quinta-feira, 31 de julho de 2008

Da Série Playlist - O quê NÃO anda queimando a bateria do meu Ipod porque ele foi pro saco (1/2)

The Hold Steady - Stay Positive
Lado Bão: um dos melhores discos de 2008 fácil, vai estar no top 5 com certeza e se não fosse o do Portishead perigava pegar o primeiro lugar na minha opinião. Rock estilo classicão (a banda foi formada por amigos que gostavam de The Band, a banda do Bob Dylan na década de 70 - piano, gaita, solo de guitarra, virada de bateria, ROCK) que milagrosamente faz esse estilo de maneira RELEVANTE e INTERESSANTE em 2008. Vocal bem estilo "bebi e fumei muito a vida toda e já vi de tudo acontecer" e letras excelentes do estilo "contador de histórias", a maioria histórias meio que marginais da vida. ESCUTA AGORA!!!
Lado Ruim: A única coisa que consigo achar ruim é que é o quarto disco deles e só conheci agora.
Gostei: entrou na minha lista de bandas preferidas. E isso cada vez acontece menos.

Air France - No Way Down
Lado Bão: é um eletrônico MUITO classudo e bem feito, mais para o lado lounge mas meio que "quente", me lembra em alguns momentos Massive Attack mas sem o lado sinistro, excelente para trabalhar inclusive. Música eletrônica de relaxar numa cadeira de praia bebendo um drink (nem lembro quando foi a última vez na vida que eu pude fazer isso).
Lado Ruim: é curto (EP).
Gostei: não ando numa fase muito eletrônica, então estar ouvindo qualquer eletrônico direto agora é bom indicador para eles.



Black Kids - Party Traumatic
Lado Bão: Parece um pouco com Hot Hot Heat, e eu gosto de Hot Hot Heat...
Lado Ruim: ...só que é um Hot Hot Heat piorado e com bem menos energia e carisma.
Gostei: Não. Mais uma banda para a pilha de rockinhos novos sem muita novidade. Don't believe the hype.






The Gossip - Standin In The Way Of Control
Lado Bão: a figura da Beth Ditto (uma gordinha de 100 kg punk e lésbica e boca suja) é menos tabloideira e mais interessante que eu imaginava, o vocal dela é FODA e o som da banda é um blues sujão com influência de punk e de rock moderno que eu achava mais ou menos mas depois de ouvir o disco direito me agradou mais que eu imaginava. O disco está me fazendo voltar a ele. Boas letras também.
Lado Ruim: no fundo não é tão inovador assim, se desenvolver um pouco mais a personalidade deles pode sair algo muito bom ainda. Tem promessa, vamos ver se cumpre.
Gostei: até que sim, mais que eu imaginava inclusive.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Super Grupos (3) - Cena Social Quebrada


Ser popular é legal. Quando dois músicos de Toronto (Kevin Drew e Brendan Canning) se juntaram para gravar um disco de post-rock bem viajeira e calminho, praticamente todo instrumental, escolheram vai saber porque um nome de banda totalmente punk (Broken Social Scene). Esse disco (Feel Good Lost) foi fonte de orgulho (porque era bom) e frustração (porque eles não conseguiam fazer show ao vivo com suas músicas que eles considerassem interessantes). Então começaram a chamar a moçada - e a moçada deles são membros de bandas fodásticas do Canadá - para colocar um vocal aqui, um instrumento a mais ali, para ir crescendo e preenchendo e viajando mais ainda a banda ao vivo. É tipo um "vamos fazer uma banda" de criança onde TODOS os seus amigos tem que entrar (se seus amigos não forem um banda de tosco e de fato souberem tocar).

Acharam tão legal que socaram todo mundo para gravar o segundo disco. Resultado: Broken Social Scene virou uma banda de 19 (!?!?!) negos; se tornou uma espécie de "super grupo indie" do Canadá; fez um disco mega destruidor (You Forgot It In People, com certeza um dos destaques dos anos 2000); e provou que super grupo não tem que ser necessariamente ruim. O som ficou classificado junto com outros "pop barrocos", que é aquele pop bem emocional e bem feito que normalmente inclui até a pia da cozinha (guitarra, baixo, batera, piano, violino, percussão, sua mãe cantando etc) e que hoje para mim é uma das correntes que mais está gerando bandas indies boas - Arcade Fire e Decemberists por exemplo. O show deles é sempre com a formação que deu para juntar na hora.

