com uma participação de um rapper e arranjos parecidos com todas as outras músicas que estão tocando - mas isso é outro assunto.
A última mudança progressiva no rock aconteceu na virada dos anos 00 entre as bandas que receberam várias classificações (New NY, New Rock, Neo New Wave etc.) mas que eu vejo todo mundo chamando de "rockinho novo". É aquele som que ficou relevante com Strokes, White Stripes, The Hives, Franz Ferdinand, Libertines, Artic Monkeys etc. Depois teve outra virada e o estilo de "rock" dominante hoje é o EMO - como nem eu nem ninguém considera essa aberração rock vamos somente ignorá-lo até que ele vá embora. Então, para todos os efeitos a última virada foi essa dos anos 00. E esse estilo também já deu tudo que tinha que dar - considero todas as bandas que eu citei boas (fazendo um esforcinho para o Franz Ferdinand, mas enfim), depois delas tudo é repetição e subproduto do subproduto.
O que isso muda para quem segue as correntes mais alternativas e não se importa com o quê está "na moda"? Aparentemente nada, porém tem um efeito chato sim: não consigo mais me divertir saindo para dançar. Você vai nos lugares que tocam música boa e os DJs estão perdidos: tem o bom senso de não tocar emo, mas ficaram presos neste sonzinho que não evoluiu mais, então tenho que dançar uma música boa (o single novo do Weezer) seguida de 17 "singles novos de mais uma bandinha subproduto de Strokes mas é novidade e tem que tocar". Aí toca uma mias velha (Pixies talvez) e vem 18 músicas novas de bandas de "rockinho novo" que ninguém ouviu falar e que soam todas iguais.
Alternativas: ir para Djs que tacam foda-se para isso e tocam o que é bom independente de novidades (Ramones, Pixies, The Clash, Fugazi, Liars, quem não se diverte numa noite assim?), que são cada vez mais raros, ir nas festas de eletrônico (nada contra mas de vez e quando preciso de uma dose de rock) ou esperar o rock virar de novo. :-(
Ah, e eu sei que esse post parece uma velho chato reclamando. Se alguém animar a comentar por favor me informe se isso é impressão só minha.
Dito isso, claramente estamos numa fase de "baixa" do rock. O estilo dominante hoje na música pop é o hip hop/R&B (infelizmente a variação ruim destes estilos que já produziram muita coisa boa), repare nos carros que passam na rua, nas boates, na MTV/Multishow etc. Aliás, já estou enxergando saturação neste domínio também - todo dia você vê MAIS UMA "mulherzinha do R&B" cantando sobre como ela bomba na boate com uma participação de um rapper e arranjos parecidos com todas as outras músicas que estão tocando - mas isso é outro assunto.
A última mudança progressiva no rock aconteceu na virada dos anos 00 entre as bandas que receberam várias classificações (New NY, New Rock, Neo New Wave etc.) mas que eu vejo todo mundo chamando de "rockinho novo". É aquele som que ficou relevante com Strokes, White Stripes, The Hives, Franz Ferdinand, Libertines, Artic Monkeys etc. Depois teve outra virada e o estilo de "rock" dominante hoje é o EMO - como nem eu nem ninguém considera essa aberração rock vamos somente ignorá-lo até que ele vá embora. Então, para todos os efeitos a última virada foi essa dos anos 00. E esse estilo também já deu tudo que tinha que dar - considero todas as bandas que eu citei boas (fazendo um esforcinho para o Franz Ferdinand, mas enfim), depois delas tudo é repetição e subproduto do subproduto.
O que isso muda para quem segue as correntes mais alternativas e não se importa com o quê está "na moda"? Aparentemente nada, porém tem um efeito chato sim: não consigo mais me divertir saindo para dançar. Você vai nos lugares que tocam música boa e os DJs estão perdidos: tem o bom senso de não tocar emo, mas ficaram presos neste sonzinho que não evoluiu mais, então tenho que dançar uma música boa (o single novo do Weezer) seguida de 17 "singles novos de mais uma bandinha subproduto de Strokes mas é novidade e tem que tocar". Aí toca uma mias velha (Pixies talvez) e vem 18 músicas novas de bandas de "rockinho novo" que ninguém ouviu falar e que soam todas iguais.
