Apesar de, no post sobre pessoas single X álbum eu haver sem dúvida me declarado uma pessoa álbum, tenho bastante simpatia pelo formato single. Para quem não conhece (no Brasil são os "compactos") são aqueles disquinhos - antigamente em vinil e depois em cd - que trazem, a princípio, somente uma música.No Brasil chegou a ser popular, sim, durante uma época, acredito que no fim dos anos 60 e início dos 70. Quando eu fuçava nos discos velhos da minha mãe eu sempre achava um ou outro espalhado por lá.
Porque diabos eu compraria um disco de só uma música? Se você se fez essa pergunta, é porque ainda não captou o espírito do negócio: comprar um single é igual comprar um chiclete. Você está passando na frente de uma loja de discos, fuça os singles vê uma música que ouviu de passagem e gostou, tira um trocado do bolso e leva para casa.Hoje é um formato praticamente inexistente no Brasil, então isso não foi algo que eu vivi, mas nos países onde o single ainda é forte (na Inglaterra até hoje sempre foi algo muito mais importante que o álbum) imagino que deve ser um ritual gostoso. Imagina aquela tarde de folga que você tira para ficar por aí sem nada para fazer, você liga para sua namorada e sai para fazer um lanche, ver um cinema, sai andando tomando um sorvete e passa na frente de uma loja de discos, entra descompromissadamente, compra o single de uma música que você tem gostado e o single da música que estava tocando na loja na hora porque ela te chamou atenção. E gastando só um trocadinho.
Aliás, essa foi a principal razão pela qual single não pega no Brasil: para ela lógica funcionar ele tinha que custar no máximo 5 reais. E nas ocasiões em que eu já vi single para vender sempre tinha um preço menor mas aproximado do disco, o que é insultar a inteligência dos outros E suicídio comercial ao mesmo tempo.
Agora, o que me faz simpatizar mais com o single são os lados B. Surgiram da época em que o single era em vinil (mas foram mantidos depois por tradição), vinil tem dois lados, e como ele trazia a música que vocês estava comprando no lado A, o que colocar no lado B? Essa necessidade normalmente fazia a banda partir para uma de 3 opções:
a - colocar outra música do álbum, normalmente uma com menos apelo comercial para virar um single sozinha (e historicamente isso gerou casos em que o lado b ficou mais famoso que o lado a);
b - colocar outras versões da música do lado a (extendida, remixada, ao vivo etc), ou mesmo outras versões de outras músicas do álbum (frequentemente ao vivo ou remixes);
c - colocar uma música que foi gravada mas por algum motivo não entrou no álbum, tornando o single atraente mesmo para quem tem o álbum.
As opções b e c me agradam demais. Como a pessoa está comprando a música do lado a e a do lado b é efetivamente um bônus, quase sempre nele entram músicas em que a banda está mais "relaxada" - covers inesperados, coisas mais experimentais, ou de alguma maneira músicas que normalmente não entrariam num disco normal - então os "lados b" de uma banda são uma ótima maneira de conhecer um outro lado deles, quase sempre um lado menos comercial em alguns casos até mais interessane. E para os fãs é um tesouro, depois que a banda já tem certo tempo de estrada você junta os b-sides dela em um disco e tem basicamente um disco novo para ouvir (que é quase sempre um disco ótimo).Os b-sides do Yo La Tengo, por exemplo, foram colecionados no disco Genius + Love e eu escuto ele mais que os discos normais da banda. Os b-sides do Nick Cave saíram numa caixa de 3 cds (são muitos!!!) que virou um disco tão ótimo quanto os discos normais dele. Os b-sides dos Smashing Pumpkins viraram um cd chamado Pisces Iscariot que eu tb recomendo,e por aí vai. Como norma geral, se você gosta muito de uma banda, tente baixar os b-sides deles e se surpreenda com um monte de lados legais que você não sabia que existiam.
Nota: os b-sides do Radiohead (que também são muitos) vão ganhar um post só para eles. Coloco amanhã.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Música da minha rua - Parte 4/4
Raimundos - recentemente na casa de um amigo me lembrei o tanto que o primeiro disco dos Raimundo é foda. Dos melhores discos nacionais da história, criativo, engraçado, divertidaço. O segundo também é bom, depois esquece.
