segunda-feira, 5 de maio de 2008

Semana Trilhas Sonoras - Segunda Feira

O Corvo
Teve um período durante a minha adolescência em que eu visitava muito São João Del Rey mas, por razões pessoais, quis diminuir minhas saídas à noite na cidade. Passei muitas noites desse período num quarto na casa da minha avó, deitado no chão com as caixas de som dos dois lados da minha cabeça, virando a noite escutando música. Hoje, com a distância, vejo que foi um período chave que formou muito do meu gosto musical.Um dos discos que mais foram escutados nestas noites solitárias foi a trilha sonora do Corvo. Baseado em um quadrinho ghotic-punk, acertaram muito no primeiro filme, que teve bastante sucesso em adaptar esse clima para a tela, com ênfase igual tanto no "gótico" quanto no "punk". Para quem conhece rpg, me lembra demais o clima do jogo Wraith (do qual sou muito fã até hoje).Claro que a trilha teve que acompanhar essa onda e é bastante baseada nessa onda de gótico-deprezão-porém-agressivaço e em vez de cair nas armadilhas fáceis preferiu investir em versões interessantes.Tem The Cure (que fez a música Burn só para o filme), Jesus And Mary Chain e Violent Femmes para garantir que é deprê o suficiente; tem versões bacanas como o Nine Inch Nails fazendo cover de Joy Division (dead souls - lindaça), tem o Henry Rollins fazendo cover de Suicide, tem uma música do Rage Against The Machine que não saiu em nenhum outro disco.Tem também umas bandas de industrial obscuro que são legais tipo Machines os Loving Grace e My Life with the Thrill Kill Kult (não tem nada mais a cara do filme que industrial); e ainda tem umas porradaças (tipo Milquetoast, a melhor música do Helmet, aliás, uma das melhores músicas de metal da década de 90).Escute essa trilha se imaginando em uma cidade escuraça onde chove o tempo todo e tomada pela violência de gangs nas ruas com implantes cibernéticos.Nota: ignore as continuações do filme e suas respectivas trilhas.

Blade Runner
Todo esse papo de "cidade escura dominada por gangs cibernéticas" acima logicamente me lembrou de Blade Runner, que além de excelente (muita gente até hoje considera o único filme realmente cyberpunk apesar de muitas outras tentativas) a trilha do Blade Runner demorou 10 anos para ser lançada em sua versão completa depois do filme.A esmagadora maioria da trilha foi feita pelo Sr. Evangelos Odysseas Papathanassiou (que todo mundo conhece por Vangelis), um grego que compõe música eletrônica misturada com música clássica. As músicas do Blade Runner são quase todas tocadas em sintetizador e com um estilo bem melódico, melancólico e futurista ao mesmo tempo se tornaram tão parte do clima do filme quanto a cidade decadente.Me passa totalmente a viagem de isolamento melancólico do Deckard (personagem principal). Aliás, não escute essa trilha se você ainda não viu o filme (e se for esse o seu caso vai resolver isso né meu amigo).

Assassinos Por Natureza
Um filme que abre com uma tomada de uma estrada no deserto e com uma música do Leonard Cohen (para quem não conhece, a grande inspiração do Nick Cave) vale ser visto só por essa cena.
Um filme que tem uma cena de uma garota magrela espancando (aliás matando) um redneck enquanto toca uma música do L7 vale ser visto só por essa cena.
Um filme que tem Burn do Nine Inch Nails tocando em QUALQUER cena já vale ser visto - eu juro que eu quase chorei quando fui no show deles e começou a batida esquisita dela.
Aliás, é umas das duas trilhas que eu vou citar que foram compiladas pelo Trent Reznor, que se provou um cara que sabe fazer isso muito bem.Esse filme, assim como o Blade Runner, tem a trilha sonora muito entranhada nas cenas, as músicas fazem tanto parte do filme e são tão importantes quanto os personagens e o roteiro. E elas são absurdamente bem escolhidas - além das citadas só tem coisa muito legal tipo Patti Smith, Jane's Addiction e Lard. Pena que as músicas do Rage Against The Machine que tocam durante a revolta na prisão não entraram no cd.

