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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Melhores Discos de 2011 pelo Rise From Your Grave - PAU QUEBRANDO



Continuando o post anterior, a categoria PAU QUEBRANDO inclui punk, hardcore, metal, industrial e tudo o mais que seu pai chama de "rock pesado". Parando para escrever este post percebi que fiquei meio que desapontado este ano, pouco entrou no meu radar e ficou. De qualquer maneira o que passou no filtro vale o seu tempo:

Melhores Discos

Fucked Up - David Comes To Life


Eu gosto de bandas de hardcore pesadão tipo Sick of It All mas o que é que estraga essa moçada? São supostamente bandas formadas por pessoas rebeldes que não se importam com as regras, vivem de fazer um som que não tem a menos chance de apelo comercial e portanto não deveriam ter limites. Na prática são tão cercadas por milhões de regras sobre o que se pode ou não fazer criadas por elas próprias ou pelo seu público limitado que acabam se tornando construtos mais artificiais e pequenos que o pior do pop. Por isso ajoelhe todo dia e agradeça pelo Fucked Up, que superficialmente é mais uma banda de hardcore gritadão acelerado e com duas guitarras altíssimas mas no fundo são uns malucos que não se importam com o que estão fazendo (ou talvez se importem mais que os outros). Resultado? Injeção de criatividade num gênero que precisa demais disso e melhor banda punk da atualidade.

Backing vocals femininos docinhos? Violino? Samplers? Arranjos de guitarra muitas vezes mais Pixies que Biohazard? Disco conceitual duplo gigante contando a história de um trabalhador em uma fábrica de lâmpadas e sua namorada? E de quebra um disco (David's Town) onde eles gravam como se fosse uma coletânea de bandas punks imaginárias que esse David escuta? Expulsem eles do punk!


Blut Aus Nord - 777


Blut Aus Nord significa "sangue do norte" escrito errado em alemão e é um projeto de uma só pessoa de black metal francês. "Black metal" no seguinte sentido (declaração da própria banda):

"Blut Aus Nord is an artistic concept. We don’t need to belong to a specific category of people to exist. If black metal is just this subversive feeling and not a basic musical style, then Blut Aus Nord is a black metal act. But if we have to be compared to all these childish satanic clowns, please let us work outwards [from] this pathetic circus. This form of art deserves something else than these mediocre bands and their old music composed 10 years before by someone else."

Cabe o que eu disse anteriormente sobre o Fucked Up: o template é de metal-sinistro-pesadaço-com-vocais-de-gremlin, mas tem a cabeça aberta o suficiente para aumentar o conceito e deixar ele ir onde deve. Tem muito flerte com eletrônico e com música ambiente, aproximando o projeto de uma espécie de banda industrial/eletrônica do inferno. Com diversas passagens instrumentais repetitivas e que geram clima, o disco tem dinâmica, o que significa que o que deveria ser pesado é dez vezes mais pesado que o normal, e não um espancamento monótono sem fim. Apareceu em diversas listas de melhores discos de metal do ano, merecidamente.

Nota: 777 é uma trilogia, está no segundo disco, recomendo os dois principalmente o Desanctification.

Liturgy - Aesthetica


Este disco foi de certa forma a polêmica do ano no metal, porque foi lido como uma espécie de paródia do black metal: pessoas que não se importam com o cramunhão (e afirmam isso), não se vestem como zumbis saindo da tumba, a banda tem um instrumental completamente original e vocais gritados que aparentemente não tem letra (até acredito que tem mas...). Esqueceram de lembrar que são caras fodaços que fizeram um dos melhores discos de metal que eu já ouvi e com um som que apesar do pé no black metal no fundo é inclassificável. Verifique por si mesmo abaixo a capacidade de fazer uma música instrumental que além de ser bem bacana tem a característica interessante de ser a música de UMA NOTA mais difícil de tocar do mundo:





Don't believe the hype
Tombs - acho que é celebrado por ser uma espécie de ponto de encontro entre uma moçada que normalmente não se mistura tipo punk e metal, mas essa proeza sem fazer música boa não é suficiente para mim.
Iceage - tem tudo para ser legal no papel. É uma espécie de mistura de pós punk gótico com hardcore, formada por garotos que mal fizeram 20 anos mas cantam como se tivessem o peso de 100 - imagine uma mistura de Bauhaus com Cramps talvez. Lendo o que eu próprio escrevi me dá vontade de escutar, apareceu em diversas listas de melhores discos do ano, mas não consegui encontrar o que está ali. Quem sabe no futuro.

A banda mais pesada do mundo
Prurient - meu Deus e esse cara toca no Cold Cave que é basicamente um New Order dos anos 2010. Veja por si mesmo:


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Da Série Playlist - o que anda queimando a bateria do meu ipod


jj - jj n° 3: a (não tão mais) enigmática banda lançou o segundo disco rapidinho (o jj n° 1 é um single) e fez o movimento sábio de não tentar fazer a mesma coisa tudo de novo. jj - minúsculo mesmo - é uma das bandas que como já mencionei encaixo na categoria "não consigo absolutamente explicar porque eu amo isso". Talvez seja a combinação de uma voz etérea muito bonita quase Enya em cima de instrumental muito leve que você nunca sabe se é extremamente acústica ou totalmente eletrônica cantando sobre ter uma overdose de heroína e outros temas normalmente gritados. Acho que sou atraído sempre por música que parece ser tão natural que nasceu sozinha, ainda mais porque sei que é o tipo de música mais difícil de fazer. Este disco tem um tom bem mais triste que o anterior o que o faz ser um pouco mais lento de absorver, mas conserva a descida fácil e as propriedades relaxantes-hipnotizantes e outros antes. Dá para ouvir até com a sua mãe.


Besnard Lakes - Are The Roaring Night: muito fácil definir os Besnard Lakes ao mesmo tempo em que é a coisa mais impossível do mundo. Indie rock moderno com um lado pop e outro bem experimental, backing vocals trabalhados devendo aos Beach Boys, voz masculina e feminina alternando nas músicas, falta de medo de falsete, falta de medo de colocar guitarra alta e de fazer música compridona e que demora a se desenvolver, até uma pitada de leve de Pink Floyd mas sem a parte chata. Parece uma das boas bandas que poderia ser da Elephant 6. E agora isso tudo que você leu não te passou uma boa idéia do que a banda é, porque você pode ter imaginado tudo isso na sua cabeça e pensado em algo como os Yo la Tengo ou o Of Montreal e essas bandas não se parecem em nada. Sabe quando você tenta explicar para alguém porque ele deveria ver uma determinada série de tv e não consegue colocar em palavras o que ela tem de especial, percebendo que na verdade não existe nada de realmente novo ali, apenas o velho porém extremamente bem feito e satisfatório? Faz o seguinte, em vez de ficar lendo aqui escuta a música "and this is what we call progress" que eu até aqui declaro a melhor de 2010 e depois a gente conversa.


Deftones - Diamond Eyes: sempre foram uma das minhas bandas preferidas e estão passando por um momento complicado - o baixista sofreu um acidente de carro a mais de um ano e está em coma desde então; haviam gravado um disco inteiro com ele que não querem lançar porque "não reflete o que a banda é agora" e gravaram outro, que é este Diamond Eyes. Não gosto da desgraça dos outros mas momentos difíceis sempre geram boas obras de arte e PQP, não precisavam humilhar! Disco diretaço na veia que lembra o Around The Fur, basicamente tudo que o Deftones é ampliado para 11 e com espírito "corta a baboseira", foi um ótimo movimento para uma banda que estava se tornando abstrata demais. Se você tem qualquer nível de interesse em metal (apesar de ser um rótulo discutível para eles) vá sem dó.