Para refletir essa pancada de influência, o som deles acabou bastante variado, e vai de baladonas de piano (lindas) até (quase) tocar no punk de fato - nada muito pesado mas bem feito e com intensidade, e, surpreendentemente coeso - na verdade do ponto de vista de composição (entenda "fazer música boa") é tranquilamente uma das bandas mais sólidas da atualidade. Sentimental sem ser emo, tranquilinho sem ser pop, intenso sem ser pesadão, e sempre usando sonoridade interessante e coisas bem tocadas - mas sem virtuosismo chato nenhum. E gostar de Broken Social Scene acaba te levando a ouvir outras coisas interessantes - desde as carreiras solo que quase todo mundo da banda tem (a da Feist é até mais conhecida que eles próprios) até as bandas paralelas (tipo Do make Say Think). Eu imagino You Forgot In People como um daqueles discos que tem potencial para "ligar" alguém que ainda conhece pouco de vez em música alternativa.

Gostei da idéia. Quem quiser fazer um super grupo de 19 membros me contata e desde que você toque qualquer coisa que não triângulo (instrumento mais picareta da história) ou flauta (flauta devia ser proibido).

Comece por - You Forgot It In People
E depois que eu enjoar - escute o disco Broken Social Scene
E o primeiro? - Legal mas não tem muito a ver

terça-feira, 29 de julho de 2008

Super Grupos (2) - Por que temos que viver em tanta dor todo dia


Entre as bandas que foram tão escutadas na minha adolescência que se entranharam no meu DNA de um jeito que não sai mais (tatuagem nos genes), se eu me basear no número de vezes em que eu ouvi, Alice In Chains tem uma grande chance de peitar Ramones, Nine Inch Nails, Radiohead e outros hits do meu som dessa época. Escutava diariamente e até hoje te desafio a me mostrar qualquer música deles que eu não sei a letra de cabeça. E é alta a possibilidade de eu também saber tocar ela na guitarra. Escuto pouco hoje (não que eu não goste mas a obra deles foi curta e já foi mais que absorvida tem muito tempo), mas um lembrete foi um dia em que, dirigindo na estrada e escutando o ipod no shuffle, começou uma música tão densa, climática e simplesmente magnética que eu cheguei a assustar até reconhecer que era uma música da carreira solo do guitarrista deles. O negócio era poderoso.

Em 1994 um projeto atraiu um grande interesse inicial e quando foi percebido que não era uma banda óbvia prontinha para rádio e igualzinho as anteriores ficou meio esquecido. Exceto por quem gosta de música boa. Mad Season foi formado pelo guitarrista do Pearl Jam (Mike Mc Cready) que, numa clínica de reabilitação conheceu o baixista John Baker e chamou o baterista dos Screaming Trees (Barret Martin) e o seu amigo Layne Staley, vocalista do Alice In Chains, para fechar. O que você tem que entender sobre Mad Season é o momento: provenientes de bandas que estavam no auge (tanto artístico quanto comercial), e ao mesmo tempo com a vida pessoal esmagada (drogas principalmente), todos os envolvidos - o baixista e o Layne Staley morreram pouco mais tarde, os dois de overdose - atravessavam um período difícil e confuso, onde havia o agravante que o mundo estava prestando atenção neles. Já vi os membros da banda dizerem que estavam numa viagem de fazer música espiritual, que tenha significado profundo para as pessoas, e de quererem experimentar o que não encaixava nas outras bandas.

Então a música do Mad Season é a reflexão de tudo isso: espiritual, lenta e contemplativa, bonita de um jeito muito triste, o disco é super melancólico e por vezes pesado. Não se parece em nada com Pearl Jam, Alice In Chains ou Screaming Tress. Tem música feita por improviso na hora, tem música que leva saxofone (de uma maneira NÃO BARANGA por milagre), tem música instrumental, tem música triste de fazer chorar. O clima do disco é bem resumido numa frase de River Of Deceit, que foi a única música que ficou um pouco conhecida: my pain is self chosen.

Pouco conhecido, pouco lembrado, só fez um disco (Above) pouco falado. Mas toda vez que eu sento com uma guitarra já reparei que sem perceber em algum momento sai uma música deles. Não posso lutar contra meu DNA.

Eu não sei de nada

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Super Grupos

Eu normalmente detesto super grupos. A idéia é toda errada e quase sempre gera um som altamente desinteressante. Esse conceito de "dream team" - vamos colocar o guitarrista dessa banda com o vocalista daquela com o baterista daquela outra, normalmente todos "destaques" em sua respectiva área - quase sempre geram, ao contrário da expectativa, música meia boca.

