A música Crazy do último disco chamou atenção à beça por ser (raríssimo) exemplo de música boa que fez um sucesso absurdo. Muita gente deve ter perdido é que o disco era bem sólido e bacana também. A combinação de soul bem cantado, uma voz original e forte com eletrônico, hip hop e pop mostrou tinha personalidade e criou uma fórmula nova - misturar elementos de música negra dos anos 60 com hip hop moderno. Funciona. O segundo disco não inovou muito em relação ao primeiro, mas vindo de dois caras criativos assim ainda vale muito o seu tempo. Vou discordar de toda a crítica e dizer que achei até melhor que o primeiro - não sei até quando esses caras vão se aproveitar dessa onda que eles criaram mas se continuar se repetindo bem assim eu tô dentro.
Nine Inch Nails - Ghosts e Nine Inch Nails - The Slip
Pô Trent Reznor! 5 discos em um ano (Ghosts é quádruplo) ? Dá um tempo para a sua audiência conseguir absorver o som! Assim como o In Rainbows do Radiohead, tanto o Ghosts como o The Slip perigam, no futuro, serem muito falados por causa do lançamento anti convencional (exclusivo na internet e com a possibilidade de ser baixado de graça - aliás, no caso do The Slip, de graça é a ÚNICA possibilidade) e não darem a atenção devida ao SOM que tem dentro dos discos. E são 3 exemplos de discos excelentes. Os dois lançamentos do Nine Inch Nails por ano - resultado da crise do Trent Reznor que sempre detestou publicamente as gravadoras com quem trabalhou e agora pela primeira vez se vê livre - foram meio que um o contrário do outro. O Ghosts é todo instrumental, ambiente, contemplativo, sereno, viajante, como ele mesmo disse, "a tentativa de musicar uma série de imagens abstratas". O The Slip é curtinho, diretaço na veia, e bem porrada - parte logo para te socar na cara e mantém o espancamento até (quase) o final. Por ser próximo (do ponto de vista temporal) do ótimo Year Zero, manteve mais ou menos a onda dele, mas com uma atitude mais "foda-se" que é super saudável para alguém perfeccionista como o Trent Reznor. Imagino ele no fim do dia de gravação toda meticulosa e trabalhada do Ghosts juntando a banda e falando "agora vamos nos divertir", aí começa os barulhão de Drum Machine rapidaça e sintetizador com distorção. Comandou. (para quem é fã de Nine Inch Nails - The Slip = Broken + Year Zero)
No aguardo de: Silver Jews - Lookout Mountain Lookout Sea
MÚSICA INDUSTRIAL era por um certo tempo na década de 80 - bem durante a explosão do post punk - a "música do futuro" e causou um impacto considerável.
Teve uma trajetória mais ou menos padrão para estilos de música relacionados ao rock - começou bem puro, underground, ácido e descompromissado e muito aos poucos foi se modificando para algo mais comercialmente aceitável, terminando como algo que pouco tinha a ver com o seu começo.
Porém, é um caso raro de história que (na minha humilde opinião pessoal) não destruiu com o negócio e em alguns casos gerou uma criaturas híbridas muito interessantes que não seriam tão boas caso não dessem algum nível de abertura para o pop (caso clássico: Nine Inch Nails).
O estilo de música tem esse nome porque foi originado de uns malucos que naquele clima vamos-revolucionar-tudo-acabaram-as-regras que se seguiu à explosão do punk (quando até mesmo o próprio punk não tinha mais forma nem lei) decidiram descobrir até onde vai o extremo e declararam que iam fazer anti música: qualquer som ou ruído é válido como instrumento musical, e foram selecionados a dedo os mais agressivos.
Coisas quebrando, serras elétricas, grandes máquinas funcionando (ou falhando), fita K7 enrolando no deck, explosão, vidro espatifando, serrote serrando. Caos, barulho, ruído. É neste momento que te dou uma pausa para dizer "mas isso não é música" e decidir se quer parar de ler neste parágrafo.
Não parou? Então vamos lá. O que era feito no início era gravar tudo quanto é barulho de fontes diferentes (quase sempre agressivas) e organizar estes barulhos em padrões repetitivos através de sintetizadores, sequencers e outras ferramentas de música eletrônica. O resultado é escutar alguma coisa semelhante a ouvir uma fábrica trabalhando ou uma construção em andamento em loop, o que gera uma espécie de efeito hipnótico e te coloca em um clima diferente e pesado, tenso. Não estou aqui para debater o que é ou não é música, mas minha humilde concepção pessoal qualquer produto de áudio desenhado para quando ouvido afetar o estado do ouvinte se chama música.
É música textural - é para a música alguma coisa semelhante a pinturas abstratas que não tem significado, são somente texturas jogadas em uma tela. E é pesado, razão pelo qual foi adotada pelo pessoal do metal e do punk. Ou seja, não é para todo mundo de forma alguma, mas para quem se interessar pode ser um verdadeiro portal para um universo diferente.
Note que esse efeito de "usina trabalhando" só existe primariamente nas primeiras obras das bandas mais radicais (Throbbing Gristle, Neubauten), e mesmo essas bandas mudaram muito e se tornaram cada vez mais "musicais" com o passar do tempo. Na verdade o fato de ser baseado em música eletrônica E ser considerada música pesada fez com que o estilo gerasse filhos que se aprofundavam cada vez mais em um dos lados - posteriormente você teve bandas que são basicamente uma forma de metal eletrônico (Ministry), que são até dançantes (Meat Beat Manifesto), e as anomalias que estão exatamente no meio entre metal pesadão e house de pista de dança (KMFDM), e tudo era chamado de industrial. Se tornou a música padrão para tocar em clubes góticos porque dá para dançar mas não deixa de ter um clima soturno.
Mesmo bandas que eram basicamente metal puro mas incorporavam samplers e repetição foram consideradas uma espécie de "industro-metal", caso do Fear Factory e do Nailbomb. Eu não sou purista e não tenho nada contra essa distorção, gosto da maioria dessas bandas.
