Lembram do "assasinato satanista" em Ouro Preto de uma garota cometido por depravados jogadores do JOGO DO MAL (RPG)?
Lembram o quanto impactou a imagem de uma coisa que ninguém sabe o que é direito e que muitas vezes usa uma temática sinistra (já que usa todas as temáticas, assim como todas as outras mídias)?
Quis saber o que deu desse caso, olha só (retirado de http://maedequem.blogspot.com/2005/11/rpg-inocentado.html):
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OURO PRETO
No dia 10 de outubro de 2001, Aline Silveira Soares viajou do Espírito Santo com sua prima e alguns colegas para Ouro Preto para participar da "Festa do Doze", que é uma espécie de Carnaval fora de hora entre as faculdades da região, com R$40,00 e a roupa do corpo para passar três dias.
Segundo o laudo, Aline consumiu drogas durante o dia anterior ao de sua morte. Esta informação foi confirmada por diversas testemunhas que também participavam da festa, em Ouro Preto (testemunhas que foram solenemente ignoradas pelo delegado Adauto Corrêa após as investigações tomarem o rumo circence). Aline não tinha dinheiro e acreditou que conseguiria fugir do traficante sem pagar pela droga que consumiu, mas no dia de sua morte (14 de Outubro de 2001), foi abordada pelo criminoso no caminho de volta para a república onde estava hospedada (o cemitério fica exatamente no meio do trajeto entre o local da festa e a república). Testemunhas (que também foram ignoradas no inquérito oficial) disseram ter visto Aline conversar com um conhecido traficante da cidade na porta do cemitério algumas horas antes de sua morte.
De acordo com especialistas em crimes relacionados a drogas, Aline provavelmente teria se oferecido para ter relações sexuais com o traficante para pagar a dívida, pois as roupas da garota foram encontradas "cuidadosamente dobradas e dispostas ao lado do local do crime, sem nenhum indício de violência ou de coerção". Aline tomou o cuidado de deixar suas sobre uma das lápides, dobradas com a jaqueta por baixo, para que não sujassem.
Ainda segundo o laudo oficial da perícia técnica, durante a primeira facada que Aline recebeu, o corpo estava na posição acocorada, popularmente conhecida como "de quatro". Segundo especialistas em crimes de estupro, o traficante provavelmente teria tentado obrigar Aline a realizar sexo anal, que possivelmente foi rejeitado pela garota, resultando no primeiro golpe com a faca. O traficante, tendo ferido Aline seriamente, não viu alternativa a não ser terminar de matá-la. Para disfarçar, o assassino colocou o corpo de Aline em posição deitada sobre a lápide (pelas fotos da perícia e rastros de sangue, pode-se atestar que o corpo foi movido APÓS a sua morte) para tentar atrapalhar as investigações.
Quando o corpo foi encontrado, os policiais começaram as investigações pelos locais em que Aline se hospedou e em uma das repúblicas foram encontrados alguns livros de RPG, que o delegado, evangélico confesso, classificou como "material satanista". A partir disto, um vereador oportunista chamado Bentinho Duarte (sem partido) viu nisso uma chance de se promover realizando terrorismo psicológico e, junto com o Promotor Fernando Martins (conhecido por ter tentado proibir a distribuições de jogos como Duke Nuken e Carmagedon), moveu ação contra as empresas Devir Livraria e Daemon editora tentando a proibição de 3 títulos (Vampiro: a Máscara, Gurps Illuminati e Demônios: a Divina Comédia).
Resumindo: um crime que não teve nada a ver com RPG, mas sim com DÍVIDA DE DROGAS resultou até agora na prisão de 4 garotos injustamente (que NÃO são jogadores de RPG, fato comprovado pela mãe da vítima em depoimento ao vivo na rede Bandeirantes de TV) e um completo show de aberrações e absurdos na mídia.
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Me impressiona como oportunistas óbvios como esses conseguem uma posição política de destaque na terceira maior capital do país. Realmente moramos na África. São os mesmos caras que tem a mão na proibição de vários jogos no Brasil e até na proibição de menores de fazer tatuagem mesmo com a aprovação dos pais. Esse Betinho Duarte já foi prefeito de Belo Horizonte na ausência do prefeito e do vice e numa dessa até subiu num prédio para arrancar um "outdoor imoral".
