sexta-feira, 8 de agosto de 2008

E minha teoria é provada no mesmo dia...

Conversa ontem 00:00 h no estúdio onde eu estava tocando, com o dono (que se encaixa totalmente na categoria Técnica 10 X Musicalidade 0):
Ele: -Quer comprar esse amplificador da Fender?
Eu: -O quê? Você não acha esse timbre dele maravilhoso?
-Ah sim, mas não serve para o que eu toco.
-Mas é porque você não gosta de música. Você gosta de farofeiro e punheteiro, você gosta de ciência e competição.
-Eu escuto é Van Halen. O que é farofa?
-Van Halen.
-Mas eu não gosto da banda dele, eu gosto é DO Van Halen.

Ok. Você escuta um MÚSICO de quem você não gosta das MÚSICAS dele.

Post bobo mas me apeteceu a coincidência de ver na prática minha teoria ser provada no mesmo dia. Confiem neste blog. Ele ainda vai ganhar um prêmio de "mais generalizações corretas sobre cultura inútil e coisas corriqueiras que ninguém se importa" :-D

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Mas eles tocam pra carai véio!

Eu queria postar sobre Primus (e ainda vou), porém como eu estava iniciando o assunto falando de quanto eu desprezo virtuosismo vazio (também conhecido como masturbação musical) achei que merecia um post.

Ponto: técnica e musicalidade são das habilidades distintas. Uma pessoa pode possuir nenhuma delas, as duas ou somente uma. Não confunda. Já expliquei tudo que eu penso sobre o assunto.
Frequentemente vejo:
  • artistas punheteiros que se vendem como grandes músicos e que de fato possuem uma técnica super apurada fazendo malabarismos impressionantes nos seus respectivos instrumentos porém tocando um som que é, pura e simplesmente, desinteressante e irrelevante;
  • gente defendendo esses ditos artistas que você "tem que ouvir" porque "tocam pra carai" ou falando que determinada banda é boa porque "toca pra carai";
  • só para ser justo, gente que também radicaliza para o outro lado e despreza qualquer coisa que seja um bocado mais técnica automaticamente, como se excesso de técnica automaticamente destruísse musicalidade.
O que isso significa na prática? Na prática significa que cada um procura o que quer da música. Eu quero musicalidade e ponto final. Eu escutaria alguém com técnica nota 10 mas musicalidade nenhuma? Nunca. Eu escutaria alguém com bastante musicalidade e técnica nenhuma? Sem dúvida. Você pode talvez pensar o contrário. Mas eu vejo isso em gente que enxerga a música como ciência (ou quase como esporte) e pouco como arte ou como um instrumento para gerar resposta emocional.

Generalizando:

Técnica 0 X Musicalidade 0
Música para quem não gosta realmente de música, tipo picaretagens de rádio FM em geral(de Josta Quest até a banda KY)
Música feita para ser gostada e não para ser música, música feita para ser fácil e não para ser boa.

Técnica 0 X Musicalidade 10
Música simples e perfeita, tipo Ramones e Chuck Berry, Blondie e Strokes, Nirvana e Public Enemy. Música feita por quem quer fazer música e faz do seu jeito. A maioria das minhas bandas preferidas estão aqui.

Técnica 10 X Musicalidade 0
Musica para gente chata e esnobe e que também não gosta de música, mas sim de ficar impressionado com o fato de estarem tocando em tempo 17/13 ou com a velocidade dos dedos do guitarrista ou com a virada de bateria cabulosa que o batera consegue fazer. Música para quem acha que música é esporte ou ciência, tipo punheteiros em geral (Rush, Dream Theater, rock progressivo em geral, os jazzistas ruins, os Steve Vai da vida etc)
Também entram aqui os picaretas que se importaram em se desenvolver tecnicamente mas tacaram foda-se para talento - tipo Sandy e Junior e Christina Aguilera (é assim que escreve?)

Técnica 10 X Musicalidade 10
Gente que realmente "toca pra carai" mas não precisa ficar esfregando isso na sua cara de forma óbvia o tempo todo (Radiohead) , os jazzistas bons, e gente que sabe ser complicada mas interessante (tipo Tool e Frank Zappa).