Pin Ups - tenta ser o Sonic Youth brasileiro, não consegue mas valeu a intenção. A banda é legal e barulhenta e experimental. Queria conhecer um pouco mais.
Wry - também bem indie/pop, o vocal pode ser meio irritante às vezes, mas fazem um som guitarreiro interessante. Acho que mudaram pra Londres. Vai dar certo.
UDR - Funk carioca satanista feito em Belo Horizonte. Quem não conhece todas as letras do UDR de cor tem algum problema e precisa de ajuda. Ou pelo menos a letra do clássico Bonde Da Orgia de Traveco. MPB devia ser assim.
Hang The Superstars - junto com Autoramas a banda nacional que eu mais escuto na atualidade. Completamente inescrupuloso. Rock de garagem toscaço, sujaço (mas não pesadaço) e divertidérrimo de um magrelo insano gritando no microfone junto com duas backing vocals esquisitas. Não perca o show de jeito nenhum.
Eminence - metalzão from hell de BH, tenho gostado bastante das músicas novas. Me lembra Slipknot + Meshugga - tão bem feito quanto o primeiro e (não tão) quebrado quanto o segundo. Estão saindo em turnê para e Europa, sorte para eles.
Racionais - Racionais é foda. Na verdade, Racionais é meio que medíocre musicalmente falando, é até um pouco monótono, e os MCs tendem a ser meio "sou um pobre revoltado" clichê, mas quando o Mano Brow entra ele eleva tudo e você ignora todas as outras falhas. Filho da puta inteligente. Mano Brow é o melhor poeta do Brasil. E ele escreve "preparado pra morrer nós é".
Autoramas - se tiver um show do Autoramas na sua cidade, vá. E é bem capaz porque eles tocam sem parar. É a que eu mais escuto hoje - esse rock/punk/indie/garagem com umas letras ressentidas é legal demais. O Gabriel tem a manha total desde a época do Little Quail.
Chico Science/Nação Zumbi - nem tem o que dizer né - apesar de meio que sofrerem de superexposição (QUALQUER evento um pouco mais alternativo do Brasil tem um show da Nação Zumbi) isso que é música BRASILEIRA que me soa sinceramente BRASILEIRA e não forçada como eu comentei na parte 1.
PexBaa - música louca que parece que foi feita dentro de um hospício. É o que aconteceria se você mandasse um monte de loucos tocarem jazz. Recomendo demais.
Ah sim, Cansei de Ser Sexy é uma merda. Aquilo ali tem a ver com moda, com as fotos que elas tiram, com publicidade, com o fato de serem "menininhas brasileiras mudernetes", mas não tem nada a ver com música.
Pin Ups - tenta ser o Sonic Youth brasileiro, não consegue mas valeu a intenção. A banda é legal e barulhenta e experimental. Queria conhecer um pouco mais.
Wry - também bem indie/pop, o vocal pode ser meio irritante às vezes, mas fazem um som guitarreiro interessante. Acho que mudaram pra Londres. Vai dar certo.
UDR - Funk carioca satanista feito em Belo Horizonte. Quem não conhece todas as letras do UDR de cor tem algum problema e precisa de ajuda. Ou pelo menos a letra do clássico Bonde Da Orgia de Traveco. MPB devia ser assim.
Hang The Superstars - junto com Autoramas a banda nacional que eu mais escuto na atualidade. Completamente inescrupuloso. Rock de garagem toscaço, sujaço (mas não pesadaço) e divertidérrimo de um magrelo insano gritando no microfone junto com duas backing vocals esquisitas. Não perca o show de jeito nenhum.
Eminence - metalzão from hell de BH, tenho gostado bastante das músicas novas. Me lembra Slipknot + Meshugga - tão bem feito quanto o primeiro e (não tão) quebrado quanto o segundo. Estão saindo em turnê para e Europa, sorte para eles.
Racionais - Racionais é foda. Na verdade, Racionais é meio que medíocre musicalmente falando, é até um pouco monótono, e os MCs tendem a ser meio "sou um pobre revoltado" clichê, mas quando o Mano Brow entra ele eleva tudo e você ignora todas as outras falhas. Filho da puta inteligente. Mano Brow é o melhor poeta do Brasil. E ele escreve "preparado pra morrer nós é".