Alternativas: ir para Djs que tacam foda-se para isso e tocam o que é bom independente de novidades (Ramones, Pixies, The Clash, Fugazi, Liars, quem não se diverte numa noite assim?), que são cada vez mais raros, ir nas festas de eletrônico (nada contra mas de vez e quando preciso de uma dose de rock) ou esperar o rock virar de novo. :-(
Ah, e eu sei que esse post parece uma velho chato reclamando. Se alguém animar a comentar por favor me informe se isso é impressão só minha.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Da Série Random Music - Urso Panda Anti Stress

Em homenagem ao meu atual PROJETO CONAN, resolvi falar de um camarada que funciona em diversos níveis para mim: te coloca num estado de viagem total, fez o melhor disco da história da humanidade para se ouvir trabalhando e de certa maneira chega a me deixar feliz quando eu escuto.
Mais ou menos em 2000, uma moçada se mudou para NY e começou uma banda indie experimental bem no espírito alegrinho mas viajante num esquema meio Elephant 6, ou seja, meio que todos os meus amigos são da minha banda ao mesmo tempo. Mais uma "comunidade" de artistas do que uma banda, o Animal Collective (que tristemente ainda não conheço legal mas está na minha lista) ganhou um nome legal entre os independentes e o último disco (Strawberry Jam) chegou a ser laudeado demais. Da moçada que colabora com eles só duas pessoas foram sempre constantes - Avey Tare e Noah Lennox. Até que em 2004 o Mr. Noá começou a chamar atenção quando gravou um disco solo chamado Young Prayer, usando o nome Panda Bear. E numa boa, acho o Young Prayer chatérrimo.
Porém em 2007 o rapaz deu uma pirada e gravou um disco menos abstrato/chatinho/afetado demais e acabou me ganhando. O Person Pitch me parece um disco gravado pelos Beach Boys (já postei aqui que sou fã incondicional dos Beach Boys) se eles fossem mandados para 2050 e resolvessem fazer o som deles só que de forma eletrônica e meio - ã - perdida? As músicas do Panda Bear tem aquele espírito deles - bem jovem, feliz, esperançoso, harmônico, bonito mesmo - mas que esconde alguma coisa mais complicada, mais triste, mais perdida mesmo por baixo (ele fez uma música que é uma ode de amor aos anti depressivos dele). É bem eletrônico, porém faz uso de muitos samplers de instrumentos acústicos e cria um clima de robôs tocando música de acampamento. E as músicas são enormes e viajantes e te colocam num transe legal para trabalhar e fazer outras coisas.
Quando falaram para o camarada que ele estava sendo muito comparado com o Brian Wilsson, a resposta foi "Droga, então vou ter que fazer melhor já que eu estou fazendo um som parecido com o de outra pessoa". Isso aí Noah esse é o espírito. Mas de fato nem tente esse se você não gosta de Beach Boys (mas aí vamos combinar que você tem um problema) :-)
Comece por - Person Pitch, claro. Mas fique de olho no que o Panda Bear vai fazer no futuro.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Opa... peraí que eu vorto!
Tem alguém aí ainda?
Finalmente voltei para Belo Horizonte e de cara caí de pára quedas em um projeto estilo CONAN. Estou tentando me adaptar de volta e semana que vem retorno a postar...
Abraços!
Finalmente voltei para Belo Horizonte e de cara caí de pára quedas em um projeto estilo CONAN. Estou tentando me adaptar de volta e semana que vem retorno a postar...
Abraços!
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Biografias Bacanas Sobre Músicos Parte 2/2
Bad Seed
De: Ian Johnston
Sobre: biografia do Nick Cave
E aí: já falei milhões de vezes aqui que o Nick Cave é um dos commanders of the potato field, e a vida do cara foi bizarra o suficiente para ser lida até pelos não fãs. Filho de pregador, basicamente um marginal juvenil na Austrália e junky desde sempre, esse é o cara que fazia os shows do Birthday Party terminarem em quebra quebra nos primeiros dez minutos, viveu sempre carregando a herença religiosa do pai enquanto levava uma vida comepletamente selvagem e acima de tudo é uma pessoa intensa (sem contar com intensamente talentoso).
