quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Da Série Random Music - A Mente é Algo Terrível de Se Provar


Uma banda com duas baterias (uma acústica e uma eletrônica) e que coloca uns 5 guitarristas no palco atrás de uma grade de arame (que a platéia frequentemente escala e se joga lá de cima) com um vocalista que parece uma mistura de um mendigo e um cowboy gritando cheio de efeitos esquisitos na voz e tocando sentando MUITO o cacete com distorção em TUDO, na frente de bandeiras dos Estados Unidos pegando fogo. Se você nunca viu um show do Ministry você não sabe o que é rock and roll.

Lá para 1981 o Mr. Alien Jourgensen (que faz mais ou menos uma banda nova por dia, todas legais - Lard, 1000 Homo DJs, Revolting Cocks, Buck Satan And The 666 Shooters) começou o Ministry como uma banda de synth pop meio gótica - uma espécie de Depeche Mode - que nunca estourou mas fazia um som até que interessante. Até que lá para 87 ele se lembrou que sabia tocar guitarra e virou a banda de cabeça para baixo: colocou distorção em tudo (baixo, bateria, vocal, guitarra!!) e começou a fazer um som que tinha como objetivo parecer o que seria o metal se fosse tocado por robôs e não por gente. Tacou o título de "The Land Of Rape And Honey" no disco e começou uma das bandas mais políticas que existem até hoje. O Ministry não inventou o metal industrial (estilo que foi imitado por trilhões de bandas depois deles). Mas, o Ministry inventou o metal industrial. Se é que você me entende.

O Ministry tem 3 chaves para mim: repetição, peso e saber rir de si mesmo. Uma típica música do Ministry é basicamente música eletrônica (um monte de elementos se repetindo infinitamente), porém estes elementos são batidas bem fortes e rápidas, guitarras distorcidas e barulheira. Para quem não conhece é impactante para cacete - sempre que eu escuto Ministry saio com vontade de chutar alguém. E as letras são bem políticas mas não de um jeito mal humorado "apontando o dedo" - são na veia satírica e irônica dos Dead Kennedys. Combinação que nunca varia muito mas que também nunca te deixa na mão. E a banda tem momentos em que deixa tanta porrada e faz umas coisas inusitadas - tipo gravar um cover de Bob Dylan (fodaço aliás) ou dos Doors ou dos Stones (tudo convertido para o estilo porradão eletrônico deles).

Se você não gosta de música pesada, nem passe perto. Mas se tem qualquer pequeno interesse em música porrada e não escuta Ministry resolve isso rápido. Me lembro nitidamente de me sentir super impactado as primeiras vezes que eu escutei, e o impacto não diminuiu muito com os anos. Acabou tem pouco tempo e foi bom do início ao fim. Também fique de olho nas outras bandas do Al Jourgensen.

Comece por - In Case You Didn't Feel Like Showing Up (ao vivo curtinho mas mostra muitíssimo bem o que é o Ministry, se prepare para ser isolado da cadeira quando ouvir)
Disco mais Ministry - Psalm 69
Um dos melhores discos de música pesada da história - Psalm 69
Clássico do industrial - The Land Of Rape And Honey
O disco "lento" do Ministry - Filth Pig
Mais para o lado metalzão - Rio Grande Blood

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Auto promoção!

Moçada vai ter show do Hellvis na Velvet neste domingão!
Deve ser de tardinha tipo 18:00 mas eu confirmo o horário aqui.
Vai porque semana passada foi anviersário da morte do homi!!!

Post aleatório de 3 perguntas das quais não sei a resposta *

* em homenagem a um mega show que bombou em São João Del Rey esse fim de semana

Por que os crentes do Brasil só podem fazer música religiosa com a sonoridade mega cafona?
Afinal: qual seria o grande problema ou impeditivo de se fazer um som bom com temática religiosa?
Será que Deus é tipo fã de música brega?

Nota: existe música "boazinha" que não é cafona -> Flaming Lips, Fleet Foxes, Beach Boys, as músicas religiosas do Elvis e Johnny Cash, Sufjan Stevens, Panda Bear...

Da série random music - Eu te amo mas escolhi as trevas


Eu detesto academia e acho que todos os esportes (exceto mexer o gelo no copo de whisky) deveriam ser proibidos. Porém, caminhar é bacana. Ótimo momento do dia para escutar música nova é caminhando perdido nos seus pensamentos (na verdade isso é muito romântico né, na maior parte do tempo você está pensando sobre nada e fingindo estar profundamente meditando). Teve uma época longa em que eu andava pelo menos por uma hora - muitas vezes mais - na praça da liberdade em BH e essa era minha hora de descobrir coisa nova legal.