Velvet Goldmine
Sendo uma viagem sobre a relação entre o Iggy Pop e o David Bowie na década de 70, e sobre toda a onda do glam rock que havia em torno deles, essa trilha não tinha como errar.Não consegui entrar muito no filme por ser muito direcionado aos gays - não sou homofóbico mas obviamente não consegui comprar a viagem do filme - e pelo jeito o David Bowie também não já que não deixou suas músicas entrarem na trilha por não gostar do roteiro. E olha que Velvet Goldmine é o nome de uma música dele.O "Iggy Pop do filme" se chama Brian Slade e sua banda se chama Venus in Furs. O Venus in Furs na vida real é formado por membros do Radiohead (Thom Yorke e Jhonny Greenwood), Suede e Roxy Music. A banda do "Iggy Pop" (Curt Wild's Wylde Ratttz) é formada por membros dos Stooges, Sonic Youth, Minutemen e Mudhoney. Ou seja, só cara foda de bandas que estão entre as minhas preferidas. E ainda tem mais coisas excelentes (Placebo, Brian Eno, Pulp, Lou Reed, Teenage Fanclub etc).Se quiser pule o filme, mas escute a trilha que acabou se tornando um excelente introdução para essa época (foda) do rock.

Matrix e Matrix Reloaded
A trilha do Matrix e do Matrix reloaded é 50% boa. Eu particularmente teria usado muito mais eletrônico/industrial (colocaria algumas coisas tipo KMFDM, Sister Machine Gun, Big Black, Front 242 etc), acho que combinaria muito melhor para o filme (aliás eu tenho mania de bolar "trilhas sonoras alternativas" na minha cabeça para os filmes que eu vejo).Essas duas trilhas tem umas coisas mega porcaria (tipo P.O.D. e Linking Park) então esteja avisado!Mas com a popularidade dos filmes algumas músicas que seriam obscuras se tornaram clássicos - tipo a Spybreak dos Propellerheads que se tornou quase a "música tema" do filme e Dragula do Rob Zombie.Em alguns momentos os produtores concordaram com a minha idéia e colocaram uns industralzão do mal tipo Ministry e Meat Beat Manifesto. Eu também gosto das músicas do Prodigy e do Rammstein que entraram.A do Matrix Reloaded tem uma das melhores música dos Deftones para mim (Lucky You) e até Team Sleep (que é um projeto paralelo dos caras do Deftones que ainda não lançou nenhum disco).Essas trilhas ficaram datadas meio rapidamente - não soam nem um pouco "modernas" como soaram na época que o filme saiu - mas tenho a impressão que farão muito sentido quando chegar 2020 e a clássica "nostalgia de duas décadas atrás" fazer os anos 2000 virarem o que os anos 80 são hoje.

Amanhã tem mais 5...

Semana Trilhas Sonoras

Desde o início do blog eu tinha uma idéia de fazer esporadicamente e no espírito do primeiro post (sem promessas ou compromissos) algumas semanas temáticas para me ajudar a revolver minha memória sobre alguns discos esquecidos.Esses temas serão completamente sem regras :-) e pensei em alguns que eu ia achar legal escrever, desde basear uma semana em determinado estilo, em sentimentos (semana música deprê por exemplo) ou qualquer outra coisa que venha à cabeça (semana discos que eu ouvia no ônibus para a PUC, semana discos bons para ouvir dirigindo na estrada à noite etc).Eu queria começar falando de minhas trilhas trilhas sonoras preferidas, em torno de uns conceitos simples, do tipo:

- estou dando preferência para trilhas que utilizam músicas licenciadas ao invés de músicas compostas para o filme;
- não estou julgando o filme de onde a trilha veio, estou o julgando o disco como disco, mas é claro que é impossível não deixar sua ligação emocional com o filme pesa no quanto você gosta da trilha;
- não estou limitado a trilhas feitas para o cinema;
- fiz uma listinha de trilhas que eu gosto que vieram à minha cabeça e acho que vou escrever sobre mais ou menos 5 por dia.