Tirando que é um cara que já teve tantas transformações - evidentes para quem acompanha a obra - que acima de tudo o livro é uma história de crescimento e de evolução de uma visão que foi muito particular desde o início e só debaixo de muita porrada aprendeu a se encaixar um pouco melhor no mundo.
Só pelas fotos preto e branco que tem no meio do livro já vale.
Scar Tissue
De: Anthony Kiedis and Larry Sloman
Sobre: autobiografia do Anthony Kieds dos Red Hot Chili Peppers
E aí: foi um livro que me provocou muito menos identificação do que o do Kurt Cobain e o do Nick Cave; na verdade saí com uma impressão ruim de um cara não tão focado na obra e mais focado em ser um rock star e pegar as meninas etc. Na verdade talvez tenha sido ingenuidade minha esperar mais profundidade dele, mas saber dos bastidores de uma banda que começou entre uns skatistas da califórnia bem moleques e viciados em punk rock e se tornou um fenômeno absurdo é bacana demais.
De que outra maneira você ia saber que quem fala no início de Yertle The Turtle era o traficante do George Clinton para quem ele não tinha grana para pagar? Ah, esse é outro que é muito junky desde novinho (apesar da aparência de geração saúde) e o livro é bem focado na dependência de heroína -aliás todos os citados neste post são uns junkys safados - o que torna o livro bastante pesado, até deprê mesmo. Vide a história do John Frusciante (na verdade o único que tem alguma profundidade mesmo ali...)
No Fundo de Um Sonho
De: James Gavin
Sobre: biografia do Chet Baker
E aí: leitura bizarra porque obviamente o James Gavin (o autor) ODEIA o Chet Baker, então em alguns momentos parece que ele só está tentando convencer todo mundo que o jazzista que você tanto gosta é uma fraude e um picareta. Não esperava um baba ovo mas queria mais neutralidade, em alguns momentos isso me encheu. Porém ninguém pode negar que é pesquisadaça, profunda e detalhada, ainda mais porque ele está falando de uma das figuras mais misteriosas e marginais dos anos 50. No fundo você está quase que lendo a história do Jazz, que é mais atribulada que a do rock. Vale por isso.
Ah: esse é talvez o mais junky de todos (ani!!).
De: Ian Johnston
Sobre: biografia do Nick Cave
E aí: já falei milhões de vezes aqui que o Nick Cave é um dos commanders of the potato field, e a vida do cara foi bizarra o suficiente para ser lida até pelos não fãs. Filho de pregador, basicamente um marginal juvenil na Austrália e junky desde sempre, esse é o cara que fazia os shows do Birthday Party terminarem em quebra quebra nos primeiros dez minutos, viveu sempre carregando a herença religiosa do pai enquanto levava uma vida comepletamente selvagem e acima de tudo é uma pessoa intensa (sem contar com intensamente talentoso).
Tirando que é um cara que já teve tantas transformações - evidentes para quem acompanha a obra - que acima de tudo o livro é uma história de crescimento e de evolução de uma visão que foi muito particular desde o início e só debaixo de muita porrada aprendeu a se encaixar um pouco melhor no mundo.
Só pelas fotos preto e branco que tem no meio do livro já vale.
Scar Tissue
De: Anthony Kiedis and Larry Sloman
Sobre: autobiografia do Anthony Kieds dos Red Hot Chili Peppers
E aí: foi um livro que me provocou muito menos identificação do que o do Kurt Cobain e o do Nick Cave; na verdade saí com uma impressão ruim de um cara não tão focado na obra e mais focado em ser um rock star e pegar as meninas etc. Na verdade talvez tenha sido ingenuidade minha esperar mais profundidade dele, mas saber dos bastidores de uma banda que começou entre uns skatistas da califórnia bem moleques e viciados em punk rock e se tornou um fenômeno absurdo é bacana demais.
De que outra maneira você ia saber que quem fala no início de Yertle The Turtle era o traficante do George Clinton para quem ele não tinha grana para pagar? Ah, esse é outro que é muito junky desde novinho (apesar da aparência de geração saúde) e o livro é bem focado na dependência de heroína -aliás todos os citados neste post são uns junkys safados - o que torna o livro bastante pesado, até deprê mesmo. Vide a história do John Frusciante (na verdade o único que tem alguma profundidade mesmo ali...)