Não vou entrar no mérito se criança deveria jogar GTA - eu acho que criança tem que conversar com os pais e entender o que está fazendo, e criança vai jogar se quiser de qualquer jeito, melhor que seja dentro da minha casa e na minha vista onde eu posso contextualizar e explicar para ela. Se quiser colocar classificação etária nos jogos, beleza. Se quiser proibir a venda de alguns para menores, whatever.
Mas eu não sou criança. Sou adulto, e quero jogar Bully. Sou proibido. Isso tem um só nome - censura - e só é tolerada porque é em uma mídia que os velinhos que estão no governo ainda não entenderam que não é mais "coisa de criança". Se um evangélico tivesse proibido um filme de passar no Brasil, mesmo um doentio como Hostel (que você aluga em qualquer locadora) isso estaria sendo questionado em tudo quanto é lugar.
E argumentar que permitindo uma criança pode acabar pegando e jogando, então vamos também proibir cigarro, bebida, pornografia, filmes com qualquer temática ou imagens pesadas, etc, etc. Se dependesse de pessoas limitadas como essas (que, de novo, não acredito que conseguem chegar tão longe, mas conseguem) isso já tinha acontecido.
Pode achar que é bobo reclamar de não poder jogar um joguinho de videogame, mas aceitar esse tipo de coisa abre portas perigosas - o próximo passo pode ser um livro que não é interessante que você leia.
Outra - não quero entrar no mérito do que é "apropriado" para criança ou não, porque isso é outra discussão. Só quero acrescentar que cresci vendo todos os filmes de terror que eu consegui, jogando videogame (de preferência os mais sangrentos), jogando rpg (de preferência os mais sinistros), escutando metal/punk/eletrônico e outras "músicas do demônio", brincando de metralhadora e não sou adorador do demônio, não sou junky, não atropelo velinhas com meu carro e simplesmente nunca entrei em uma briga na minha vida.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Da Série Random Music - She knows just where the knife is

Provavelmente o motivo principal é eu estar ficando velho, mas cada ano que passa percebo que entre os discos que eu mais gostei estão cada vez mais novos lançamentos de bandas que eu já escutava e cada vez menos bandas realmente novas.
Vou comentar pela milésima vez aqui que eu sou muito contra o sentimento bobo de "no meu tempo que era bom", mas acho que os estilos de música que eu gosto não estão em uma fase particularmente criativa. Mas rola umas boas exceções, por exemplo a banda que salvou 2007 para mim foram os Horrors.
The Horrors são ingleses obcecados com rock sujão e velhão (tipo bandas bem garagem da década de 60/70), tem muito toque de punk mas é mais Birthday Party (a banda psicopata onde o Nick Cave começou), usam também um pouco de rockabilly (bem sujo), e como estamos em 2008 algumas coisas - apesar de não utilizarem eletrônico - soam sem dúvida modernas.
Acho que expliquei de um jeito complicado uma banda que tem um som simples. Imagina uns moleques novos que viciaram em colecionar vinis velhos e obscuros e arranhados de alguns artistas antigos que eram mei que bizarros e faziam "punk" numa época que punk ainda não existia. É mais ou menos esse o espírito - por isso que o disco abre com um cover de Screaming Lord Sutch, que é um doidão obscuro da década de 60 viciado em terror, se vestia como o Jack o Estripador e dava um show de rock com elementos sinistros bem antes do Alice Cooper.
Aliás, os Horros também são viciados em temática que tem a ver com filmes de terror baratos e se vestem como zumbis - mais ou menos como os Misfits só que mais psycho e menos brincalhão. Já citei o gênio Chris Cunningham neste blog - ele foi um dos fatores no sucesso da banda porque achou a música Sheena Is a Parasite no MySpace (com certeza uma brincadeira com Sheena is a Punk Rocker dos Ramones) e fez um clipe de baixo orçamento para ela muitíssimo mais bacana que a maioria dos clipes caríssimos que já foram feitos - ASSISTE ISSO POR FAVOR.
O show deles parece ser destruidor porque eles são meio que doentes mesmo. Imagina uns caras vestidos de criaturas de algum filme B antigo tocando rock sujo inspirado em coisas obscuras de dia numa praia no meio de um monte de surfista e o vocalista descendo do palco e tendo uma espécie de ataque epilético no meio deles enquanto o público olha parado sem entender nada. Tem isso no YouTube (a música é Count In Fives acho).
Esse é o tipo de banda que empolga as outras pessoas a fazerem outras bandas - fizeram muito com pouco, não estão nem aí para finesse e destroem 99% do que passa por "rock" hoje ou em qualquer época. E além do mais eles gostam de filmes de zumbi que prova que eles estão no caminho certo.