De qualquer maneira, regras existem para ser quebradas, inclusive as acima... se eu esqueci de alguma trilha legal me recomende nos comentários, de repente descubro outras.Abraços para meus amigos zumbis.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Da série WTF??? - Clássico Instantâneo

Recentemente postei sobre a parceria do Aphex Twin (dj) e o Chris Cunningham (vj), aquelas parcerias raras do tipo gênio + gênio. Aproveitando, nesse feriado me mostraram no youtube um vídeo do Chris Cunningham editando uns vídeos ao vivo acompanhando o Aphex Twin, e olha que destruidor o que ele fez com a luta do Luke Skywalker e o Darth Vader:

http://www.youtube.com/watch?v=sxchw646zs4

Da Série "Música do Cramunhão" - Demolition Style Hell American Freak


Lá para 1995 todo mundo que gosta de música mais pesada foi meio que pego de surpresa por um daqueles discos que vem do nada, espancam todo mundo e marcam para sempre. Até hoje eu de vez em quando saco gente tatuando os desenhos do encarte.

Eu já escutava desde um pouco antes. Passei um pedaço considerável da minha adolescência no prédio do Igor-Nego-Boiça onde minha turma se encontrava, ficava bêbada de Street Fighter (bebida mistureba inventada por nós) e virava a tarde ouvindo White Zombie. A onda do White Zombie (aliás nome do primeiro filme de zumbi da história) era tocar música pesada insana e surreal totalmente baseada nos interesses do pessoal da banda - sendo o número 1 filmes de terror trash, especialmente os de zumbi (que todo mundo sabe que é a produção top do cinema depois de David Lynch). O mais bacana é que eles incorporavam samplers dos diálogos e outros ruídos dos filmes em praticamente todas as músicas e hoje eu fico me divertindo identificando de qual filme de zumbi aquele diálogo veio. Como as músicas eram cheias de barulho incidental nós (o bando de bêbados) desenvolvemos naturalmente quase que coreografias para acompanhar as músicas e seus barulhos (imagina uns moleques segurando uma "air-shotgun" e dando tiro uns nos outros).

O som foi super revolucionário para a época - era metal sim, mas não era de bater a cabeça, foi uma das primeiras bandas pesadas mais interessadas em fazer você pular, ainda mais porque tinha um monte de influências de música eletrônica e hip hop - aliás foi uma das primeiras bandas de metal que eu conheci que incorporava música eletrônica, e até hoje isso não fizeram isso bem como eles. Como o Rob Zombie não sabe cantar e sabe disso, ele socava um monte de efeito cabuloso na voz que dava um resultado muito bacana, tem músicas em que parece que a voz dele é alguma coisa sobrenatural vinda do além.

Uma típica letra do White Zombie é um texto legal demais que não faz sentido nenhum:

I am the astro creep a demolishion style hell american freak
I am the crawling dead a phantom in the box shadow in your head
acid suicide freedom of the blast read the fucker lies
scratch off the broken skin tear into my heart make me do it again

foda :-)

Pena que a carreira solo do Rob Zombie começou bem e depois desandou, claramente ele começou a priorizar a carreira de diretor (dirigiu inclusive o remake do Halloween) e está pouco se fudendo para música, discos meia boca gravados em 5 minutos.

Comece por - Astro Creep 2000 (o disco do primeiro parágrafo)
Depois vá para - La Sexorcisto
Único do Rob Zombie que dá para ouvir - Hellbilly Deluxe

quinta-feira, 1 de maio de 2008

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Da série "Random Music" - It Fit Whean I Was A Kid

Já dei minha reclamada sobre a idéia clichê de "não existe música nova boa" no meu post sobre o The Knife. Nesse dia acabei me lembrando que sempre que eu escuto essa baboseira vem sempre uma banda na minha cabeça: Liars.