Hoje é tido como um gênero meio morto, você nem ouve falar de novas bandas de música industrial que estão revolucionando o estilo. Você vê o impacto em todos os lugares - desde Chelsea Wolfe até Slipknot - porém acho que os conceitos foram mais banalizados que assasinados, a partir do momento que quase tudo virou uma espécie de música industrial por causa da predominância do eletrônico ele não existe mais.
Estou no espírito fiz uma playlist brutal para ouvir durante a semana. Um breve comentário sobre o quê eu coloquei nela para que interessar por dar uma explorada também:
Neubauten - já falei deles aqui. É semelhante a colocar os alunos de medicina abrindo cadáveres no primeiro período - ou aguenta ou desiste logo. Para mim é o grande ícone e tem diversas fases interessantes - começando com quase ruído puro mas chegou a fazer coisas até mesmo mesmo muito BONITAS posteriormente. Lê meu post, vai!
Throbbing Gristle - já falei de leve aqui, e não muito bem :-). É muito importante historicamente, porém é MUITO difícil de ouvir, até mais que o Neubauten, pesado demais, estressante demais, intelectual demais, em todos os sentidos. Vale conhecer e se souber selecionar algumas coisas vão - um disco inteiro, sei não.
Ministry - imperdível e fez alguns dos meus discos preferidos. Ministry dá vontade de chutar alguma coisa, de quebrar uma janela. Tem um poster do Ministry no meio da minha sala e a Lola adora. Falei legal deles aqui.
Nine Inch Nails - basicamente é a banda que viabilizou o industrial como estilo comercial, ou seja, pegou algo que era obscuro e dava medo nas pessoas, misturou com um pouco de pop e fez funcionar para todo mundo (isso é um elogio, demanda uma quantidade brutal de talento). É engraçado visualizar o início synth pop deles - começou como um Depeche Mode do mal - e ver até onde isso deu. Reparem como em discos recentes como o Year Zero e o Ghosts voltaram a incorporar muito barulho puro. Até hoje está entre as 5 bandas que eu mais gosto. Falo deles sempre.
KMFDM - os reis do industrial alemão (famoso Kill MotherFucker Depeche Mode heheheh), é uma espécie de Ministry interessado em tocar nas pistas de dança e incorporar elementos como backing vocals femininas negonas e batidas retas misturadas com guitarras pesadaças ultra repetitivas. Não parece legal no papel mas é MUITO BACANA :-).
Destaque para as capas dos discos - não deixe de clicar aqui!
Skinny PupPY para o anônimo antipático) - como o próprio Trent Reznor admite, Skinny Puppy é o proto-Nine Inch Nails, alguma coisa que tem doses iguais de barulho, guitarra pesada e synth pop. Misture Sepultura, Daft Punk e Eurythmics peça para uns góticos tocarem isso que sai o Skinny Puppy (que é o que está tocando no meu ouvido neste exato momento e é sempre a primeiríssima coisa que vem na minha mente quando eu ouço falar em industrial). Se a voz do vocaliste OGRE não fosse tão estranha tinha feito sucesso antes e mais do quê o Nine Inch Nails. O disco Singles Collected é obrigação, se vire aí agora.
Coil - Uma espécie de "música ambiente industrial", Coil faz alguma coisa ainda mais textural e constante que as outras bandas citadas aqui, é a banda mais "quieta" e "calma" que eu citei aqui porém é capaz de gerar um clima absurdamente sinistro. Sério, eu já tentei e nunca consegui ouvir Coil dirigindo no carro, eu sempre fico com a sensação que vou bater (!). Esses caras fizeram a trilha sonora do primeiro Hellraiser - que foi rejeitada por ser muito sinistra. Deu para entender?
Nailbomb - projeto industrial do Max Cavalera, fez só um disco mas deixou um dos DVDs ao vivo mais legais que eu já vi na vida. Minha mãe entrou no meu quarto correndo perguntando se estava tudo bem comigo na primeira vez que eu vi.
Também recomendo: Front 242, Meat Beat Manifesto, Pop Will Eat Itself, os discos de remix do Fear Factory
Afinal agora consigo fechar minha lista de discos preferidos de 2008... e o que sair agora em Dezembro entrou atrasado e rodou!
Já tinha feito no meio do ano um resumo do que eu mais tinha gostado até lá. Na verdade fiquei uma semana inteira fazendo. Esses todos permanecem na lista, e são, sem nenhuma ordem em particular:
Portishead - Third (para mim ficou como o disco do ano fácil)
Demorou 11 anos para voltar, cumpriu a expectativa, criou um clima único e conseguiu se manter como uma das bandas mais interessantes (para não dizer emocionantes) do mundo.
Nick Cave - Dig Lazarus Dig
Disco mais solto e rockeiro da carreira do Nick Cave. Aliás, é um disco do Nick Cave. Ponto.
Cavalera Conspiracy - Inflikted
Pau quebrando sem dó e mantém sua atenção sequestrada.
E o que saiu depois destes posts? Teve muita coisa bacana ainda...
Fleet Foxes - Fleet Foxes
Se não fosse o Crystal Castles seria a melhor banda nova do ano. Bem acústico e muitíssimo bem trabalhado (principalmente, bem cantado), com certeza as músicas mais bonitas feitas em 2008. Se eu morasse em uma fazenda só ia escutar isso.
Esse foi o 2008 para mim. No geral, bom ano para música, seria melhor que 2007 se 2007 não tivesse tido um disco do Radiohead. Vamos ver o que 2009 traz. Me avise se esqueci de algum.
Nine Inch Nails e Jane's Addiction fazendo uam turnê juntos -> fodaço Nine Inch Nails e Jane's Addiction gravam um EP com músicas novas para comemorar -> maravilhoso Nine Inch Nails e Jane's Addiction colocam o EP online para baixar de grátis -> VTF!
Detalhe: saindo agora para o show da minha vida :-D
Depois que o contrato do Nine Inch Nails com as gravadoras terminou, o Trent Reznor chutou o balde. Não fazia muito tempo que havia saído o (ótimo) Year Zero ele lançou o disco com as versões remixadas das músicas (remix de gente foda como The Knife e os caras do New Order), gravou um cd quádruplo (!) de música instrumental para download parcial de graça ou inteiro por 5 dólares (Ghosts) e agora, nem dois meses depois, totalmente do nada (sem nenhum anúncio prévio) colocou o disco novo do Nine Inch Nails que ninguém nem sabia que ele tava gravando no site. E esse só tem uma forma de ser adquirido - totalmente de graça.