Autoramas - se tiver um show do Autoramas na sua cidade, vá. E é bem capaz porque eles tocam sem parar. É a que eu mais escuto hoje - esse rock/punk/indie/garagem com umas letras ressentidas é legal demais. O Gabriel tem a manha total desde a época do Little Quail.
Chico Science/Nação Zumbi - nem tem o que dizer né - apesar de meio que sofrerem de superexposição (QUALQUER evento um pouco mais alternativo do Brasil tem um show da Nação Zumbi) isso que é música BRASILEIRA que me soa sinceramente BRASILEIRA e não forçada como eu comentei na parte 1.
PexBaa - música louca que parece que foi feita dentro de um hospício. É o que aconteceria se você mandasse um monte de loucos tocarem jazz. Recomendo demais.
Ah sim, Cansei de Ser Sexy é uma merda. Aquilo ali tem a ver com moda, com as fotos que elas tiram, com publicidade, com o fato de serem "menininhas brasileiras mudernetes", mas não tem nada a ver com música.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Música da minha rua - Parte 3/4
Só para finalizar minha onda de falar de música nacional listo as bandas brasileiras que eu gosto.
Nota: decidi pular qualquer banda com a qual eu tenha alguma ligação pessoal com os integrantes para não parecer que eu estou forçando a barra para eles. O contrário até que tudo bem - tem bandas aí que eu não gosto de determinados fulanos mas - sem nomes ;-)
Gosto de Sepultura mas não conto eles mais como banda nacional.
Titãs - Titãs velho comanda o batatal demais. Titãs acabou no Titanomaquia (eu até gosto do Domingo mas que caiu, caiu). Antes era uma banda excêntrica de mil caras gritando no palco letras bacanaças, sem medo nenhum de serem agressivos quando precisavam e lançando um disco foda atrás do outro. Hoje são zumbis tentando agradar a MTV. Pega as letras antigas do Arnaldo Antunes e tente não dar pala. Ele é outra decepção minha: começou uma carreira solo foda mais esquisita e agressiva que Titãs e depois decidiu que queria dinheiro. Nando Reis nem se fala. Tá virando o Lulu Santos.
Pato Fu - Criativo pra cacete, desde o primeiro disco. Às vezes passa do limite no pop mas não perco o respeito por eles. O John (guitarrista) é foda em todos os sentidos (eu não valorizo guitarrista técnico e rápido e exibicionista, para mim isso é punheteiro - eu respeito uns caras que tem estilo e criatividade como ele).
Hurtmold - Começou como uma espécie de Fugazi em português (mas sempre foi predominantemente instrumental) e depois ficou quase que 100% isntrumental. Os instrumentais do início lembravam Fugazi e os atuais tem me lembrado Tortoise, total post rock. Acho uma banda ótima e tento não perder show se eu puder.
Mordeorabo - Acho que é meio um Hurtmold de Belo Horizonte, mas é mais Fugazi e menos Tortoise. O show é 100% instrumental e 0% chato. Estão meio que no começo mas boto fé.
Ratos de Porão - Sempre gostei de Ratos e acho que é uma banda que melhorou com o tempo. Apesar de muitíssimo mais pesados são como os Ramones do Brasil - não dá para fugir da referência deles quando você é interessado em punk. Esses papos de João Gordo traidor bla-bla-bla é a maior baboseira irrelevante que eu já ouvi na vida. O que importa é que a banda seguiu só melhorando cada ano que passa.Estão lançando cd atualmente pela lendária Alternative Tentacles (gravadora dos Dead Kennedys). Se o Jello Biafra aprovou eu aprovo.
Mukeka Di Rato - Hardcore de homi, bem na linha dos Ratos. A maioria das pessoas vai achar pesado demais. Deram um dos melhores shows que eu já fui em BH quando era adolescente (e um dos dois shows da minha vida que eu cheguei em casa todo sangrando mas feliz).
DFC - Hardcore de Brasília. Melhor banda de hardcore do Brasil. Letras divertidas e inteligentes, o som tem umas influências de Biohazard e é bem tocado demais. Ponto final.
