Lição do dia: simplesmente ignore tudo que o jornalismo musical diz. Se depender da New Music Express nasce um novo Beatles todo semana, sempre tem algo muitíssimo relevante acontecendo, só nessa década o rock já passou por umas 4 revoluções - e o povo vai lendo e os festivais vão lotando. Dois discos depois a mesma banda é derrubada sem dó quando não tem a sorte de ser ignorada. Tem bandas que viram deuses antes do primeiro single (isso não é jeito de dizer - acontece de fato). Bom exemplo: tem anos que a Inglaterra ENDEUSA Klaxons - é a nova revolução, fundador de um novo estilo (que chamaram de New Rave para parecer algo moderninho), é a melhor banda da atualidade, se você não escuta Klaxons você é que está errado. Você já ouviu? Para mim Klaxons é, no máximo, e com muita boa vontade, legalzinho. "Legalzinho" não é bom o suficiente nem sequer para ocupar espaço no meu ipod. No fundo é um indiezinho um pouco mais eletrônico e dançante (mas nem de perto tão legal quanto as bandas que fazem isso direito, como o Hot Chip e o Cut Copy) com umas letras que tem citações ao Aleister Crowley - nada que faça muito sentido, devem ter comprado um livro e sorteado umas frases de vez em quando. Nunca teve nada de mais nem vai ter - a não ser na Inglaterra, onde acreditam nessa pregação e o show deles lota.
Aí "New Rave" (que nunca foi um "estilo" ou um "movimento" apesar das revistas forçarem a barra para você acreditar nisso) deixou de ser novidade e escolheram um bocado de bandinha meio "indie-pop-tristonha-subproduto de Interpol mas que não passa nem perto" para ser a nova "revolução do rock", são bandas que estão tocando um "novo estilo", "mudando a música", "assustando a Inglaterra com sua onda dark", "impactando o mundo" e etc. Eu digo: bleeeeergh. Que pancada de baboseira. Escolheram como grande representante desse "estilo" (que chamaram forçadamente de "new grave") o Glasvegas. Peguei o disco do Glasvegas para escutar. Não vi:
- nada de originalidade
- nada de personalidade
- nada de dark
- e nada de interessante
Nada mais é que mais uma bandinha indie nova que é igualzinha a um milhão de outras que você já ouviu, não é boa, não é marcante e nem consegui entender porque é considerada tão dark. Resumindo, uma puta perda de tempo. E 10X mais deprimente é ver a imprensa brasileira babando ovo desses caras porque deu na NME e eles simplesmente repetem.
Escutei Glasvegas até a quarta música e troquei para Public Enemy só para escutar o crássico "don't believe the hype". Bem que poderia ter algo tipo Public Enemy hoje.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008
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