No Fundo de Um Sonho
De: James Gavin
Sobre: biografia do Chet Baker
E aí: leitura bizarra porque obviamente o James Gavin (o autor) ODEIA o Chet Baker, então em alguns momentos parece que ele só está tentando convencer todo mundo que o jazzista que você tanto gosta é uma fraude e um picareta. Não esperava um baba ovo mas queria mais neutralidade, em alguns momentos isso me encheu. Porém ninguém pode negar que é pesquisadaça, profunda e detalhada, ainda mais porque ele está falando de uma das figuras mais misteriosas e marginais dos anos 50. No fundo você está quase que lendo a história do Jazz, que é mais atribulada que a do rock. Vale por isso.
Ah: esse é talvez o mais junky de todos (ani!!).
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
Biografias Bacanas Sobre Músicos Parte 1/2
Como sou também um leitor obsessivo - emendo um livro no outro, sempre, acabo um e começo outro, nunca estou sem ler nada - ainda quero usar esse blog para comentar sobre literatura.
Mas por hora, para não fugir do assunto música, começo comentando algumas biografias de músicos que eu já li, algumas essenciais e outras nem tanto.
Mate-me Por Favor
De: Larry Legs McNeil e Gilliam McCain
Sobre: a história do surgimento do punk, contada pelas próprias pessoas que estavam lá
E aí: este livro é obrigatório, essencial, divertidíssimo mesmo para quem não curte o estilo - afinal foi um fenômeno artístico e social relevante até hoje - e por mim deveria ser leitura obrigatória na escola. Já li três vezes e estou pretendendo ler a quarta. É bom assim.
Nesse livro você entende de onde veio o punk, quem eram aquelas pessoas, porque fizeram isso, e no que o negócio deu. Focado nos avôs - Velvet Undergorund, MC5, Stooges, NY Dolls - e nos pais da criança - Ramones, Sex Pistols, The Clash, Patti Smith etc - o livro não é escrito como uma reportagem, mas é uma colagem de histórias contadas pelos próprios membros das bandas, jornalistas, fãs, empresários e todo mundo que estava lá e viveu o negócio. Não fica uma colcha de retalhos, fica parecendo que você juntou todos em uma sala e eles estão te contando de uma maneira muito vívida e particular como era estar lá. Mate-me Por Favor era uma camisa que o Richard Hell usava quando tocava em shows (até um dia em que um bando de fãs de verdade vieram perguntar para ele se ele estava falando sério e falar que se ele quisesse eles fariam isso para ele).
Simplesmente obrigatório para todo mundo. Faça o joguinho divertido de abrir em uma página aleatória e descobrir qual merda o Iggy Pop fez naquele dia.
Saiu no Brasil em pocket baratinho. Se estiver sem grana roube. Mas leia.
Reações Psicóticas
De: Lester Bangs
Sobre: coletânea de textos do crítico mais lendário que já existiu
E aí: Lester Bangs não era um crítico comum de rock. Adepto do jornalismo gonzo (em que o autor se mistura profundamente com aquilo que ele está falando - por exemplo, passa uma temporada se drogando para escrever sobre drogas) ele vivia o rock, porém sempre com estritas regras - a mais importante era nunca ficar amigo de nenhuma banda para não comprometer a integridade do seu texto. E o cara escrevia bem mesmo.
Com uma visão bem particular, peculiar e corajosa, o disco do qual ele estava falando sempre era um trampolim para uma viagem enorme dentro da cabeça dele - a crítica dele não tinha regras e ele não escrevia somente sobre uma obra em particular, neste livro tem por exemplo o texto que ele escreveu no dia da morte do Elvis ou zoando o tanto que uma banda ruim como Jethro Tull estava ficando famosa. É o único crítico que eu me lembro de voltar atrás em algo que ele disse (ele frequentemente detestava um disco mas depois de um tempo acabava mudando de idéia, ou vice versa, como acontece com qualquer ser humano) o que para mim é um grande indicador da sua sinceridade.