Outras recomendações recentes que exploro melhor nos próximos posts:



Zola Jesus - Spoils -> o gótico ainda existe, ainda é ridículo, e ainda é foda

Warpaint - Exquisite Corpse -> indie-pop épico com vocais bonitinhos de menininha distorcidos sem dó

Gorillaz - Plastic Beach -> pop + hip hop + eletrônico + lou reed + bom gosto

The Knife - Tomorrow, In a Year -> The Knife fazendo ópera baseada na vida de Darwin é para amar e odiar alternadamente

Hot Chip - One Life Stand -> eletrônico de pista para ouvir em casa com a namorada por menos sentido que isso faça

Fucked Up - Couple Tracks -> o que seria do filho do Sick Of It All com Pixies, ou seja, hardcore brutal com preocupação em ter guitarras e melodias interessantes e diferentes (apesar deste disco em particular meio que largar essas idéias para lá e vamos só sentar a porrada) - ah, e é também a melhor banda punk da atualidade ok?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O futuro do punk rock...

...obviamente pertence a esses caras dos quais já falei um bocado aqui...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Da Série Random Music - A Química da Vida Comum

Bandas que são difíceis de entender e que acabam mistrando todos os elementos que normalmente não se misturam ou "não se deve" misturar na minha opinião na maior parte das vezes dão resultados mais legais mesmo que bizarros ou confusos do que aquelas que não arriscam nada. Dentro de gêneros mais limitantes e cheio de regras (aliás, justamente os gêneros que deveriam ser mais contra as regras que existem) como o hardcore isso costuma me empolgar ainda mais, porque demandam mais coragem e é menos comum de ver acontecer. Quantas bandas de harcore você conhece que descrevem seu disco como "um épico expansivo sobre os mistérios do nascimento, morte, e as origens da vida e de reviver"?? Pessoas toscas que fazem música toscona com intenções bonitas e intelectuais por trás comandam o batatal.

Essa banda é canadense e já começou a se avacalhar comercialmente pelo nome - Fucked Up. Na maior parte das vezes descartando o formato álbum (90% dos lançamentos do Fucked Up são através de singles, eles preferem lançar sua música duas de cada vez) torna a banda super difícil de acompanhar. E quando fazem aparições públicas é para causar terrorismo - toparam tocar na MTV, mas o show foi dentro de um banheiro e foi interrompido depois da primeira música quando a banda e os fãs basicamente começaram a destruir o prédio inteiro. Bacana de uns caras que apóiam explicitamente os anarquistas espanhóis (dentro dos singles vem um monte de material de propaganda deles) e a SI. Na verdade a postura da banda nem sempre é clara, e quando utlizaram material nazista em um single (como crítica e não como apoio) só se importaram em se explicar depois de apanhar no palco. UHAUAHAAHUAHHA viva para o movimento punk que apesar de adorar uma garrafada e uma facada continua peitando os nazis (ou mesmo os suspeitos de ser nazi).

Mas o que importa mesmo é o som, e é por isso que você deveria se importar com o Fucked Up. Um dia eu estava tentando recomendar ele para um amigo e para tentar explicar a banda chame eles de "Pixies fazendo cover de Sick Of It Al". Ele sorriu e disse "eu vou ter que ouvir isso". Não se engane: é punk hardcore pesado, guitarra distorcida, vocal gritado, e umas quebradas estilo o clássico de Nova York Sick Of It All (aliás, outra banda que merece um post), porém feito por pessoas de cabeça mais aberta que fazem com que a guitarreira e outros elementos (piano e assovios por ex., backing vocal feminino bonitinho) dêem um clima mais indie experimental e que mesmo encosta no pop às vezes. Música empolgante e energética mas não unidimensional e limitada, e sim criativa e aberta a experimentação, elementos que não costumam se combinar com frequência na mesma banda. Para quem é ferrado já no nome, bom trabalho para os rapazes.

Não deixe de escutar - The Chemistry Of Common Life