O Corvo Teve um período durante a minha adolescência em que eu visitava muito São João Del Rey mas, por razões pessoais, quis diminuir minhas saídas à noite na cidade. Passei muitas noites desse período num quarto na casa da minha avó, deitado no chão com as caixas de som dos dois lados da minha cabeça, virando a noite escutando música. Hoje, com a distância, vejo que foi um período chave que formou muito do meu gosto musical.Um dos discos que mais foram escutados nestas noites solitárias foi a trilha sonora do Corvo. Baseado em um quadrinho ghotic-punk, acertaram muito no primeiro filme, que teve bastante sucesso em adaptar esse clima para a tela, com ênfase igual tanto no "gótico" quanto no "punk". Para quem conhece rpg, me lembra demais o clima do jogo Wraith (do qual sou muito fã até hoje).Claro que a trilha teve que acompanhar essa onda e é bastante baseada nessa onda de gótico-deprezão-porém-agressivaço e em vez de cair nas armadilhas fáceis preferiu investir em versões interessantes.Tem The Cure (que fez a música Burn só para o filme), Jesus And Mary Chain e Violent Femmes para garantir que é deprê o suficiente; tem versões bacanas como o Nine Inch Nails fazendo cover de Joy Division (dead souls - lindaça), tem o Henry Rollins fazendo cover de Suicide, tem uma música do Rage Against The Machine que não saiu em nenhum outro disco.Tem também umas bandas de industrial obscuro que são legais tipo Machines os Loving Grace e My Life with the Thrill Kill Kult (não tem nada mais a cara do filme que industrial); e ainda tem umas porradaças (tipo Milquetoast, a melhor música do Helmet, aliás, uma das melhores músicas de metal da década de 90).Escute essa trilha se imaginando em uma cidade escuraça onde chove o tempo todo e tomada pela violência de gangs nas ruas com implantes cibernéticos.Nota: ignore as continuações do filme e suas respectivas trilhas.
Blade Runner Todo esse papo de "cidade escura dominada por gangs cibernéticas" acima logicamente me lembrou de Blade Runner, que além de excelente (muita gente até hoje considera o único filme realmente cyberpunk apesar de muitas outras tentativas) a trilha do Blade Runner demorou 10 anos para ser lançada em sua versão completa depois do filme.A esmagadora maioria da trilha foi feita pelo Sr. Evangelos Odysseas Papathanassiou (que todo mundo conhece por Vangelis), um grego que compõe música eletrônica misturada com música clássica. As músicas do Blade Runner são quase todas tocadas em sintetizador e com um estilo bem melódico, melancólico e futurista ao mesmo tempo se tornaram tão parte do clima do filme quanto a cidade decadente.Me passa totalmente a viagem de isolamento melancólico do Deckard (personagem principal). Aliás, não escute essa trilha se você ainda não viu o filme (e se for esse o seu caso vai resolver isso né meu amigo).
Assassinos Por Natureza Um filme que abre com uma tomada de uma estrada no deserto e com uma música do Leonard Cohen (para quem não conhece, a grande inspiração do Nick Cave) vale ser visto só por essa cena. Um filme que tem uma cena de uma garota magrela espancando (aliás matando) um redneck enquanto toca uma música do L7 vale ser visto só por essa cena. Um filme que tem Burn do Nine Inch Nails tocando em QUALQUER cena já vale ser visto - eu juro que eu quase chorei quando fui no show deles e começou a batida esquisita dela. Aliás, é umas das duas trilhas que eu vou citar que foram compiladas pelo Trent Reznor, que se provou um cara que sabe fazer isso muito bem.Esse filme, assim como o Blade Runner, tem a trilha sonora muito entranhada nas cenas, as músicas fazem tanto parte do filme e são tão importantes quanto os personagens e o roteiro. E elas são absurdamente bem escolhidas - além das citadas só tem coisa muito legal tipo Patti Smith, Jane's Addiction e Lard. Pena que as músicas do Rage Against The Machine que tocam durante a revolta na prisão não entraram no cd.
Velvet Goldmine Sendo uma viagem sobre a relação entre o Iggy Pop e o David Bowie na década de 70, e sobre toda a onda do glam rock que havia em torno deles, essa trilha não tinha como errar.Não consegui entrar muito no filme por ser muito direcionado aos gays - não sou homofóbico mas obviamente não consegui comprar a viagem do filme - e pelo jeito o David Bowie também não já que não deixou suas músicas entrarem na trilha por não gostar do roteiro. E olha que Velvet Goldmine é o nome de uma música dele.O "Iggy Pop do filme" se chama Brian Slade e sua banda se chama Venus in Furs. O Venus in Furs na vida real é formado por membros do Radiohead (Thom Yorke e Jhonny Greenwood), Suede e Roxy Music. A banda do "Iggy Pop" (Curt Wild's Wylde Ratttz) é formada por membros dos Stooges, Sonic Youth, Minutemen e Mudhoney. Ou seja, só cara foda de bandas que estão entre as minhas preferidas. E ainda tem mais coisas excelentes (Placebo, Brian Eno, Pulp, Lou Reed, Teenage Fanclub etc).Se quiser pule o filme, mas escute a trilha que acabou se tornando um excelente introdução para essa época (foda) do rock.
Matrix e Matrix Reloaded A trilha do Matrix e do Matrix reloaded é 50% boa. Eu particularmente teria usado muito mais eletrônico/industrial (colocaria algumas coisas tipo KMFDM, Sister Machine Gun, Big Black, Front 242 etc), acho que combinaria muito melhor para o filme (aliás eu tenho mania de bolar "trilhas sonoras alternativas" na minha cabeça para os filmes que eu vejo).Essas duas trilhas tem umas coisas mega porcaria (tipo P.O.D. e Linking Park) então esteja avisado!Mas com a popularidade dos filmes algumas músicas que seriam obscuras se tornaram clássicos - tipo a Spybreak dos Propellerheads que se tornou quase a "música tema" do filme e Dragula do Rob Zombie.Em alguns momentos os produtores concordaram com a minha idéia e colocaram uns industralzão do mal tipo Ministry e Meat Beat Manifesto. Eu também gosto das músicas do Prodigy e do Rammstein que entraram.A do Matrix Reloaded tem uma das melhores música dos Deftones para mim (Lucky You) e até Team Sleep (que é um projeto paralelo dos caras do Deftones que ainda não lançou nenhum disco).Essas trilhas ficaram datadas meio rapidamente - não soam nem um pouco "modernas" como soaram na época que o filme saiu - mas tenho a impressão que farão muito sentido quando chegar 2020 e a clássica "nostalgia de duas décadas atrás" fazer os anos 2000 virarem o que os anos 80 são hoje.