Mais Pesado que o Céu
De: Charles Cross
Sobre: biografia aprofundada do Kurt Cobain
E aí: gosto de Nirvana e Kurt Cobain era uma figura interessante. Achei a biografia bem pesquisada e sem medo de expor o camarada - enquanto obviamente admira o sujeito o autor expõe também seu lado não bacana (como a onda gananciosa que ele tinha em relação aos rendimentos das músicas e o pânico quando a MTV ameaçou não passar mais clipes do Nirvana). O que mais me ficou a impressão é que ele não era de forma alguma "beavis e butthead rock star woooohooow", mas era um cara sensível e criativo - escrevia e desenhava sem parar, várias idéias interessantes e muitas vezes doentias no seu caderno - e tinha um lado cínico que eu considero muito jóia. Essa biografia foi acusada de ser muito favorável à Courtney Love, mas não sei se pode-se dizer isso de um livro que admite que ela usou heroína grávida.
Mesmo se você não se interessa por Nirvana, vale pelo retrato da época do "lado de dentro" de como se forma e funciona na prática uma banda mais ou menos recente que estoura estrondosamente de um dia para o outro.
Elvis
De: Maurício Camargo Brito
Sobre: biografia do Elvis escrita por um fã maluco brasileiro
E aí: Elvis ocupou uma posição única na história da humanidade. Ninguém foi tão famoso assim, nem antes nem depois dele e talvez nunca venha a ser - pô declaravam feriado quando ele ia tocar em uma cidade, não consigo imaginar isso acontecendo com ninguém mais. Foi o primeiro rock star e uma das primeiras estrelas da televisão; foi um dos maiores responsáveis pela existência do conceito de "música jovem" e "música rebelde".
Para mim ficou claro que ele chegou num ponto que não tinha mais para onde ir, o que fazer, o que conquistar, e grande parte da humanidade babava o ovo dele. Então leia e assista o Elvis ficar gradualmente louco, como aconteceria com qualquer um. Nota: não é o melhor escrito dos livros citados aqui, imagino que existam biografias melhores do Elvis, mas esta foi a que eu li.
Mas por hora, para não fugir do assunto música, começo comentando algumas biografias de músicos que eu já li, algumas essenciais e outras nem tanto.
Mate-me Por Favor
De: Larry Legs McNeil e Gilliam McCain
Sobre: a história do surgimento do punk, contada pelas próprias pessoas que estavam lá
E aí: este livro é obrigatório, essencial, divertidíssimo mesmo para quem não curte o estilo - afinal foi um fenômeno artístico e social relevante até hoje - e por mim deveria ser leitura obrigatória na escola. Já li três vezes e estou pretendendo ler a quarta. É bom assim.
Nesse livro você entende de onde veio o punk, quem eram aquelas pessoas, porque fizeram isso, e no que o negócio deu. Focado nos avôs - Velvet Undergorund, MC5, Stooges, NY Dolls - e nos pais da criança - Ramones, Sex Pistols, The Clash, Patti Smith etc - o livro não é escrito como uma reportagem, mas é uma colagem de histórias contadas pelos próprios membros das bandas, jornalistas, fãs, empresários e todo mundo que estava lá e viveu o negócio. Não fica uma colcha de retalhos, fica parecendo que você juntou todos em uma sala e eles estão te contando de uma maneira muito vívida e particular como era estar lá. Mate-me Por Favor era uma camisa que o Richard Hell usava quando tocava em shows (até um dia em que um bando de fãs de verdade vieram perguntar para ele se ele estava falando sério e falar que se ele quisesse eles fariam isso para ele).
Simplesmente obrigatório para todo mundo. Faça o joguinho divertido de abrir em uma página aleatória e descobrir qual merda o Iggy Pop fez naquele dia.
Saiu no Brasil em pocket baratinho. Se estiver sem grana roube. Mas leia.
Reações Psicóticas
De: Lester Bangs
Sobre: coletânea de textos do crítico mais lendário que já existiu
E aí: Lester Bangs não era um crítico comum de rock. Adepto do jornalismo gonzo (em que o autor se mistura profundamente com aquilo que ele está falando - por exemplo, passa uma temporada se drogando para escrever sobre drogas) ele vivia o rock, porém sempre com estritas regras - a mais importante era nunca ficar amigo de nenhuma banda para não comprometer a integridade do seu texto. E o cara escrevia bem mesmo.