Eu escuto música o tempo todo. Eu escuto música praticamente o dia inteiro, todos os dias. Trabalho com ipod no ouvido e a primeira coisa que eu faço quando chego (atualmente no meu solitário hotel) é colocar mais música.Eu escuto no mínimo uns 4 discos novos por semana se eu estiver devagar; pode chegar a uns 10 se eu estiver empolgado com algumas coisas novas. Eu sou um viciado doente e devia ser internado em uma clínica.Bandas como Liars não aparecem todo dia. Dessa quantidade de discos novos que eu escuto, acho que uns 95% não resistem comigo à época em que eu estou conhecendo - no máximo umas 6 ou 7 audições. Se me perguntarem o que apareceu de novo de 2000 para cá que vai ficar para sempre no meu ipod, Liars vai estar na lista numa boa posição.

O começo deles não me interessou muito. Começaram em NY como (mais uma) banda de disco-punk, estilo que gerou uma ou outra coisa divertida (o mais famosinho é o Rapture) mas me dá certa preguiça. Os dois primeiros discos eu mal conheço.Aí os caras chutaram o balde, mudaram para Berlin (essa cidade faz alguma coisa com as pessoas, porque fica todo mundo meio doido lá?), resolveram mudar tudo e fazer música insana com o que der na cabeça, gravaram um disco inteiro e jogaram tudo fora, recomeçaram e fizeram um disco comandante do batatal.

Eles começaram a viajar na idéia de microfonar a bateria e colocar o som dela passando por um monte de efeito maluco, que normalmente é usado em guitarra. Fizeram o disco todo Drum's Not Dead explorando essa viagem, por isso é um disco muito percussivo que não tem nenhuma instrumentação convencional (as guitarras e os vocais são tão viajantes quanto, tem algumas coisas eletrônicas no meio), me lembrou inclusive um Neubauten mais moderno.Depois fizeram um disco na mesma onda só que mais rock e mais direto (chamado somente Liars) que também entrou direto na minha lista de melhores de 2007. O que me empolga no Liars é que são só 3 caras, quando eu vi eles num vídeo ao vivo me assustei em descobrir que são 3 moleques novinhos com camisa do Nirvana, são 3 caras tocando baixo, guitarra e bateria (com alguns lances eletrônicos ocasionais) que ainda conseguem provar que 50 anos depois do início do rock ainda tem como explorar só com isso.Eu sou fascinado com essa idéia: é fácil colocar um cara tocando oboé e outro tuba na sua banda de rock e falar que você está inovando. Eu quero ver o que você consegue extrair de novidade de poucos elementos simples que já foram usados até a exaustão. É um som ambíguo, muitas vezes você não sabe o que está sentindo, é meio claustrofóbico e agressivo, só que ainda assim é um pouco etéreo e viajante; o mais legal é que eles não se levam tão a sério, você vê que existe ironia e bom humor ali.

Se você tiver oportunidade de ir num show do Liars, vá, porque é rara; os caras vivem se quebrando no palco e indo parar no hospital, o negócio é selvagem.Não deixe a estranheza que você sentir no início te confundir: tem que escutar várias vezes. E lá na quinta audição cai a ficha e você descobre que esse disco vai ficar no seu ipod.

Comece por - Liars, depois vá para o Drum's Not Dead
Depois rache o bico no http://pitchfork.tv/ no programa Juan's Basement dos caras agitando tocando no porão de um cara
Não conheço bem os dois primeiros, escute ao seu próprio risco...

Deus vem no Brasil e passa em Belo Horizonte

http://glamurama.uol.com.br/notas/index.asp?mat_cod=1570

Será que ele traz a vaca de estimação dele?