Inocentes - Bem no inicinho era um punk toscaço bem legal, depois virou uma de banda New Wave oitentão péssima que eu nunca entendi.
Retrigger - Eletrônico de BH feito por um cara. Insano, frenético e criativo. Vai longe.
Chelpa Ferro - É meio que o Neubauten brasileiro. Deram um show em uma Bienal que consistia da banda quebrando um carro inteiro. Qualquer banda que transforma a fase bônus do Street Fighter velhão em um show merece meu respeito.
Grenade - Indie bem feito demais só com música cativante que fica na cabeça. Tipo, banda de cara que gostava de punk mas quis ir para um lado mais pop e divertido.
Pelvs - Indie também super bem feito e divertido, vai de Pixies a Sonic Youth, mas tem estilo próprio. O disco deles Penísula ficou em rotação direta na minha casa por muito tempo. Também dão um show legal.
Nota: decidi pular qualquer banda com a qual eu tenha alguma ligação pessoal com os integrantes para não parecer que eu estou forçando a barra para eles. O contrário até que tudo bem - tem bandas aí que eu não gosto de determinados fulanos mas - sem nomes ;-)
Gosto de Sepultura mas não conto eles mais como banda nacional.
Titãs - Titãs velho comanda o batatal demais. Titãs acabou no Titanomaquia (eu até gosto do Domingo mas que caiu, caiu). Antes era uma banda excêntrica de mil caras gritando no palco letras bacanaças, sem medo nenhum de serem agressivos quando precisavam e lançando um disco foda atrás do outro. Hoje são zumbis tentando agradar a MTV. Pega as letras antigas do Arnaldo Antunes e tente não dar pala. Ele é outra decepção minha: começou uma carreira solo foda mais esquisita e agressiva que Titãs e depois decidiu que queria dinheiro. Nando Reis nem se fala. Tá virando o Lulu Santos.
Pato Fu - Criativo pra cacete, desde o primeiro disco. Às vezes passa do limite no pop mas não perco o respeito por eles. O John (guitarrista) é foda em todos os sentidos (eu não valorizo guitarrista técnico e rápido e exibicionista, para mim isso é punheteiro - eu respeito uns caras que tem estilo e criatividade como ele).
Hurtmold - Começou como uma espécie de Fugazi em português (mas sempre foi predominantemente instrumental) e depois ficou quase que 100% isntrumental. Os instrumentais do início lembravam Fugazi e os atuais tem me lembrado Tortoise, total post rock. Acho uma banda ótima e tento não perder show se eu puder.
Mordeorabo - Acho que é meio um Hurtmold de Belo Horizonte, mas é mais Fugazi e menos Tortoise. O show é 100% instrumental e 0% chato. Estão meio que no começo mas boto fé.
Ratos de Porão - Sempre gostei de Ratos e acho que é uma banda que melhorou com o tempo. Apesar de muitíssimo mais pesados são como os Ramones do Brasil - não dá para fugir da referência deles quando você é interessado em punk. Esses papos de João Gordo traidor bla-bla-bla é a maior baboseira irrelevante que eu já ouvi na vida. O que importa é que a banda seguiu só melhorando cada ano que passa.Estão lançando cd atualmente pela lendária Alternative Tentacles (gravadora dos Dead Kennedys). Se o Jello Biafra aprovou eu aprovo.
Mukeka Di Rato - Hardcore de homi, bem na linha dos Ratos. A maioria das pessoas vai achar pesado demais. Deram um dos melhores shows que eu já fui em BH quando era adolescente (e um dos dois shows da minha vida que eu cheguei em casa todo sangrando mas feliz).
DFC - Hardcore de Brasília. Melhor banda de hardcore do Brasil. Letras divertidas e inteligentes, o som tem umas influências de Biohazard e é bem tocado demais. Ponto final.
Inocentes - Bem no inicinho era um punk toscaço bem legal, depois virou uma de banda New Wave oitentão péssima que eu nunca entendi.
Retrigger - Eletrônico de BH feito por um cara. Insano, frenético e criativo. Vai longe.