Direto na veia: são os discos que eu mais gostei e escutei durante o ano, sem nenhuma ordem particular de preferência. Durante os próximos dias vou postar os que se destacaram (pelo menos em meu ipod) em outros estilos - hip hop, eletrônico, e a categoria que vou chamar de "pau quebrando" onde vou incluir punk e metal.
Não entrou nesta lista o que não tem 5 estrelas para mim.
E aliás faço questão de citar um "don't believe the hype" - discos que estão sendo muito falados mas para mim não é isso tudo não.
Radiohead - The King Of Limbs (incluindo os singles e remixes)
Quando o novo do Radiohead saiu absolutamente do nada, de forma geral a reação foi de estranheza. Acabaram de vir de um disco bem orgânico (In Rainbows) e voltaram com um disco onde tudo é ritmo e só ritmo importa, bem eletrônico e experimental, e bastante curto (8 músicas). Eu gostei de cara e fizeram exatamente o que o Radiohead faz: qualquer coisa menos o que você estava esperando. Eu continuo fã incondicional. Para entender realmente este disco, você precisa penetrar no universo dele - explorar a extensa arte que vem com disco, ver as músicas serem executadas ao vivo no vídeo From The Basement, escutar o disco duplo de remixes, escutar os singles que saíram depois que já acrescentaram 4 músicas novas às 8 originais. Como a árvore que inspira seu título, foi uma espécie de semente de disco que vai crescendo e gerando outros ramos. E um disco pequeno que para mim já parece um mundo inteiro.
Um disco doído de ouvir mas que não soa exibicionista, artificial ou "tenham pena de mim" - soa ao mesmo tempo muito pesado mas muito sincero, como um exorcismo de demônios reais. Difícil explicar o som da EMA - a progressão do álbum me lembra uns clássicos como o Downward Spiral do Nine Inch Nails, onde o som é muito variado e pode atingir picos de barulho e de intensidade e do nada parar tudo em uma balada acústica. Mas não pense tanto em eletrônico, pense em uma artista que tem voz e personalidade próprias e fortíssimas e que busca o que a música pede para se expressar - seja o clássico baixo guitarra bateria, seja sintetizador, seja um simples violão. Prefiro que você assista a um dos vídeos mais bonitos do ano (e pertubadores se você estiver prestando atenção na letra):
TV On The Radio - 9 Types Of Light
Na minha humilde opinião pessoal, existem 3 bandas relevantes de verdade que fizeram um som que chamo de "isso é dos anos 2000" e que não podem ser confundidas com qualquer outra época (chega de 80 né): The Knife, Liars e TV On The Radio. Eu chamaria o TV On The Radio uma banda de funk mutante. O som é bastante original e ousado sem perder a facilidade de ouvir e processar, é inclusive bem dançante, o que é um milagre por si só. Imagine o que o Prince estaria fazendo se ele viesse do futuro e de outro planeta ao mesmo tempo. Gosto de todos os discos mas por alguma razão que não consigo explicar o desse ano me pegou de jeito e virou meu preferido. Escute no headphone - tem muito detalhezinho interessante que não pode passar.
Menções Honrosas:
Here We Go Magic - The January EP - onde o Here We Go Magic prova que embaixo de toda a doideira o que existe ali é muito talento para compor. Girls - Father, Son, Holy Ghost - onde aprendemos que o Roy Orbison influencia positivamente o rock até hoje (a voz não tem nada a ver mas é espiritualmente bem parecido) e entendemos qual é a diferença entre um ÁLBUM e uma coleção de músicas qualquer. My Morning Jacket - Circuital - onde o My Morning Jacket consegue ao mesmo tempo continuar fazendo o que fazia e não gerar uma sensação de repetição, e sim de "me dêem mais disso" Dirty Beaches - Badlands - onde descobrimos que um Filipino que pensa que é o Elvis e grava na cozinha de casa é uma boa receita para fazer música legal.
Um dos meus filmes preferidos do meu diretor preferido (já deu para perceber que é o David Lynch né), tive que ver Lost Highway umas 15 vezes e passar muitas noites discutindo ele em mesa de bar para conseguir entender direito o filme (ou me iludir que eu entendi).O David Lynch disse ter tido toda a idéia do filme nas sensações que ele sente dirigindo por auto estradas vazias à noite, experiência que eu tenho passado bastante já que estou em deslocando 900 km por semana para trabalhar. A outra viagem que foi incorporada no filme é a vontade de ser outra pessoa e/ou de recriar sua vida do zero, especialmente entre quem está com algum grande problema nas mãos.O filme é um dos mais noir do David Lynch, é bem dark (para mim é um filme de terror) e muitíssimo surreal.Junte essas idéias e você pode imaginar a trilha: ansiosa, misteriosa, dark, surreal, etérea, criativa e excelente. Talvez a minha trilha sonora preferida.Quem compilou ela foi (novamente) o Trent Reznor. Diz ele que o David Lynch chamou ele num canto do set e mostrou para ele um pedaço de carne que havia caído no chão e um monte de formigas e outros insetos que estavam rastejando e devorando ele. "Assim que eu quero que seja a trilha desse filme".O Trent Reznor usou desde Tom Jobim (Insensatez, puta música melancólica) até Rammstein,e novamente fez uma das melhores músicas do Nine Inch Nails para um filme (neste caso, The Perfect Drug); tem uma das melhores músicas do Smashing Pumpkins na minha opinião (Eye). Tem bastante Angelo Badalamenti, que é compositor de quase todas as trilhas do David Lynch e um dos melhores compositores de trilhas sonoras no geral para mim. Trabalha principalmente com jazz surreal e para mim ele faz na música algo próximo que o Lynch faz no cinema.O início do filme, enquanto toca I'm Derranged do David Bowie (maravilhosa) é uma das aberturas de filme mais marcantes que eu já vi.PS: eu tenho um gigantesco ódio particular de imbecis que dirigem de maneira sem noção na estrada, por isso a cena do filme em que o Mr. Eddy (um mafioso) é colado e depois fechado e se vinga do motorista fdp é uma das minhas cenas preferidas da história do cinema. Pqp agora me deu vontade de ver esse filme de novo!