As razões são claras para mim. Eu enxergo duas abordagens nestes super grupos da vida. Uma é a abordagem "profissional", que significa uma banda formada de uma maneira super racional, pessoas conversando numa mesa de reunião e planejando cada passo, mais provavelmente cada um com seu empresário do lado, tomando um cafezinho e assinando dois quilos de papel antes de tocar uma nota juntos. Nada mais anti música. Nasce disso uma música calculada e fria que tem um propósito: promover as carreiras dos envolvidos chamando atenção. E você escuta claramente a disputa por espaço, a disputa por destaque, as regrinhas do tipo "todo mundo tem que aparecer igual". Tirando que normalmente essas pessoas vão guardar seu melhor material para sua respectiva banda.

Horroroso. Na MELHOR das hipóteses, de você der muita sorte, vai soar EXATAMENTE como você esperava, tipo um mashup das bandas envolvidas (o som de guitarra da banda X com o vocal da banda Y, inovação zero).

Exemplos:
Traveling Wilburys - juntou George Harrison, Jeff Lynne, Roy Orbison, Tom Petty and Bob Dylan. Só cara foda. Não consegui chegar na quarta música do disco.

Audioslave
- adoro Rage Against The Machine, adoro Soundgarden, e Audioslave foi horrível porque soava nem um centímetro diferente de um arranjo do Rage com vocais do Soundgarden, tirando o fato de que é um mashup das duas bandas congeladas no tempo, sem nenhuma evolução, sem nenhuma experimentação de coisas novas, só repetindo o que fizeram no passado. Decepcionante artistas que eu admiro se entregarem de corpo e alma ao objetivo de tocar na FM.

Velvet Revolver - gosto de Stone Temple Pilots, não gosto de Guns And Roses, tinha alguma experança que o Scott conseguiria extrair algo bom daqueles caras, e descobri que sou um ingênuo. FM let's go!

Lard - mais um exemplo de banda que soma exatamente como um mashup, no caso arranjos do Ministry com vocais dos Dead Kennedys. Como se tratam de duas das bandas que eu mais gosto até consigo ouvir Lard, mas que não chega aos pés das bandas que o originaram é fato.

A outra abordagem, bem mais rara, é tratar o seu "supergrupo" como mais uma banda, tentar entender que tipo de som pode nascer da combinação desses caras e não da combinação das suas bandas anteriores. Bem mais raro mas acontece.

Broken Social Scene - total supergrupo indie do Canadá, e totalmente excepcional. Ainda vou postar sobre eles.

Mad Season - vocalista do Alice In Chains + guitarrista do Pearl Jam + batera do Screaming Trees e faz um som totalmente único (sem contar que é diferente de todas essas bandas) e é maravilhoso. Posto sobre eles talvez amanhã mesmo.

The Good, The Bad And The Queen - vocalista do Blur + baixista do The Clash + guitarrista do The Verve, mais um experimento que banda, mas deu certo.

Se eu mandasse em alguma coisa ia criar algo absurdo tipo colocar o Thom Yorke tocando com o Max Cavalera num projeto de Post Harcore com os caras do Fugazi fazendo os arranjos junto com o Nick Cave no piano e o Aphex Twin programando as batidas. E ia ficar horrível. :-)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Da Série Random Music - I Wanna Die Just Like Jesus Christ

Meio da década de 80. Dois irmão viciados em heroína, marginais até o osso, brigam com todo mundo, brigam com as outras bandas, brigam entre si no palco (briga de porrada), brigam com a platéia. Sobem no palco, fazem shows de 10 minutos (de costas para o público) e vão embora. Metade desses shows terminam em quebra quebra. Já foram expulsos do prédio da gravadora por arrumarem confusão lá. Depois gravam um primeiro disco em que a microfonia (aquele barulhão agudo e irritante de interferência quando você coloca o captador da sua guitarra de cara com o amplificador) é o instrumento principal. E praticamente o único instrumento do show ao vivo.

Nada disso teria importância nenhuma se este disco (Psychocandy) não tivesse mudado a música da sua época, se estes shows de 10 minutos não tivessem virado lendários, e se esses dois doentes não fizessem música excepcional. Se você gosta de rock mderno escuta muito deles em muitas bandas sem perceber. Uma das bandas que sedimentou o estilo shoegazer (olhador de sapato ehheheeheh), que recebeu esse nome porque todas as bandas eram formadas por um pessoal descabelado meio com cara de gótico que só tocava olhando para baixo, o Jesus And Mary Chain parece brutal no papel, mas o mais interessante deles é que as músicas são uma torrente caótica de barulho até quando você consegue decifrar o que está por baixo - pop. Pop??!?!? POP!! E pop bonitinho!!!