Chelpa Ferro - É meio que o Neubauten brasileiro. Deram um show em uma Bienal que consistia da banda quebrando um carro inteiro. Qualquer banda que transforma a fase bônus do Street Fighter velhão em um show merece meu respeito.
Grenade - Indie bem feito demais só com música cativante que fica na cabeça. Tipo, banda de cara que gostava de punk mas quis ir para um lado mais pop e divertido.
Pelvs - Indie também super bem feito e divertido, vai de Pixies a Sonic Youth, mas tem estilo próprio. O disco deles Penísula ficou em rotação direta na minha casa por muito tempo. Também dão um show legal.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Música da minha rua - Parte 2/4
Vou dizer de uma vez só de maneira simples e direta: não gosto de MPB. De nada que é MPB. Nada. É um estilo que eu respeito com sinceridade - não desgosto por achar que é picareta ou coisa parecida, é como qualquer outro estilo, 90% picareta com coisas excelentes no meio (isso também vale para os estilos que eu gosto).Mas as "coisas excelentes" da MPB não me despertam interesse. Não tenho a menor idéia do porquê. Não me pergunte. "O barquinho vai a tardinha cai" é muito deitado na rede de tarde olhando o por do sol para se relacionar com a minha vida ou para conseguir prender a atenção da minha cabeça inquieta.Tem muita MPB bem feita de verdade, mas a sonoridade não me atrai. O violão da bossa nova é super técnico e inovador, mas não consigo me livrar da sensação de que as pessoas estão movendo os dedos no braço da violão de maneira aleatória até achar o acorde mais esquisito possível e de sonoridade mais FEIA que conseguir (sério!).Tem, com certeza, muita letra bem escrita, mas muitas vão para um território de "brasilidade" que de certa forma acaba me incomodando por tentar ser "brasileiro" demais (veja o post anterior).
Note que eu sou perfeitamente ciente que estou falando com pouco conhecimento de causa. Não conheço muito por nunca ter tido interesse. O que mais se aproxima de MPB que eu gostei é:
- o Tom Zé, porque é louco de verdade e não fica caindo nessas babaquices;
- acho o segundo e o terceiro disco dos Los Hermanos dois dos melhores discos nacionais recentes (sério!!! essa vai ser polêmica - concordo que eles são antipáticos e merecem morrer porque falaram mal de Ramones), apesar de achar o primeiro e o quarto horríveis - o quarto já ficou mais MPB que minha tolerância aguentou;
- o Chico Buarque, apesar achar chato ficar escutando muito, de fato é um escritor foda e a música Construção é a única música de MPB pra valer que eu gosto de verdade. É o que tem maior chance de me fazer gostar num futuro hipotético;
- Cordel do Fogo Encantado é legal, mas aquilo é MPB? Respeito a intensidade do show deles.
E acabou. O resto pode ir para um novo "país da MPB" para depois poderem jogar uns mísseis nucleares lá. (:-D não se ofenda amigo é claro que foi brincadeira)
Note que eu sou perfeitamente ciente que estou falando com pouco conhecimento de causa. Não conheço muito por nunca ter tido interesse. O que mais se aproxima de MPB que eu gostei é:
- o Tom Zé, porque é louco de verdade e não fica caindo nessas babaquices;
- acho o segundo e o terceiro disco dos Los Hermanos dois dos melhores discos nacionais recentes (sério!!! essa vai ser polêmica - concordo que eles são antipáticos e merecem morrer porque falaram mal de Ramones), apesar de achar o primeiro e o quarto horríveis - o quarto já ficou mais MPB que minha tolerância aguentou;
- o Chico Buarque, apesar achar chato ficar escutando muito, de fato é um escritor foda e a música Construção é a única música de MPB pra valer que eu gosto de verdade. É o que tem maior chance de me fazer gostar num futuro hipotético;
- Cordel do Fogo Encantado é legal, mas aquilo é MPB? Respeito a intensidade do show deles.