A História Real
Já que estou falando de David Lynch, vou aproveitar e mencionar outra trilha que eu amo. A História Real (The Straight Story) chama atenção por três pontos principais: primeiro, porque apesar de surreal é de fato uma história real, de um fazendeiro que atravessou do Iowa até o Wisconsin dirigindo um cortador de grama. Segundo, porque é um filme bonitaço e excelente. E terceiro, porque é com ele que o David Lynch prova que não precisa se repetir e que ele consegue fazer um filme bom seja qual for a temática ou o estilo; esse filme não tem as marcas dele (surrealismo, clima dark etc) e é tão bom quanto os seus outros filmes.A trilha sonora é toda do Angelo Badalamenti, que eu já elogiei acima. Em vez de trabalhar com jazz ele entra na viagem do filme e faz um trilha bem rural e tanquila, muito bonita, intrspectiva e acima de tudo imersiva. Basta ouvir a sanfoninha que ele usa na música que toca enquanto o velho viaja pela estrada que você - onde estiver, e fazendo o que estiver fazendo - se transporta na hora para um lugar mais calmo, tranquilo e bonito. Você sai da sua cadeira no trabalho e vai sentar num cortador de grama que está viajando na estrada.Como Blade Runner, essa trilha não vai ter um décimo do significado para você se não ver o filme antes - e como Blade Runner, se não viu, você está errado. :-)
Legend of Zelda - The Twilight Princess
E uma vez que estou falando de trilhas imersivas, vou chutar o balde e não vou deixar de mencionar essa triha feita para um jogo de videogame. Isso mermo!Quando eu joguei Zelda estava numa fase ruim de indefinição na vida, foi quando eu estava transicionando de tentar com minha empresa, que não estava dando muito certo, para voltar a trabalhar para os outros. É claro que foi confuso e um pouco deprimente e meu refúgio para esquecer minha vida um pouquinho era Zelda.Não quero ficar fazendo review de videogame aqui, para entender porque eu coloco essa trilha entre as trilhas de cinema basta saber que é o jogo mais imersivo do mundo. Sério. Foi o único jogo de videogame na minha vida que eu por vezes ligava não para avançar com a história mas só para montar no cavalo e sair cavalgando pelo mundo, vendo as paisagens e as criaturas que vivem lá e conversando com os personagens. Até hoje eu tenho vontade de fazer isso.A trilha, além de ser formada de músicas orquestradas maravilhosas, é tão imersiva quanto o jogo. Eu gostava de trabalhar ouvindo as músicas do Zelda e entrava dentro do mundo de Hyrule na mesma hora.Resta saber se ela vai ser relevante e bonita mesmo para alguém que não jogou. Se alguém animar a tentar me avise qual foi o resultado.
Party Monster
(Ótimo) filme do Macaulay Culkin que mostra a história (real) dos amigosa bicha loucas Michael Alig e Seth Green, que eram promotores de festa em Nova Yorke e foram (parcialmente) responsáveis pelo surgimento (ou pelo menos da definição do que hoje entendemos por) a cultura rave, as festas exageradas e o culto à música eletrônica.O uso de drogas desses dois no filme em níveis absurdos (eles colocavam uma bandeja cheia de pílulas no forno e esse era o "jantar") foi diminuído em relação ao real por medo do público achar que o mostrado no filme era irreal. Quando teve uma de suas overdoses Michael Alig saiu da cama do hospital carregando o soro no braço e deu uma festa em que todo mundo tinha que ir vestido de médico e enfermeira.Hoje está na prisão porque matou seu traficante. A trilha acompanha essa época de abusos surreais e festas sem controle do fim da década de 80/início da 90 e tem muito eletrônico excelente, não necessariamente desta época - usaram muita coisa mais moderna que veio depois também.Na verdade funciona como ótima coletânea para quem quer conhecer alguns dos destaques do eletrônico dos últimos anos - Vitalic, Felix Da Housecat, Ladytron, Miss Kittin, Scissor Sisters - e tem umas coisas mais velhas dançantes tb - Dead Or Alive, Pet Shop Boys (que eu não gosto), até Nina Hagen.
Spawn
Um personagem legal, um filme não tão legal e uma trilha com uns 50% de acerto como a do Matrix. Mas quando acerta, acerta muito.A idéia da trilha do filme do Spawn era misturar sempre uma banda de metal com produtores famosos de música eletrônica e ver no que dá. Gosto da idéia e poderia ter dado mais certo se as escolhas fossem melhores, mas tentando acumular o que era popular na época acabaram selecionando algumas coisas meia boca ou ruins mesmo - Incubus (meia boca), Silverchair (lixo total), Metallica (eu sei que tem muita gente que gosta, eu só gosto do primeiro disco), Korn (mesmo caso).Mas quando acerta detona - é o único cd em que você pode ouvir coisas absurdas como Slayer tocando junto com Atari Teenage Riot, Butthole Surfers com Moby, Prodigy com Rage Against The Machine, Henry Rollins com Goldie ou a melhor música "Can't You Trip Like I Do" que acabou sendo talvez a melhor música do Filter, feita junto com o Crystal Method. Escuta pelo menos essa.