O lance é que, vai saber porque, passei uma fase maluca nesta época em que eu meio que larguei o rock, que por bem ou por mal no fundo sempre foi o centro de gravidade do meu gosto musical. Não queria ouvir Radiohead. Não queria ouvir Sonic Youth, nem Pixies, nemRamones. Não queria ouvir The Clash nem Interpol. Estava viciado em eletrônico, jazz e hip hop. Escutava Squarepusher, John Coltrane e cloudDead. Escutava Gorillaz mas não escutava Blur. Não me passou despercebido. Eu reparei que entrei numa zona de estranheza com o rock, tentava sair e não conseguia. O desespero se apossou de minha alma enquanto eu lutava contra os pesados grilhões que me mantinham distante das minhas velhas paixões (uahauhauahauhaua trecho gótico de graça do dia em homenagem ao Príncipe Elfo).

Bastou uma música para me trazer de volta.

Quando eu comecei a ouvir essa banda nova de nome legal no Ipod (I Love You But I've Chosen Darkness) eu dei stop. Lembro de ter percebido de cara que isso TINHA que ser ouvido num som bom e bem alto. Cheguei em casa, coloquei o som na altura de tremer o vidro da janela e deixei rolar The Ghost. Começa bem devagar e bem climática, tem um clima bem soturno, um vocal meio enterrado embaixo dos instrumentos como se fosse alguém tentando falar de baixo de escombros. E cresce sem parar, e cresce sem perder o clima. Aliás, tudo na banda é clima, desde as guitarras lentinhas com os timbres bonitões e frios até a bateria meio percurssiva e os teclados que NÃO barangam o negócio. O papo aqui é frieza e deprê, mas também é muito bonito e envolvente. Se quiser, imagine um Interpol mais lento e mais deprezão.

E depois das duas primeiras frases do disco (A fire swept through/Everyone rushed for the door) eu estava de volta, o rock começou a dominar de novo, e todos foram felizes para sempre.

Essa banda foi meio tipo um furacão. Surgiu do nada (lá de Austin, no Texas), fez um disco em 2006 (Fear Is On Our Side) que chamou a atenção de todo mundo e também sumiu do nada, ninguém mais ouviu falar. Acho que voltaram para o planeta deles. Mas estou aqui na esperança de ouvir mais coisa, fica de olho. E escuta alto.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Da Série Random Music - todo mundo que fingia gostar de mim se foi


Walkmen é uma banda de álcool. Feita por quem bebe muito e para quem bebe muito. Eu não bebo muito hoje, mas vamos dizer que eu sei beber e qualquer um que já tenha tomado uns porres tem grande facilidade de identificar os sentimentos que passeiam (gloriosamente) pela música deles. Mas não é uma banda de álcool estilo Motorhead ou Go! Team (feitas para ouvir no auge da euforia da birita) mas feita para ouvir no momento em que você está caminhando bêbado para casa tarde da noite, sozinho, um pouco melancólico e já antecipando a ressaca. Uma certa falta de compromisso, arranjos que são no geral meio que lentos e trôpegos (a grande maioria das músicas me faz sentir exatamente caminhando sozinho de madrugada), cantadas por um cara que eu tenho certeza que está bêbado.

Ficou com impressão de algo meio que avacalhado? Impressão errada. Walkmen está entre as mlehores bandas que surgiram de 2000 para cá fácil. Favorecendo instrumentos antigos - aliás, de forma geral timbres e sonoridades antigas, até formatos de canção antigas - pode-se dizer que este estilo que eu estou chamando de descompromissado na verdade é extremamente bem tocado, o perfeito caos controlado - mas não é um caos furioso. De certa forma é um caos delicado. Passa um sentimento de pouco esforço enquanto na verdade pode ter certeza que tiveram que ralar para fazer. A atmosfera é bem convincente, até porque não é unidimensional - escute a música "The Rat" e me diga se ela não capturou com 100% de perfeição o sentimento que ela tentou passar (nem vou escrever ele aqui, deixo para você interpretar). Aliás, uma das melhores músicas feitas de 2000 para cá na minha opinião.

