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terça-feira, 29 de julho de 2008

Super Grupos (2) - Por que temos que viver em tanta dor todo dia


Entre as bandas que foram tão escutadas na minha adolescência que se entranharam no meu DNA de um jeito que não sai mais (tatuagem nos genes), se eu me basear no número de vezes em que eu ouvi, Alice In Chains tem uma grande chance de peitar Ramones, Nine Inch Nails, Radiohead e outros hits do meu som dessa época. Escutava diariamente e até hoje te desafio a me mostrar qualquer música deles que eu não sei a letra de cabeça. E é alta a possibilidade de eu também saber tocar ela na guitarra. Escuto pouco hoje (não que eu não goste mas a obra deles foi curta e já foi mais que absorvida tem muito tempo), mas um lembrete foi um dia em que, dirigindo na estrada e escutando o ipod no shuffle, começou uma música tão densa, climática e simplesmente magnética que eu cheguei a assustar até reconhecer que era uma música da carreira solo do guitarrista deles. O negócio era poderoso.

Em 1994 um projeto atraiu um grande interesse inicial e quando foi percebido que não era uma banda óbvia prontinha para rádio e igualzinho as anteriores ficou meio esquecido. Exceto por quem gosta de música boa. Mad Season foi formado pelo guitarrista do Pearl Jam (Mike Mc Cready) que, numa clínica de reabilitação conheceu o baixista John Baker e chamou o baterista dos Screaming Trees (Barret Martin) e o seu amigo Layne Staley, vocalista do Alice In Chains, para fechar. O que você tem que entender sobre Mad Season é o momento: provenientes de bandas que estavam no auge (tanto artístico quanto comercial), e ao mesmo tempo com a vida pessoal esmagada (drogas principalmente), todos os envolvidos - o baixista e o Layne Staley morreram pouco mais tarde, os dois de overdose - atravessavam um período difícil e confuso, onde havia o agravante que o mundo estava prestando atenção neles. Já vi os membros da banda dizerem que estavam numa viagem de fazer música espiritual, que tenha significado profundo para as pessoas, e de quererem experimentar o que não encaixava nas outras bandas.

Então a música do Mad Season é a reflexão de tudo isso: espiritual, lenta e contemplativa, bonita de um jeito muito triste, o disco é super melancólico e por vezes pesado. Não se parece em nada com Pearl Jam, Alice In Chains ou Screaming Tress. Tem música feita por improviso na hora, tem música que leva saxofone (de uma maneira NÃO BARANGA por milagre), tem música instrumental, tem música triste de fazer chorar. O clima do disco é bem resumido numa frase de River Of Deceit, que foi a única música que ficou um pouco conhecida: my pain is self chosen.

Pouco conhecido, pouco lembrado, só fez um disco (Above) pouco falado. Mas toda vez que eu sento com uma guitarra já reparei que sem perceber em algum momento sai uma música deles. Não posso lutar contra meu DNA.

Eu não sei de nada

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Super Grupos

Eu normalmente detesto super grupos. A idéia é toda errada e quase sempre gera um som altamente desinteressante. Esse conceito de "dream team" - vamos colocar o guitarrista dessa banda com o vocalista daquela com o baterista daquela outra, normalmente todos "destaques" em sua respectiva área - quase sempre geram, ao contrário da expectativa, música meia boca.

As razões são claras para mim. Eu enxergo duas abordagens nestes super grupos da vida. Uma é a abordagem "profissional", que significa uma banda formada de uma maneira super racional, pessoas conversando numa mesa de reunião e planejando cada passo, mais provavelmente cada um com seu empresário do lado, tomando um cafezinho e assinando dois quilos de papel antes de tocar uma nota juntos. Nada mais anti música. Nasce disso uma música calculada e fria que tem um propósito: promover as carreiras dos envolvidos chamando atenção. E você escuta claramente a disputa por espaço, a disputa por destaque, as regrinhas do tipo "todo mundo tem que aparecer igual". Tirando que normalmente essas pessoas vão guardar seu melhor material para sua respectiva banda.

Horroroso. Na MELHOR das hipóteses, de você der muita sorte, vai soar EXATAMENTE como você esperava, tipo um mashup das bandas envolvidas (o som de guitarra da banda X com o vocal da banda Y, inovação zero).

Exemplos:
Traveling Wilburys - juntou George Harrison, Jeff Lynne, Roy Orbison, Tom Petty and Bob Dylan. Só cara foda. Não consegui chegar na quarta música do disco.

Audioslave
- adoro Rage Against The Machine, adoro Soundgarden, e Audioslave foi horrível porque soava nem um centímetro diferente de um arranjo do Rage com vocais do Soundgarden, tirando o fato de que é um mashup das duas bandas congeladas no tempo, sem nenhuma evolução, sem nenhuma experimentação de coisas novas, só repetindo o que fizeram no passado. Decepcionante artistas que eu admiro se entregarem de corpo e alma ao objetivo de tocar na FM.

Velvet Revolver - gosto de Stone Temple Pilots, não gosto de Guns And Roses, tinha alguma experança que o Scott conseguiria extrair algo bom daqueles caras, e descobri que sou um ingênuo. FM let's go!

Lard - mais um exemplo de banda que soma exatamente como um mashup, no caso arranjos do Ministry com vocais dos Dead Kennedys. Como se tratam de duas das bandas que eu mais gosto até consigo ouvir Lard, mas que não chega aos pés das bandas que o originaram é fato.

A outra abordagem, bem mais rara, é tratar o seu "supergrupo" como mais uma banda, tentar entender que tipo de som pode nascer da combinação desses caras e não da combinação das suas bandas anteriores. Bem mais raro mas acontece.

Broken Social Scene - total supergrupo indie do Canadá, e totalmente excepcional. Ainda vou postar sobre eles.

Mad Season - vocalista do Alice In Chains + guitarrista do Pearl Jam + batera do Screaming Trees e faz um som totalmente único (sem contar que é diferente de todas essas bandas) e é maravilhoso. Posto sobre eles talvez amanhã mesmo.

The Good, The Bad And The Queen - vocalista do Blur + baixista do The Clash + guitarrista do The Verve, mais um experimento que banda, mas deu certo.

Se eu mandasse em alguma coisa ia criar algo absurdo tipo colocar o Thom Yorke tocando com o Max Cavalera num projeto de Post Harcore com os caras do Fugazi fazendo os arranjos junto com o Nick Cave no piano e o Aphex Twin programando as batidas. E ia ficar horrível. :-)