Com uma visão bem particular, peculiar e corajosa, o disco do qual ele estava falando sempre era um trampolim para uma viagem enorme dentro da cabeça dele - a crítica dele não tinha regras e ele não escrevia somente sobre uma obra em particular, neste livro tem por exemplo o texto que ele escreveu no dia da morte do Elvis ou zoando o tanto que uma banda ruim como Jethro Tull estava ficando famosa. É o único crítico que eu me lembro de voltar atrás em algo que ele disse (ele frequentemente detestava um disco mas depois de um tempo acabava mudando de idéia, ou vice versa, como acontece com qualquer ser humano) o que para mim é um grande indicador da sua sinceridade.
Mais Pesado que o Céu
De: Charles Cross
Sobre: biografia aprofundada do Kurt Cobain
E aí: gosto de Nirvana e Kurt Cobain era uma figura interessante. Achei a biografia bem pesquisada e sem medo de expor o camarada - enquanto obviamente admira o sujeito o autor expõe também seu lado não bacana (como a onda gananciosa que ele tinha em relação aos rendimentos das músicas e o pânico quando a MTV ameaçou não passar mais clipes do Nirvana). O que mais me ficou a impressão é que ele não era de forma alguma "beavis e butthead rock star woooohooow", mas era um cara sensível e criativo - escrevia e desenhava sem parar, várias idéias interessantes e muitas vezes doentias no seu caderno - e tinha um lado cínico que eu considero muito jóia. Essa biografia foi acusada de ser muito favorável à Courtney Love, mas não sei se pode-se dizer isso de um livro que admite que ela usou heroína grávida.
Mesmo se você não se interessa por Nirvana, vale pelo retrato da época do "lado de dentro" de como se forma e funciona na prática uma banda mais ou menos recente que estoura estrondosamente de um dia para o outro.
Elvis
De: Maurício Camargo Brito
Sobre: biografia do Elvis escrita por um fã maluco brasileiro
E aí: Elvis ocupou uma posição única na história da humanidade. Ninguém foi tão famoso assim, nem antes nem depois dele e talvez nunca venha a ser - pô declaravam feriado quando ele ia tocar em uma cidade, não consigo imaginar isso acontecendo com ninguém mais. Foi o primeiro rock star e uma das primeiras estrelas da televisão; foi um dos maiores responsáveis pela existência do conceito de "música jovem" e "música rebelde".
Para mim ficou claro que ele chegou num ponto que não tinha mais para onde ir, o que fazer, o que conquistar, e grande parte da humanidade babava o ovo dele. Então leia e assista o Elvis ficar gradualmente louco, como aconteceria com qualquer um. Nota: não é o melhor escrito dos livros citados aqui, imagino que existam biografias melhores do Elvis, mas esta foi a que eu li.
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mate-me por favor,
reações psicóticas
terça-feira, 1 de julho de 2008
Da série Playlist - O que anda torrando a bateria do meu Ipod
Mais ouvidos dos últimos dias...
Cult Of Luna (Eternal Kingdom)
Mistura de metalzão com post rock, é bem pesado quando quer e de repente entra nuns momentos instrumentais beeeeem loooongos e contemplativos e viajantes e bacanaços. Fico com impressão que é muito pesado para a moçada do post rock e muito viagem para a moçada do metal, por isso não é tão conhecido. Os momentos viagem tornam os momentos pesados mais pesados e vice versa. Bem impactante e original.
The Evens (The Evens e Get Evens)
Enquanto o Fugazi não volta... o Ian MacKaye fez essa banda que é só ele na guitarra e vocais e a namorada dele (que tocava no The Warmers). Dá para ver o espírito do Fugazi ali (você preenche na sua cabeça os momentos que entraria uma guitarra estranha ou o vocal maníaco do Piscciotto) mas de uma maneira bem mais calminha e simples. No fundo é uma ótima banda indie com letras bem punks e que lembra Fugazi. Gosto dos dois discos mas... cadê o Fugazi??!?!?! :-( (Ando ouvindo toda a discografia do Fugazi de novo obssesivamente)
This Will Destroy You (Young Mountain EP)
Banda nova também de post rock, mas essa é bem levinha e tranquila e também viajandona. Não tende a explodir tanto quanto o Mogwai ou Godspeed You Black Emperor (o que é bom já que isso já virou clichê do post rock), tende a ficar evoluindo a música com muita paciência e tem o dom de fazer instrumentais lindaços (aliás é 100% instrumental). Perfeito para trabalhar e assim como o Sigur Rós enche a sua cabeça de imagens.