Comece por - só tem um disco até aqui (Strange House), ansiosamente aguardando o próximo para esse ano
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Vamos consumir!
DVD com todos os clipes.
Sou irracional quando se trata de Radiohead. Já comprei. Esperando chegar. Wooohoow.
Sou irracional quando se trata de Radiohead. Já comprei. Esperando chegar. Wooohoow.
Da Série Random Music - We came here to rock the microphone

Sabe quando você é criança e tem umas idéias geniais tipo "quando eu crescer vou ser desenhista e vou escrever a melhor história do mundo que é a que o He-Man e o Superhomem se juntam contra o Satan Goss e são ajudados pelos Thundercats"?
Um inglês chamado Ian Parton teve uma idéia parecida no plano musical, e decidiu fazer uma banda juntando "tudo que eu gosto". E o que ele gosta é Sonic Youth, música de séries de ação da década de 80 (tipo Esquadrão Classe A!), aqueles gritinhos de cheerleader, hip hop velhão e funk.
Tacou tudo isso junto (tocando quase todos os instrumentos e misturando com samplers de tudo quanto é coisa) e gravou (toscamente) um disco na cozinha da sua mãe.
Isso foi em 2004. No mesmo ano já estava abrindo para o Franz Ferdinand e em 2005 já estava sendo indicado para o Mercury Prize.
A banda do Ian se chaam The Go! Team e é um dos sons mais divertidos e inescrupulosos que eu conheço. De início você vai estranhar o tanto que é lo-fi e a produção é tosca, mas a mistura insana que gera música feliz, animada, dançante, energética e ao o tempo todo absurda vai te fazer empolgar.
Imagine a trilha sonora de perseguição de carro que toca em umas série tipo Magnum ou Miami Vice (com as cornetinhas e tudo) acompanhada de guitarras estranhas tipo as do Sonic Youth ou do Fugazi e uma cheerleader maluca gritando por cima umas coisas tipo "you got it - we got it everywhere - O!k!". Tudo meio tosco mas parece que quem está tocando isso está se divertindo tanto que mesmo se você for alguém que não bebe vai abrir uma cerveja e começar a virar.
Dizem que ao vivo é destruidor e bem diferente do disco - são seis pessoas e não tem os samplers, e as versões são todas retrabalhadas porque a banda tem espaço para improvisar, inclusive nas letras. A vocalista Ninja (heheheh é sério) diz que a missão dela é fazer "o cara altão que fica encostado no canto com cara de você não vai conseguir me fazer dançar pirar até o fim do show". E diz que sempre consegue.
Eu acredito.
Começo por qual - só tem dois discos por hora, escuta o Thunder Lightning Strike primeiro
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Da Série WTF?? - Jogo Divertido
Não fui eu que bolei, vi isso em outro site!
Você vai em http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random e o nome do artigo será o nome da sua banda.
Você vai em http://www.quotationspage.com/random.php3 e as 4 últimas palavras da última frase são o nome do seu single.
Você vai em http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/
e a terceira foto é a foto da capa.
Não é que ficou legal mesmo? :-D olha o single da minha nova banda (deve ser punk, pelo nome):
Você vai em http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random e o nome do artigo será o nome da sua banda.
Você vai em http://www.quotationspage.com/random.php3 e as 4 últimas palavras da última frase são o nome do seu single.
Você vai em http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/
e a terceira foto é a foto da capa.
Não é que ficou legal mesmo? :-D olha o single da minha nova banda (deve ser punk, pelo nome):
Elric de Melnibone

Essa semana terminei de ler a adaptação para quadrinhos da saga de Elric de Melnibone, que foi escrita por Michael Moorcock a partir de 1961, e saí interessadíssimo em ler os livros.
Ele foi criado como anti-arquétipo do Conan. Enquanto o Conan é um mulão moreno e bárbaro tosco odiador de magia, Elric é um franzino albino imperador de um país em ruínas e ele mesmo um feiticeiro.
Um dos responsáveis pela popularização do gênero dark fantasy (como o próprio Conan, aliás gênero que eu acho muito bacana) Elric poderia ser mais uma história de fantasia genérica - que aliás estão muito em voga desde o sucesso do Senhor dos Anéis - se não fosse tão bem escrito e tivesse personagens tão fortes.