E acabou. O resto pode ir para um novo "país da MPB" para depois poderem jogar uns mísseis nucleares lá. (:-D não se ofenda amigo é claro que foi brincadeira)
terça-feira, 3 de junho de 2008
Música da minha rua - Parte 1/4
Já comentei nesse blog que eu acho uma concepção totalmente ridícula achar que existe alguma espécie de obrigação moral em escutar música brasileira ou ler literatura brasileira ou assistir a cinema nacional porque eu sou brasileiro.Antes de tudo, isso equivale a dizer que o mineiro tem que ouvir música mineira, o Belohorizontino tem que escutar música de BH, o cara que mora no São Lucas só pode escutar música do bairro e se mudar de rua vai ter que trocar suas bandas preferidas.Além disso, acho patriotismo um sentimento idiota e alimentado pelas pessoas erradas pelas razões erradas. Algo como faça uma cerca em torno de você e odeie quem está fora dela. Não vejo motivo nenhum para achar brasileiro superior a argentino (só para ficar num exemplo fácil) a não ser assumir umas birras sem sentido por causa de rivalidade no futebol (coisa com que eu nem me importo na verdade, por mim podiam proibir os esportes que minha vida não mudava nada). Não me importo com a nacionalidade de ninguém, acho que todo mundo é cidadão do mundo e acho que você tem que ler, escutar, assistir e vestir o que gosta ou o que captura seu interesse.
Da mesma maneira, é tão infantil quanto se recusar a ouvir/ler/assistir algo porque é brasileiro. Simplesmente não é critério. Conheço pessoas que "detestam cinema nacional" ou "música nacional" como se isso fosse algum indicador automático de qualidade ou falta de. O cinema brasileiro é como qualquer cinema do mundo: a grande maioria é porcaria e tem algumas coisas ótimas no meio. Música, idem. Literatura, escultura, pintura - idem. Isso vale para qualquer nacionalidade.Só por favor me deixa de fora de regionalismo forçado ou regionalismo por regionalismo: você vai em uns eventos tipo que teve em Belo Horizonte da Vivo (fui só para ver o Ragna) e tem que ficar aguentando um milhão de músicos "culturais" que fazem música relevante que só é cultural em teoria. Cultural para mim é o que se vive, e ninguém vive aquilo, só nos livros de história do colégio, e ainda assim é uma história manipulada e aproximada. Ninguém se veste daquele jeito, se interessa por aqueles temas e escuta aquelas músicas, a não ser alguns alunos de faculdade empolgados que acham que estão fazendo alguma coisa relevante por ser "regional". Sinceramente: que saco. Isso é igual colocar um gaúcho de bombachas tomando chimarrão no palco fingindo que ele vive daquele jeito e que usa aquelas coisas em qualquer contexto que não seja para gringo ver.
Da mesma maneira, é tão infantil quanto se recusar a ouvir/ler/assistir algo porque é brasileiro. Simplesmente não é critério. Conheço pessoas que "detestam cinema nacional" ou "música nacional" como se isso fosse algum indicador automático de qualidade ou falta de. O cinema brasileiro é como qualquer cinema do mundo: a grande maioria é porcaria e tem algumas coisas ótimas no meio. Música, idem. Literatura, escultura, pintura - idem. Isso vale para qualquer nacionalidade.Só por favor me deixa de fora de regionalismo forçado ou regionalismo por regionalismo: você vai em uns eventos tipo que teve em Belo Horizonte da Vivo (fui só para ver o Ragna) e tem que ficar aguentando um milhão de músicos "culturais" que fazem música relevante que só é cultural em teoria. Cultural para mim é o que se vive, e ninguém vive aquilo, só nos livros de história do colégio, e ainda assim é uma história manipulada e aproximada. Ninguém se veste daquele jeito, se interessa por aqueles temas e escuta aquelas músicas, a não ser alguns alunos de faculdade empolgados que acham que estão fazendo alguma coisa relevante por ser "regional". Sinceramente: que saco. Isso é igual colocar um gaúcho de bombachas tomando chimarrão no palco fingindo que ele vive daquele jeito e que usa aquelas coisas em qualquer contexto que não seja para gringo ver.
Definindo o jogo com uma frase
Você só jogou Wii se jogou Mario Galaxy OU é 100% concebível comprar um Wii para jogar só Mario Galaxy.
Eu vou jogar essa porcaria para sempre. Jogo maluco psicodélico feito por pessoas drogadas. Adorei.