Entre as bandas que foram tão escutadas na minha adolescência que se entranharam no meu DNA de um jeito que não sai mais (tatuagem nos genes), se eu me basear no número de vezes em que eu ouvi, Alice In Chains tem uma grande chance de peitar Ramones, Nine Inch Nails, Radiohead e outros hits do meu som dessa época. Escutava diariamente e até hoje te desafio a me mostrar qualquer música deles que eu não sei a letra de cabeça. E é alta a possibilidade de eu também saber tocar ela na guitarra. Escuto pouco hoje (não que eu não goste mas a obra deles foi curta e já foi mais que absorvida tem muito tempo), mas um lembrete foi um dia em que, dirigindo na estrada e escutando o ipod no shuffle, começou uma música tão densa, climática e simplesmente magnética que eu cheguei a assustar até reconhecer que era uma música da carreira solo do guitarrista deles. O negócio era poderoso.
Em 1994 um projeto atraiu um grande interesse inicial e quando foi percebido que não era uma banda óbvia prontinha para rádio e igualzinho as anteriores ficou meio esquecido. Exceto por quem gosta de música boa. Mad Season foi formado pelo guitarrista do Pearl Jam (Mike Mc Cready) que, numa clínica de reabilitação conheceu o baixista John Baker e chamou o baterista dos Screaming Trees (Barret Martin) e o seu amigo Layne Staley, vocalista do Alice In Chains, para fechar. O que você tem que entender sobre Mad Season é o momento: provenientes de bandas que estavam no auge (tanto artístico quanto comercial), e ao mesmo tempo com a vida pessoal esmagada (drogas principalmente), todos os envolvidos - o baixista e o Layne Staley morreram pouco mais tarde, os dois de overdose - atravessavam um período difícil e confuso, onde havia o agravante que o mundo estava prestando atenção neles. Já vi os membros da banda dizerem que estavam numa viagem de fazer música espiritual, que tenha significado profundo para as pessoas, e de quererem experimentar o que não encaixava nas outras bandas.
Então a música do Mad Season é a reflexão de tudo isso: espiritual, lenta e contemplativa, bonita de um jeito muito triste, o disco é super melancólico e por vezes pesado. Não se parece em nada com Pearl Jam, Alice In Chains ou Screaming Tress. Tem música feita por improviso na hora, tem música que leva saxofone (de uma maneira NÃO BARANGA por milagre), tem música instrumental, tem música triste de fazer chorar. O clima do disco é bem resumido numa frase de River Of Deceit, que foi a única música que ficou um pouco conhecida: my pain is self chosen.
Pouco conhecido, pouco lembrado, só fez um disco (Above) pouco falado. Mas toda vez que eu sento com uma guitarra já reparei que sem perceber em algum momento sai uma música deles. Não posso lutar contra meu DNA.
Mais ou menos em 1992 os alguns alemães se encheram do tanto que a música eletrônica de Berlin estava dominada pelos neo-nazi e fizeram uma banda de punk-eletrônico-destruidor-de-dar-dor-de-cabeça chamada Atari Teenage Riot para iniciar um quebra pau com os carecas. Esse som eletrônico barulhentão anarquista foi chamado de digital hardcore pela própria banda e assustou até quem gosta de música pesada (dizem que show deles em Belo Horizonte foi o mais pesado da história, isso vindo de uns caras que já foram em show de black metal para baixo).Uma banda dessa intensidade nunca dura muito - os caras já foram presos por incitar a violência (a única coisa que eles estavam fazendo na verdade era tocar na caçamba de um caminhão no meio da rua mas o público sem noção deles provavelmente estava destruindo tudo por perto), começaram a se cortar no palco e um deles se tornou psicótico por uso prolongado de drogas (isso antes de morrer de overdose em 2001). A partir daí o Alec Empire (que para mim sempre foi o mais talentoso da banda) começou uma carreira solo muito interessante e segue bacana até hoje.Muito menos barulhento mas tão agressivo quanto (dê uma sacada depois no disco que ele fez remixando Elvis), os discos solo do Alec Empire foram gradualmente se afastando do rock e se aproximando do electro. Mais recentemente ele deu meio que uma acalmada mas como o sujeito é selvagem a música dele, agora muito mais sutil, sempre vai ter a presença de algo meio psicopata por trás, mesmo que seja algo meio subliminar - para não falar que é música eletrônica extremamente criativa e empolgante.
Esse Golden Foretaste of Heaven é meio o disco de electro-glam dele - pode colocar em uma festa tranquilamente que é muito dançante e não vai fazer as pessoas correrem da sua casa. Dançante porém irônico e retém o espírito punk - para mim esse é o melhor tipo de eletrônico. Recomendo! Nota: o disco saiu bem no finalzinho de 2007, mas como no fim do ano todos nós só podemos escutar as músicas de natal do Elvis eu decidi que ele é de 2008 ;-)
British Sea Power - Do You Like Rock Music?
O British Sea Power é uma ótima banda que não se revela nas primeiras audições. Eles são um bando de malucos da Inglaterra que tinham o hábito de tocar usando roupas de soldados da segunda guerra mundial. Quando você começa a escutar não desagrada. O som indie-pop-viajante deles, com os vocais bem chorosos e muita guitarra melódica bonitona, te tapeia e parece ser mais uma daquelas bandas épicas e emocionantes porém sem muito diferencial,o clássico "legalzinho" mas nada demais. Até que, sem perceber, você foi enganado por eles e tomado pura e simplesmente pela qualidade super sólida das composições.A banda só faz música muito memorável e bonitona, viciante, bem tocada e que fica na cabeça obssesivamente quando você passa a conhecer melhor. O problema é que toda vez que sai um disco novo deles você tem que passar pelo ciclo todo de novo: começa achando "legalzinho" e quando repara já caiu na armadilha de novo.Eu só consegui largar o vício do ótimo disco anterior deles (Open Season) quando absorvi esse (também ótimo) Do You Like Rock Music. Escute sem falta mas dê uma chance para as músicas assentarem na sua cabeça. Depois pode me culpar pelo seu novo vício.