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Good Evening Mr. Lynch

Foi mal Kubrick, foi mal Buñuel, foi mal Bergman, mas abaixo sou eu (olha minha cara de pouco satisfeito) com o cineasta mais foda da história da humanidade, em foto tirada pelo brother André Amarred.


Deprimente é ouvir na fila gente idiota que leu no Estado de Minas que ele é importante e foi lá sem ter nem idéia de quem é o cara. Tive que ouvir uma mulher falar que o David Lynch tinha que fazer um filme no Brasil porque a Bahia é a cara dele (sim, Bahia é extremamente dark e perturbadora e surrealista) e quando ela viu o livro dele na mão de alguém (que é sobre meditação) ela disse "vai virar filme né, lóóóógico". Se você foi e não conseguiu lugar na fila (era limitado) saiba que sua vaga ficou com essa mulher.

No fundo, meio corrido, formal e seguranças te empurrando, mas agora eu tenho uma cópia de Twin Peaks assinada pelo homi (além do Blue Velvet e o Homem Elefante). Minha mulher tirou umas fotos simpáticas dele tambem. Apesar de tudo me parece um velinho bonzinho. :-)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

É VERDADE

DAVID LYNCH HOJE EM BH LANÇANDO O LIVRO NA LEITURA DA SAVASSI 20:00 HORAS VOU LEVAR UNS DVS PRA ELE ASSINAR E VOU TOMAR UMA CACHAÇA COM O DAVID LYNCH E VOU EXPLICAR PARA ELE A MINHA TEORIA SOBRE A ESTRADA PERDIDA E ELE VAI ME CHAMAR PRA ESCREVER O ROTEIRO DO PRÓXIMO FILME E AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Da Série Random Music - Árvores Gritalhonas


Pixies é frequentemente lembrado como exemplo de banda que tinha tudo para fazer muitíssimo sucesso e nunca estourou porque os membros da banda não eram bonitinhos. Para mim exemplo melhor ainda são os Screaming Trees.

Screaming Trees para mim é: eu gosto é de rock + uma certa névoa branca de heroína (um lado sóbrio/viajante/tristonho) + guitarras devem ser usadas e não escondidas no mix + vocais bonitaços e classudos (a carreira solo do rapaz parece com Nick Cave) + banda de rock direto sem muita experimetação mas extremamente bem feito e muito estiloso + também sabemos fazer baladas de tirar lágrima + letras sobre sofrer, sofrer e sofrer. Como eles eram de Seattle e começaram em 85 (mas a carreira desenvolveu mesmo na década de 90) ganharam de bônus um rótulo de "grunge" apesar desse ser o rótulo mais sem sentido que eu conheço - já que Nirvana e Mudhoney não parecem com Alice In Chains que não parece com Pearl Jam que não parece com Screaming Trees - mas o que eles NÃO ganharam foi se dar bem com a carona do tanto que essas bandas ficaram em evidência nesta época. Tiveram um sucesso limitado e com certeza não se compara o nível de reconhecimento atribuído a um Pearl Jam por exemplo. Aliás, algumas das melhores bandas do tal do "grunge" (e as que foram de fato pioneiras) foram as que menos ganharam crédito - Mudhoney e Melvins da vida.

No fundo o som dos Screaming Trees gravita bastante em torno do vocal. O Mark Lanegam (que você deve conhecer como membro "semi oficial" do Queens Of The Stone Age, é aquele cara que aparece de vez em quando em todos os discos para gravar umas músicas com o vocal gravão bonitaço - por exemplo, Autopilot - checa a carreira solo dele, também comanda). Visto que o cara tem uma voz foda, um senso melódico de bastante bom gosto e escreve letras marcantes o "complemento" para sua voz nem precisava ser bom - mas os dois guitarristas gordões tem tanta personalidade quanto. Só não tinham a aparência. O fim do Screaming Trees foi tão melancólico que gravaram um último disco que nunca saiu porque nenhuma gravadora se interessou.

Agora te desafio a escutar "Nearly Lost You", "Shadow Of The Season" ou "All I Know" e não gostar da banda. Vai lá e me ajuda a chorar pelas injustiças do mundo da música.