Dandy Warhols (Welcome to The Monkey House)
Amo esse disco desde que ele saiu. De vez em quando esqueço ele, depois lembro e volto a escutar diretaço. Dandy Warhols é um indie rock bem pop e divertido e inescrupuloso, dançante demais, felizinho mas meio maldoso. Total disco de festa mas que quando você escuta ele depois que todo mundo foi embora começa a aparecer uma profundidade ali que não é imediatamente aparente (aquela música bem animadinha no fundo está encobrindo um desespero que você só capta nas nuances).
Silver Jews (Tanglewood Numbers)
Indie rock mais para o folk (só que com bastante guitarra e distorção) com letras brutalmente honestas, sem frescura e excelentes (talvez as melhores da atualidade) e um vocalista junkie que já tentou suicídio e é o clássico poeta-bêbado-deprê-só-que-com-muita-coisa-para-dizer. O Stephen Malkmus do Pavement é um membro "mais ou menos oficial" da banda, só que ela é dominada mesmo pelo tal poeta bêbado (David Berman).Escute sozinho prestando atenção em tudo.
Cult Of Luna (Eternal Kingdom)Mistura de metalzão com post rock, é bem pesado quando quer e de repente entra nuns momentos instrumentais beeeeem loooongos e contemplativos e viajantes e bacanaços. Fico com impressão que é muito pesado para a moçada do post rock e muito viagem para a moçada do metal, por isso não é tão conhecido. Os momentos viagem tornam os momentos pesados mais pesados e vice versa. Bem impactante e original.
The Evens (The Evens e Get Evens)Enquanto o Fugazi não volta... o Ian MacKaye fez essa banda que é só ele na guitarra e vocais e a namorada dele (que tocava no The Warmers). Dá para ver o espírito do Fugazi ali (você preenche na sua cabeça os momentos que entraria uma guitarra estranha ou o vocal maníaco do Piscciotto) mas de uma maneira bem mais calminha e simples. No fundo é uma ótima banda indie com letras bem punks e que lembra Fugazi. Gosto dos dois discos mas... cadê o Fugazi??!?!?! :-( (Ando ouvindo toda a discografia do Fugazi de novo obssesivamente)
This Will Destroy You (Young Mountain EP)Banda nova também de post rock, mas essa é bem levinha e tranquila e também viajandona. Não tende a explodir tanto quanto o Mogwai ou Godspeed You Black Emperor (o que é bom já que isso já virou clichê do post rock), tende a ficar evoluindo a música com muita paciência e tem o dom de fazer instrumentais lindaços (aliás é 100% instrumental). Perfeito para trabalhar e assim como o Sigur Rós enche a sua cabeça de imagens.
Dandy Warhols (Welcome to The Monkey House)Amo esse disco desde que ele saiu. De vez em quando esqueço ele, depois lembro e volto a escutar diretaço. Dandy Warhols é um indie rock bem pop e divertido e inescrupuloso, dançante demais, felizinho mas meio maldoso. Total disco de festa mas que quando você escuta ele depois que todo mundo foi embora começa a aparecer uma profundidade ali que não é imediatamente aparente (aquela música bem animadinha no fundo está encobrindo um desespero que você só capta nas nuances).
Silver Jews (Tanglewood Numbers)Indie rock mais para o folk (só que com bastante guitarra e distorção) com letras brutalmente honestas, sem frescura e excelentes (talvez as melhores da atualidade) e um vocalista junkie que já tentou suicídio e é o clássico poeta-bêbado-deprê-só-que-com-muita-coisa-para-dizer. O Stephen Malkmus do Pavement é um membro "mais ou menos oficial" da banda, só que ela é dominada mesmo pelo tal poeta bêbado (David Berman).Escute sozinho prestando atenção em tudo.
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