Clark - Turning Dragon Outro bom disco de música eletrônica, o Chris Clark é um produtor inglês que trabalha normalmente gravando uns pedaços de bateria real (acústica) e construindo com esses samplers umas batidas complicadas de IDM - aquele estilo Inteligent Dance Music que está mais para Impossible to Dance Music.Eu vejo ele como uma espécie de mistura entre o Aphex Twin e o Trent Reznor - não tem nada de rock (é bem barulho de sintetizador mesmo), é anti-convencional e um pouco marciano como o Aphex Twin mas tem uma veia um pouco mais agressiva e incorpora um monte de barulhos do nada como o Nine Inch Nails. Parece música feita por máquinas que estão estragando - o som do mundo digital se desintegrando.As músicas que tem vocal (como Volcan Veins) são caóticas, parece que tem uma pessoa perdida entre essas máquinas começando a pegar fogo querendo achar um caminho de saída. Algumas tem um pouco de influência de hip-hop, mas me parece um hip-hop estranho que um computador que foi programado para isso (e meio estragando também) fez sozinho. É difícil explicar este disco, mas eu diria que o sentimento dominante é ansiedade. Não escute isso trabalhando (ou seja não faça como eu).
Existe música que capta de uma maneira tão brutal e honesta e direta e sem firulas o sentimento de tristeza que acaba saindo de uma maneira mais poética e bonita que a própria tristeza verdadeira; dá vontade de ficar triste. E se você estiver triste quando ouvir, acaba, de certa forma, se sentindo menos sozinho já que alguém passou por aquilo e registrou para você absorver depois. Existem diversos tipos de tristeza, claro - desde a melcancolia que é mais "de saco cheio do mundo" (Walkmen) até a tristeza raivosa (Nine Inch Nails). Para mim o rei de conseguir captar a tristeza de verdade - na verdade, de conseguir captar qualquer sentimento que dê na telha dele, mas muito frequentemente ele opta pela tristeza - é o Mr. Leonard Cohen.
Leonard Cohen faz parte daquela escola de camaradas que é mais escritor que músico (na verdade o Canadense realmente lançou o primeiro livro antes do primeiro disco). Só que muitas vezes ele escreve para cantar junto com violão (com uma puta voz expressiva) e não para ser lido. Se ele fosse só um escritor, já seria um escritor fodaço - que consegue escrever com um sentimento absurdo que eu só posso chamar de esmagador. E quando ele coloca esses sentimentos em música sai algo que só se pode chamar de mágica. O estilo é folk - um folk sinistro com um violão simples e tristonho e uma voz roucona e grave que obviamente processou muitíssimo cigarro e bebida e está ali para cantar sobre isso - mas é completamente atemporal. Dá a impressão que poderia ter sido feito em qualquer época. Mas não por qualquer um.
E o som do Leonard Cohen também não é para qualquer um. Não quero dizer que Leonard Cohen é "só para a elite". Quero dizer que em um tipo específico de personalidade - acho que de maneira geral só quem tem um pouco mais de sensibilidade e já passou por maus bocados vai conseguir entender ele de verdade. Mas que não fique a impressão que ele só faz música triste - ele canta sobre tudo, e consegue ser tão esperançoso quanto devastador. Depois de ouvir "The Future" -
Give me crack and anal sex take the only tree that's left stuck it up in a hole in your culture I've seen the future brother it is murder
escute "Suzanne" -
And jesus was a sailor When he walked upon the water And he spent a long time watching From his lonely wooden tower And when he knew for certain Only drowning men could see him He said all men will be sailors then Until the sea shall free them
Caramba. Eu realmente queria escrever assim. :-(
Ainda bem que ele anda sendo reconhecido. A primeira música que toca no Assasinos Por Natureza é dele. Todo mundo - desde Bob Dylan até as bandas do indie de hoje - já prestaram homenagem. U2 gravou Tower Of Song. Nick Cave declarou que descobriu que queria ser músico quando ouviu o Songs Of Love And Hate na casa de uma garota. Há pouco tempo fizeram um filme homenagem para ele chamado I'm Your Man. Confira. E fico feliz inclusive de saber que ele meio que achou um caminho para ele - assim como o David Lynch hoje ele é adepto da meditação e diz que é a única porta para a felicidade.
Uma das músicas mais famosas do Leonard Cohen diz que ele está esperando o milagre chegar. Para nós, desde 1934, ele já chegou.
Comece por - a discografia é grande, então para ter uma visão geral escute a coletânea dupla The Essential. Mas qualquer coisa dele é foda. Inclusive as mais atuais, o que é raro em uma carreira de 40 anos.
A primeira vez na vida em que eu vi um filme do David Lynch foi em uma noite em que o Coruja e o Zé Luna (quem mandou andar nessas companhias) alugaram o Fire Walk With Me e nós vimos juntos.Me lembro de entender pouco do filme mas ter certeza que ele fazia muito sentido; o sentido estava ali, bem próximo e ao mesmo tempo inalcançável como quando ficamos com uma palavra na ponta de língua que não sai. Me lembro também de ficar vários dias meio perturbado com o filme e de demorar muito para decidir se eu gostei ou não; depois cheguei à conclusão que alguma coisa que conseguiu me afetar tanto não poderia ser desprezada.
Tive uma experiência parecida com o Einstürzende Neubauten (pronúncia: !%$¨#$¨&** Nóibáuten - não conheço ninguém que sabe falar a primeira palavra direito). Ouvi pela primeira vez numa fita VHS que eu vi na casa de um amigo quando eu tinha uns 15 anos. A fita tinha um show da Diamada Galas (basicamente uma vampira que faz música só com voz e piano muito mais black metal que as bandas de black metal) e um show deles. O show do Neubauten consiste em uns alemães gritando em um palco espancando todo tipo de objetos (carrinho de supermercado, serrando madeira, sacudindo um monte de areia, já usaram até turbina de avião). Às vezes tinha um pouco de baixo acompanhando tudo isso de uma maneira super minimalista.
"Neubauten" significa algo como "prédios novos". Lá em Berlin eu vi o que são os Neubauten: são conjuntos de prédios que existem pela cidade que foram construídos após a segunda guerra para repor parte dos que foram destruídos. O alemão entende "neubauten" como "prédios de qualidade inferior feitos de qualquer jeito na pressa". Na semana em que a banda começou um deles inclusive havia desabado, daí batizaram a banda de "prédios novos caindo". Começaram em 1980 com a missão declarada de "destruir a música". E tentaram bastante.