Comece por - Sweet Oblivion
Disco mais Screaming Trees - Dust

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Respeita os mais véio, minino!

Todo mundo que gosta de música eternamente terá mais música para descobrir. Isso é uma das coisas mais legais de todas. Por mais música boa que você conheça, tem um oceano de coisa boa ainda para você desbravar. Dá para crescer lateralmente (tipo abrir mais bandas dentro de um estilo que você já gosta) ou verticalmente (indo para trás e descobrir qual som gerou esse que você gosta hoje).

Por experiência própria eu diria que crescer verticalmente é uma das coisas mais prazerosas que existem para quem aprecia música. É muito comum descobrir que as bandas que faziam coisas parecidas com as que você gosta hoje eram muito melhores do que os seus "pupilos", e fica claro que sem elas as novas não existiriam. Até um ponto em que as bandas novas amadurecem o suficiente para entrar num território realmente único. Mas isso é outro assunto.

Uma das grandes dicas é: preste atenção nas "influências". Sempre que alguém pergunta numa entrevista "quem influenciou vocês" não é só para constar, serve para você saber o que vale a pena procurar se você gosta daquela banda. Vou mais longe ainda para dizer que uma estratégia muito bacana é ir até a raiz do que você gostava e crescer "lateralmente" a partir daí. Sempre descobre muita coisa foda. E, de boa, no fundo acho que é de certa maneira "errado" você por exemplo gostar de Strokes se você não conhece Velvet Underground. Mas isso é meu lado "polícia da música". :-D

Exemplos de como isso funciona:
Você gosta de Interpol, que é uma (excelente) banda nova.
Então você procura Joy Division, que é claramente a base do som deles. Nessa você já descobriu uma banda mais legal e mais significante que o próprio Interpol.
Aí resolve crescer "para o lado" e procurar quem fazia coisa parecida com o Joy Division na mesma época, e cai em Echo And The Bunnymen, The Cure, Nick Cave.
Então começa a crescer "verticalmente" de novo e vai atrás do que inspirou o Joy Division e aí você cai no início do punk, David Bowie da década de 70, Velvet Underground. Ou vai "para frente" e começa a ouvir as coisas que vieram entre o Joy Division e o Interpol e fazem parte da mesma "linha evolutiva" - aí você está escutando desde New Order até Jesus And Mary Chain.
E tudo tem uma boa chance de você gostar, partindo do simples fato de "eu gosto de Interpol". E você já construiu na sua cabeça todo um cenário da música que teve como filho essa - e de quebra muitas outras - bandas que você gosta.

Princípios simples e básicos:
Se tem interesse em punk tem que conhecer Ramones.
Se tem interesse em metal tem que conhecer Black Sabbath.
Se tem interesse em indie tem que conhecer Velvet Underground.
Se tem interesse em eletrônico tem que conhecer Kraftwerk.
Se tem interesse em funk (não funk carioca, funk de verdade!!) tem que conhecer James Brow.
etc, etc, etc,etc.

Sacou? O "óbvio" só virou "óbvio" um dia por algum motivo. E vivo me surpreendendo com como essas coisas tidas como "clássicas" e que dão a maior preguiça (último caso pessoal, Stevie Wonder) fizeram por merecer serem chamados de clássicos.
Assim como quando você lê Shakespeare você vê que ele é cheio de clichês. Mas só viraram clichês DEPOIS que ele os escreveu.

Note que para mim é importante conhecer. Gostar o não já é outro terreno, porém normalmente a chance é boa.