Se não está escutando Walkmen ainda, se considere um felizardo, porque tem um som perfeito ainda para descobrir. Mas escolha o momento certo para absorver eles pela primeira vez. A próxima vez que comprar uma garrafa de Jack Daniel's passe a noite bebendo ela devagar e escutando o som estilo música de tocar em bar escuro para gente meio que deprimida deles. Vai terminar a noite em melhor estado de espírito que você pensa. E me chame para dar uma força com a garrafa. :-)

Comece por - Bows + Arrows
Disco mais Walkmen - Bows + Arrows
Mais deprê - Everyone Who Pretend To Like Me Is Gone
Mas variado - A Hundred Miles Off
Saindo hoje - You And Me

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Da Série Random Music - Navegando o Mar de Queijo

Esse cara é, antes de tudo, um maluco. Imagina um cara excêntrico que cresceu entre as bandas de metalzão da Califórnia (aliás quase entrou no EXODUS) mas que preferiu levar as idéias excêntricas dele para uma banda de som próprio e maluco. Viciado em psicodelia, virtuosismo (do tipo bom e não chatão como eu discuti num post passado), música antiga, metal, desenhos animados, polka, piadas escatológicas e personagens bizarros e sem sentido e que acontece de ser (para mim) o melhor baixista do mundo. O cara me faz uma banda que com um som que não se parecia com nenhuma, continua muito único e provavelmente vai continuar.

Essa banda é meio que metal mas é bastante funkeada, de uma forma original totalmente baseada no som do baixo - todos os outros instrumentos são coadjuvantes (bem incomum no mundo "guitar-cêntrico" do rock). A música é, de fato, levada pelo baixo - tocado de forma incrível - a bateria só existe para acompanhar o baixo, e a guitarra para fazer sons estranhos que pontuam o que o baixo está fazendo e de vez em quando mandar um solo bizarrão. Consegue ser isso ao mesmo tempo em que soa como formas de música antigas (o Les Claypool, que é esse baixista doidão, já chamou o som deles de polka psicodélica - e eu já passei uma tarde ouvindo eles com o meu avô!) e, acima de tudo, bizarra. E os vocais parecem cantados por um personagem de desenho animado, cantando sobre temas que interessariam a alguém que habita um universo de desenho animado.

Essa banda é o Primus e já lançaram discos como Pork Soda (que começa com a música My Name Is Mud, que faz com que a platéia jogue lama na banda!), Sailing The Seas Of Cheese (com músicas sobre pilotos de corrida e a história de um gato recitada pelo Tom Waits) e estouraram com uma música sobre a precheca da Wynoma Ryder (Winona's Big Brow Beaver).

Tem um amigo meu que me disse que escutava de tudo muito alto mas sempre que colocava Primus por algum motivo até hoje desconhecido o gato dele fugia da sala desesperado. Primus não adianta ficar lendo, tem que escutar para entender. Eu recomendo.

Comece por - Sailing The Seas Of Cheese
Disco mais Primus - Pork Soda
Mais divertido - Tales From The Punchbown
Menos bizarro - Antipop

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Da Série Random Music - Corta-Copia


Cut Copy é uma banda simples que pode te enganar com facilidade. 3 camaradas da Austrália que começaram recentemente (2001), estão no segundo disco e são de certa forma super stars lá (o segundo disco ficou em número 1 na parada de lá, enquanto aqui no Brasil os tops da semana são Wanessa Camargo, Leonardo, Bruno e Marrone e Daniel - nós merecemos). O som deles é extremamente descomplicado e fácil de gostar: pop eletrônico divertido e bem tocado, com muita influência de indie rock e de synth pop dos anos 80. Ou seja, parece New Order.

Só que, esse som é simplesmente muitíssimo mais difícil de fazer do que parece. Embora soe totalmente natural, sem esforço e espontâneo, me surpreendeu a capacidade desses caras de se aproximar do que eu entendo na minha cabeça como "pop perfeito". Fácil de gostar, dançante, divertido, dá para cantar junto, para colocar numa pista à noite, e é tudo isso sem ser superficial e nem enjoativo (pelo contrário, quanto mais eu escuto mais me dá vontade de escutar - anda no repeat o dia inteiro). É mais ou menos a arte que o New Order dominou (quando eles perceberam que não eram o Joy Division) e para qualquer banda (especialmente uma de pop eletrônico) ser comparada com o New Order tem que suar MUITO. Honra, de fato.

Em alguns momentos o Cut Copy sai um pouco do eletrônico e começa a gravitar mais para o indie (mais guitarra e vocalzinho feliz). Nesses momentos tende um pouco para o genérico. Não destrói a banda mas não procure esses caras por causa de rock. Procure esses caras para ouvir música de sintetizador bem intencionada e feita por pessoas legais. Vai entrar no meu top 2008 com muita facilidade, principalmente se eu for pelo número de vezes que eu escutei. Quem sabe Wanessa Camargo e Daniel aprendam que pop pode funcionar e ser tão válido e bem feito quanto qualquer outro estilo.

Qual disco - pega o In Ghost Colours