Como portador de um destino que não queria (eu sei que essa parte é clichê) o personagem é interessante porque vai para qualquer extremo para cumprir suas tarefas. Ele carrega uma espada que possui vontade própria e que suga a alma daqueles que mata, que alimentam a vitalidade do fraco Elric - que não consegue controlar ela completamente e muitas vezes durante a história acaba matando vários de seus amigos sem querer por isso.
A história tem uma inclinações filosóficas legais e uma mitologia bastante trabalhada. A maioria dos eventos vêm da guerra entre as entidades da lei e do caos que não exercem influência sutil sobre o mundo: exercem uma influência brutal, ao ponto das terras que são dominadas por governantes atrelados ao caos se distorcerem e provocarem mutações em qualquer um que chega perto. O próprio Elric tem um demônio patrono (Arioch) e apesar de inclinar para a lei é no fundo considerado uma criatura do caos. Outra coisa que eu gostei demais foi a coragem da história de ser bem deprê sem dó nenhuma. Rola momentos que chegam a ser tocantes como o encontro com o "gigante triste" (que é um Deus que foi rebaixado a mortal) e quando descobrimos o destino da esposa dele. Aliás, o final da história é bem deprê e um dos melhores finais que eu já vi.
Apesar de toda a onda, não teve nada que chegasse perto depois do Senhor dos Anéis (no gênero fantasia) no cinema. Elric seria ótimo candidato (apesar que periga não ser feito por ter um personagem principal muito dark e seguidor de demônios). Fica a recomendação de qualquer maneira.
Nota: quem conhece rpg talve não saiba que a White Wolf - o melhor estúdio na minha opinião - recebeu esse nome por ser o apelido do Elric.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Da Série Random Music - Rosa da Vitória
O que um franzino islandês, cego de um olho, fã de metal, assumidamente gay que grava dentro de uma piscina e canta em uma língua inventada por ele mesmo faz quando grava um disco?Faz uma banda que é ouvida em todo mundo (já tocou inclusive no Brasil), vive sendo citada pelos seus fãs - já vi Radiohead, Tom Cruise e Brad Pit falar deles em entrevistas - e faz música que é épica, bonita, inspiradora e consegue ser uma espécie de música instrumental com vocais.
Sigur Rós (que significa algo como "Rosa da Vitória") começou no fim da década de 90 na Islândia tocando o que hoje se chama de Post Rock - instrumentação de rock usada de uma maneira não rock, frequentemente bem viajante e abstrata - e encaixa no rótulo, porém faz um "abstrato" sem ênfase na cabeça e com bastante foco no seu coraçãozinho ;-).
A maioria das músicas são em Islandês ou "hopelandic" - a língua inventada por eles que não significa nada - o que na prática significa que o vocal é usado como mais um instrumento, você viaja na sonoridade sem se preocupar com uma mensagem. Não significa que Sigur Rós não passa nada - a resposta emocional para a música deles é quase que automática e muito intensa, conheço música do Sigur Rós que sempre que toca faz todo mundo entrar num silêncio contemplativo na mesma hora.
Isso sem falar no lado épico: uma típica música do Sigur Rós é lenta, grandona e vai crescendo absurdamente até começar a, sei lá, incomodar Deus lá em cima. Faça uma experiência legal um dia e coloque um disco do Sigur Rós bem alto no seu quarto e escute deitado no escuro - te garanto que você vai acordar em outro plano de existência ou então te dou seu dinheiro de volta. Se vocês está pensando "é mais uma das bandas malucas experimentais que o Leandro gosta" - nem tanto, não é música convencional (você já viu alguém tocar baixo com arco de violino??) mas não é inacessível de jeito nenhum, é tão bonito que rompe esses tipos de barreiras.
Sigur Rós enche a sua cabeça de imagens - de certa forma é "música cinematográfica" no sentido que é aquilo que falam de música instrumental muito expressiva: é a trilha sonora de filmes que não existem.
Esse post foi em homenagem ao bonito Með suð í eyrum við spilum endalaust ("com zumbidos nos ouvidos nós tocamos sem fim"), disco novo deles que saiu hoje.
Comece por - () (disco que as músicas não tem nome, todas as letras são em hopelandic e tem um espaço no cd para o ouvinte escrever as letras que ele decidiu que o disco tinha que ter)
Depois vá para - Ágætis byrjun
Não comece por - Takk (mais excêntrico, deixa esse para depois)
Mais pop/menos épico - este novo (Með suð í eyrum við spilum endalaust), ainda estou absorvendo mas me parece que vou gostar muito
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