Eu vou jogar essa porcaria para sempre. Jogo maluco psicodélico feito por pessoas drogadas. Adorei.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Música para trabalhar
Você pode trabalhar ouvindo música? Refraseando: você é uma das felizes pessoas super sortudas que possuem a possibilidade de cumprir sua sofrida e repetitiva labuta diária, onde você sangra e sua e sofre para garantir a sua sobrevivência e dos seus entes queridos, com o alívio divino que provê da música que você gosta?
Quando eu inicio um novo projeto uma das primeiras perguntas que eu faço é se a empresa tem alguma restrição quanto ao uso de fone. Ultimamente tenho tido sorte e trabalho boa parte do tempo (exceto, obviamente, quando estou em reunião, aliás, por mim eu colocaria música na reunião também) com o ipod na orelha. No mesmo espírito do post sobre música para momentos difíceis, também identifiquei alguns padrões meus na hora de ouvir música no trabalho.
Em teoria, a boa música para trabalhar não chama atenção demais para si e provê um ambiente sonoro que é interessante mas fica no background. Isso é verdade em muitos casos, mas eu particularmente prefiro até mesmo o contrário dependendo do contexto.
Essa definição "clássica" me faz pensar em música repetitiva e/ou etérea e/ou abstrata de alguma maneira, então eu caio nos candidatos óbvios: música instrumental ou que usa os vocais como se fosse um instrumento, especialmente jazz, eletrônico e post-rock.
Post rock, no geral, funciona bem demais. As bandas de post rock são as bandas que começaram a partir da metade da década de 80 a usar a instrumentação clássica de rock - guitarra, baixo, bateria, muitas vezes com distorção - para NÃO fazer rock. A maioria é ultra viajante, largamente instrumental e experimental, tem elementos de jazz e faz uso de eletrônico - a equação perfeita de música para trabalhar. Se partir para o puramente eletrônico é legal escolher coisa mais abstrata e viajante também - estilos como o IDM que eu já mencionei no blog costumam funcionar legal quando (não são as vertentes mais agressivas) e obviamente eletrônico ambiente e lounge.
Dentro do jazz você tem um mundo inteiro - de Dixieland até fusion com música indiana - eu recomendo partir para o cool jazz - quando é ruim é total música de elevador, quando é bom é total "música para se ouvir dentro do útero".
Isso vale para um dia típico de trabalho típico, onde você está fazendo algo familiar em algum nível e que portanto não exige esforço intelectual demais. Acho que é óbvio para todo mundo que o nível de esforço intelectual tem uma relação inversamente proporcional com o nível de "abstratice" do que você vai ouvir - portanto preenchi uma tabela com o nível de esforço intelectual do trabalho, o estilo de música que combina e recomendando discos que eu já testei e para foram legais para mim neste contexto. Sei lá, se animar tente um deles e me fala se funcionou para você também.
As duas exceções:
1 - percebo que a maioria das pessoas tem dificuldade de ouvir música muito familiar durante o trabalho. Você acaba cantando junto em vez de trabalhar e as pessoas do escritório ficam olhando para você. Evite discos que você conhece demais.
2 - eu particularmente, quando estou sob pressão, opto por música pauleiraça. Quanto maior for a pressão, mais pesada a música. Fui fazer vestibular escutando coisa tipo metalzão from hell. Acho que algumas pessoas funcionam ao contrário disso. Ou a maioria delas. :-)
* este é o segundo melhor disco para ouvir trabalhando da história da humanidade...
** e este é o primeiro!!
Quando eu inicio um novo projeto uma das primeiras perguntas que eu faço é se a empresa tem alguma restrição quanto ao uso de fone. Ultimamente tenho tido sorte e trabalho boa parte do tempo (exceto, obviamente, quando estou em reunião, aliás, por mim eu colocaria música na reunião também) com o ipod na orelha. No mesmo espírito do post sobre música para momentos difíceis, também identifiquei alguns padrões meus na hora de ouvir música no trabalho.
Em teoria, a boa música para trabalhar não chama atenção demais para si e provê um ambiente sonoro que é interessante mas fica no background. Isso é verdade em muitos casos, mas eu particularmente prefiro até mesmo o contrário dependendo do contexto.