No segundo disco (Darklands, que eu adoro) eles fizeram o contrário do Psychocandy: músicas sóbrias, bonitonas, letras lindas, um clima meio deprê (não "deprê vou me matar", mais tipo clima de ressaca - aliás um amigo meu classificava eles muito bem como a melhor banda para se ouvir de ressaca do mundo) e conseguiram ser tão bons quanto o primeiro. A partir daí "ganharam o direito" de fazer o que quiserem, já que provaram que fazem tudo bem, e gradualmente se transformaram em uma banda um pouco mais próxima de um rock tradicional, porém um excelente rock tradicional. E nunca perderam a veia provocativa: direto tinham singles banidos das lojas, o que trouxe um monte de comparações com os Sex Pistols. Até hoje de vez em quando se você estiver em um lugar que toca música boa você vai escutar algo legal tipo

"I wanna die just like Jesus Christ/I wanna die come see paradise/I wanna die just like JFK/I wanna die in a sunny day"

FODA!

Muita gente lembra do Jesus And Mary Chain como a banda que tinha na batera o camarada que formou o (também bom mas não tão foda quanto na minha opinião) Primal Scream. Eu lembro do Jesus And Mary Chains como uma das melhores bandas da história.

Terminaram em 99 e voltaram em 2007 e vai ter show no Brasil. Não deixa esse passar!!!

Comece por - Psychocandy se você gosta de barulhada, Darklands se você for uma pessoa mais normal
Ou então comece por - 21 Singles que é uma coletânea perfeita
E depois - depois todos meu amigo, se vira aí.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Da Série Random Music - Destroy Everything You Touch


Gosto bastante de música eletrônica, mas não sou um cara de procurar música eletrônica "utilitária", como por exemplo aquela criada somente para funcionar na pista em determinado momento - ou seja, não baixo dj sets, ainda prefiro música que foi feita para ser música. Acabo tendendo para coisa mais maluca - tipo o Aphex Twin que já citei aqui várias vezes - ou coisa mais pop tipo Hot Chip. Tem de vez em quando uns camaradas que conseguem um meio termo legal - The Field por exemplo. Mas o que você vai me pegar ouvindo direto mesmo é pop dos futuro.

Ladytron começou no finalzinho da década de 90 e são dois ingleses + duas inglesas, cada um com um sintetizador véio (ao vivo a banda são 4 sintetizadores mandando bala) que foi escolhido justamente por ser velho e ser capaz de gerar um som eletrônico vintage (detesto essa palavra) mas que é usado para fazer música inegavelmente moderna. O som tem um pezinho no pop, e embora sutil eu vejo claramente um toque meio gótico/deprê/sexy/frieza.

Uma das características mais marcantes do Ladytron são os vocais das meninas. Eu só consigo definir como a mistura entre um anjo e um robô - é delicado e meio que sensual, só que ao mesmo tempo frio e distante (tirando que fica mais alien porque é tratado com um monte de efeito no computador). Me passa sempre a sensação de alguém muito sensível tentando se defender para não ser ferrado pelo mundo - atitude fria mas que no fundo é vulnerabilidade. O som é bem electrão e portanto é dançante - então dá para ouvir Ladytron em uam festa ou sozinho num quarto escuro e funciona de maneiras completamente diferentes nos dois lugares.

Os dois últimos discos com certeza entram para mim em qualquer top de discos lançados de 2000 para cá. O negócio é classudo. Se a música moderna andar para esse lado eu estou feliz. Ou deprê sei lá se eu escutar muito isso. Selo de qualidade do Leandro na veia - se seu gosto bate com o meu vai sem dó.

Comece por - Witching Hour, porque comanda o batatal
Disco mais Ladytron - Witching Hour
Enjoei do Witching Hour - Velocifero
E depois - pode ouvir os antigos

terça-feira, 22 de julho de 2008

ACCELERATE

Se você gosta de REM, pegue imediatamente o disco novo (Accelerate) e pire.
Se você gosta de rock, pegue imediatamente o disco novo (Accelerate) e pire.
Se você gosta de pop, pegue imediatamente o disco novo (Accelerate) e pire.
Se você gosta de música, pegue imediatamente o disco novo (Accelerate) e pire.
Se você não gosta de REM, pegue imediatamente o disco novo (Accelerate) e mude de idéia.