Óbvio e clichê igual esse post, que só foi escrito porque eu vejo direto gente que escuta hardcore mas não conhece Black Flag, escuta indie mas nunca ouviu Velvet, gosta de folk mas não conhece Bob Dylan e outros graves crimes contra a polícia da música.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Da Série Playlist - O quê NÃO anda queimando a bateria do meu Ipod porque ele foi pro saco (2/2)

Health - Health
Lado Bão:
banda interessantíssima e comandante do batatal. Bastante experimental mas sem dúvida rock, é bem noise (barulhentona mesmo), não segue estruturas convencionais de música (introdução-verso-refrão blá blá blá) e tem um vocal bem gelado e distante mas limpo e bonito. Me lembrou Liars e nos momentos mais pesados Fantomas, costumam comparar também com Boredoms (achei que tem bem mais a ver com o primeiro). Visto que eu amo Liars e amo Fantomas e amo Boredoms fui presa fácil. A música Crimewave do Crystal Castles que é uma das mais legais do disco é um remix de uma música deles. Recomendo bastante se você gostar de coisa experimental pesada. Pega fácil se gostar de Fantomas.
Lado Ruim:
achei a produção meio toscona, provavelmente foi intencional mas o som já é meio confuso e se a produção não ajuda... mas isso não estragou o disco não.
Gostei: bastante mesmo, já coloquei eles na lista de banda que eu fico aguardando fazer coisa nova.

Les Savy Fav - Let's Stay Friends
Lado Bão: outra banda de rockão que tem a ver com o Hold Steady, mas são mais malucos e variados, tem uns arranjos que me lembram Fugazi e outros bem indie (mas o lado mais rockão maluquice e menos introspectivo do indie), às vezes é bem dançante, é muito eclético e muito criativo e muito energético e muito divertido. Tem a fama de ser uma banda que começou um monte de tendência no indie sozinha (tipo, fez disco-punk antes do Rapture) e quando os outros começam a ganhar dinheiro com o negócio eles já estão em outra e portanto nunca ficam com o crédito. O show ao vivo deles é lendário, retineiramente leio algum review de festival falando que eles demoliram o show de todas as outras bandas. Ouvindo no repeat esse disco também.
Lado Ruim: assim como o Hold Steady, só achei ruim de ter descoberto esses caras só nesse disco que é o quarto já. Vou correr atrás da discografia dessas duas bandas.
Gostei: o mundo precisa de menos rockinho idêntico subproduto de Strokes e Franz Ferdinand e de mais bandas assim.


One Day As A Lion - One Day As A Lion
Lado Bão:
é a banda nova do Zack de La Rocha (junto com o batera do Mars Volta), e ele é um cara foda desde o Inside Out que pouca gente conhece (mas conheço muito pouca gente que gosta de rock e não gosta de Rage Against The Machine). O vocal tem (um pouco) menos de rap e (um pouco) mais canto normal, o som está (um pouco) mais moderno e eletrônico mas ainda parece (bastante) com Rage Against The Machine.
Lado Ruim: e esse é justamente o lado ruim, esperar muitos anos para ver ele voltar à ativa para ouvir um Rage Against The Machine 2, assim como os caras do Rage não evoluíram quase nada enquanto tocavam no Audioslave. Evoluiu sim. Mas não o suficiente.
Gostei: apesar das reclamações o som é indiscutivelmente muito bom. Se você gosta de Rage - e nunca vi uma mesma banda polarizar assim quem gosta de punk, de metal, de hip hop, de eletrônico, de indie, até os prayboy - tá vacilando muito se ainda não escutou.


Primal Scream - Beautiful Future
Lado Bão:
gosto bastante de Primal Scream, mas não consigo me livrar da sensação que eles são um pouco super valorizados e são muito calculados - estão sempre fazendo o que é mais "cool" no momento (era meio que um Happy Mondays no início, depois fica mega eletrônico, depois fica mega rock, depois mais indie etc). Apesar disso não discuto que é uma banda top, dá um show muito bom e os discos de forma geral não decepcionam. Esse disco novo eu levei meio como "o disco pop do Primal Scream", apesar de umas músicas meio exceção o tom do disco é bem pop feliz (às vezes até meio 80). Gostei mais dos 3 últimos discos que desse, mas um disco mediano de uma banda boa costuma ser bem melhor que um disco bom de uma banda mediana.
Lado Ruim:
não fiz minha cabeça ainda se consegui absorver essa onda mais pop deles. E tem uma música com a mulherzinha do Cansei de Ser Sexy e isso é errado (e o pior é que a música é boa).
Gostei:
sim. Vale seu tempo se você já gosta da banda e quer ouvir coisas novas, mas se não conhece Primal Scream ainda tem coisa bem melhor deles para ouvir.