Essa definição "clássica" me faz pensar em música repetitiva e/ou etérea e/ou abstrata de alguma maneira, então eu caio nos candidatos óbvios: música instrumental ou que usa os vocais como se fosse um instrumento, especialmente jazz, eletrônico e post-rock.
Post rock, no geral, funciona bem demais. As bandas de post rock são as bandas que começaram a partir da metade da década de 80 a usar a instrumentação clássica de rock - guitarra, baixo, bateria, muitas vezes com distorção - para NÃO fazer rock. A maioria é ultra viajante, largamente instrumental e experimental, tem elementos de jazz e faz uso de eletrônico - a equação perfeita de música para trabalhar. Se partir para o puramente eletrônico é legal escolher coisa mais abstrata e viajante também - estilos como o IDM que eu já mencionei no blog costumam funcionar legal quando (não são as vertentes mais agressivas) e obviamente eletrônico ambiente e lounge.
Dentro do jazz você tem um mundo inteiro - de Dixieland até fusion com música indiana - eu recomendo partir para o cool jazz - quando é ruim é total música de elevador, quando é bom é total "música para se ouvir dentro do útero".
Isso vale para um dia típico de trabalho típico, onde você está fazendo algo familiar em algum nível e que portanto não exige esforço intelectual demais. Acho que é óbvio para todo mundo que o nível de esforço intelectual tem uma relação inversamente proporcional com o nível de "abstratice" do que você vai ouvir - portanto preenchi uma tabela com o nível de esforço intelectual do trabalho, o estilo de música que combina e recomendando discos que eu já testei e para foram legais para mim neste contexto. Sei lá, se animar tente um deles e me fala se funcionou para você também.
As duas exceções:
1 - percebo que a maioria das pessoas tem dificuldade de ouvir música muito familiar durante o trabalho. Você acaba cantando junto em vez de trabalhar e as pessoas do escritório ficam olhando para você. Evite discos que você conhece demais.
2 - eu particularmente, quando estou sob pressão, opto por música pauleiraça. Quanto maior for a pressão, mais pesada a música. Fui fazer vestibular escutando coisa tipo metalzão from hell. Acho que algumas pessoas funcionam ao contrário disso. Ou a maioria delas. :-)
| Nível Intelectual da Tarefa | Tipo de Música | Recomendo |
| Ameba zumbi | Qualquer um | Ah sei lá vai ouvir Ramones para se divertir |
| Ameba mais espertinha | Qualquer um | Ou Radiohead... Radiohead é legal |
| Pré-mongol | Não tão pauleira | Radiohead - In Rainbows Spoon - Ga Ga Ga Ga Ga Ladytron - Witching Hour Pixies - Death To The Pixies Jesus And Mary Chain - 21 Singles Weezer - Blue Album |
| Playboy/Patilene | Não tão pauleira | Beach Boys - Pet Sounds Roy Orbison - The Essential Elvis Presley - TUDO Luna - The Days Of Our Nights Wilco - Yankee Hotel Foxtrot |
| Macaco | Instrumental | Justice - Cross Groove Armada - Vertigo Mogwai - Tudo Godspeed You Black Emperor - Lift Your Skinny Fists Like Antennas To heaven Slint - Spiderland Miles Davis - Live Evil |
| Normal | Instrumental | Air - Talkie Walkie Galaxie 500 - The Portable Low - Trust Kraftwerk -Minimum Maximum * Panda Bear - Person Pitch ** |
| Busy no MSN | Instrumental abstratão | Aphex Twin - Selected Ambient Works Tortoise - TNT Miles Davis - Birth Of The Cool ou Kind Of Blue Chet Baker - TUDO |
| Desconectado do MSN | Instrumental abstratão | Boredoms - TUDO Clouddead - TUDO Orneth Colleman - TUDO Angelo Badalamenti - as trilhas dos filmes mais esqusiitos do Lynch |
| Fudeu | Pau quebrando | Tipo isso mesmo |
| NASA ou + | Silêncio... No hay banda | NADA |
* este é o segundo melhor disco para ouvir trabalhando da história da humanidade...
** e este é o primeiro!!
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