A primeira concepção errada sobre a banda é que é só uma porção de barulho para ser escutada por gente sem noção. Se fosse só barulho eu próprio não iria querer escutar isso de jeito nenhum. O que eles fazem nos primeiros discos é levar para a música, de maneira extrema, o conceito que existe na pintura de "textura". Sabe quando você vê um quadro impressionista que não tem nenhum desenho definido, somente o uso de cores e pinceladas que gera uma textura mesmo, como se aquilo fosse um material ou uma parede que ao passar a mão vai te passar alguma sensação bem definida? Você não precisa tocar, visualmente o quadro é capaz de te expressar essa sensação, e esse conceito também pode funcionar na música: sem "direção" ou "estrutura" aparente aqueles sons estão te transmitindo uma sensação muito definida. Só que as "texturas" utilizadas pelo Neubauten são definitivamente estranhas, desconfortáveis, intensas e pesadas; por isso não é uma banda que qualquer um vai gostar, e aliás "qualquer um gostar" nunca foi o objetivo deles. Eu andei bastante por Berlin escutando a banda no Ipod e vi que é um som que combina com a cidade, principalmente quando você vê os pedaços um pouco mais dark - estamos falando de uma cidade que já foi completamente arrasada por bombardeios.A banda junto com algumas outras da época que faziam algo parecido - o Throbbing Gristle por exemplo - vieram a definir o som que ficou conhecido como "industrial", que era música que se utiliza de barulhos de indústria mesmo (aliás foram das primeiras bandas e se utilizar muito de música eletrônica também). Hoje esse termo foi totalmente recontextualizado e quando alguém fala de industrial normalmente quer dizer "música pesada eletrônica", alguma coisa como Nine Inch Nails.
De qualquer maneira gradualmente na carreira eles foram sim se tornando mais musicais - cada disco um pouco menos "barulhento" que o anterior" - o hoje o Neubauten é algo completamente diferente. Ainda é e sempre será aventuroso, minimalista e interessante, sempre utilizará sons não convencionais e não terá medo de errar, mas agora os utiliza de maneira mais sóbria e bem feita, muitas das músicas mais BONITAS (a palavra é essa mesmo) que eu conheço são do Neubauten. Recomendo muito a todos, eu gosto bastante de todos os discos - mas não vou ficar sentido se voce não conseguir gostar. :-)
Comece por - Ende Neu Disco mais Neubauten - como a banda mudou muito fica difícil, mas como um bom "meio termo" eu diria o Tabula Rasa Disco bonitão - Silence Is Sexy Não comece de jeito nenhum - pelo Kollaps ou pelo Zeichnungen des Patienten O. T.
No início da década de 2000 entre diversas direções (ou falta de) que a música tomou - e somando a tendência predominante de só olhar para trás que a década de 2010 ainda não conseguiu dar um jeito - tivemos uma volta forte do folk. Sempre que alguém pôde pegar num violão e cantar uma música simples o folk existiu, mas no formatinho que conhecemos se tornou forte na década de 60 e é o tipo de estilo que por possuir um modelo tão simples sempre terá coisa interessante para oferecer. Excluindo o chamado freak folk (ver os Devandra da vida) que eu detesto porque é tentativa de ressuscitar o que fez muito bem em ter morrido (HIPPIES) eu no geral gosto do som e de muitos derivados.
O que tem me causado reflexão é o famoso mito do artista sofredor que gera boa arte. Tem toda a cara de lenda urbana mas estou chegando à conclusão que isso é verdade. Conheço uma série de bandas formadas por pessoas complicadas, depressivas, desesperadas, raivosas, angustiadas, que exorcizam tudo isso para fora em ótimos discos. O problema é que por natureza é um jogo auto destrutivo: ou você vai permanecer ferrado na cabeça o resto da vida e continuar produtivo de alguma maneira ou um dia você vai fazer paz consigo mesmo e ter que achar um novo caminho para a sua arte, que vai necessariamente mudar.
Bright Eyes é um projeto de indie-folk que está entre minhas bandas preferidas desde a adolescência e é dos sons mais desesperados que eu conheço, até recentemente - quem ouviu o People's Key deste ano se surpreendeu com um disco otimista, bonitinho, equilibrado, até mesmo pop. E não muito bom, aliás, tem seus momentos, mas muito distantes dos discos realmente memoráveis deles. Desde exemplos recentes (Battle For The Sun do Placebo) até mudanças lá atrás (acho que parcialmente é o que tornou o Lou Reed muito menos interessante com o passar dos anos), "se achar como pessoa" literalmente destruiu o Weezer e acho que foi o que fez o Trent Reznor aposentar o Nine Inch Nails. Ou seja, sofram artistas. Por favor.
(ou será que o problema é comigo e eu é que procuro música desesperada sempre?)
Toda essa introdução é para comentar que é o que vinha acontecendo com o Wilco. Para mim sem dúvida entre as melhores bandas da atualidade, o Wilco sempre teve a base forte no folk mas nunca teve medo de ir além e experimentar para caramba, a ponto de já ter sido chamado de "o Radiohead americano", não porque o som se parece mas porque é uma banda sem medo nenhum de mudar e arriscar, mas não perde a essência, e por isso o público anima a acompanhar. O Yankee Hotel virou um disco lendário. Tem uma história interessante envolvendo rejeição total da gravadora por ser muito anti comercial e levou a banda a ter que lutar por anos para lançá-lo ao mesmo tempo em que é maravilhoso. Tem até um filme sobre isso, chamado I Am Trying To Break Your Heart. A voz de Jeff Tweedy é das minhas vozes preferidas no rock e o típico momento Wilco para mim é uma barulheira caótica from hell rolando e a voz dele plácida e bonita cantando no meio como se nada estivesse acontecendo.
E é a banda que eu mais toco no violão, por um motivo ou outro.
O disco de 2011 (The Whole Love) foi um bom passo na direção de voltar com o Wilco que eu gosto. Muito mais rock que folk, não entrou (ainda) na lista dos meus preferidos do Wilco (o próprio Yankee, A Ghost Is Born, Being There) porém foi satisfatório o suficiente para me fazer voltar em um disco que eu não havia gostado (Sky Blue Sky) e redimi-lo. Passei a semana passada inteira escutando ele no repeat. Cheguei a colocar outra coisa e parar no meio da primeira música.
Escute Art Of Almost (para mim de cara uma das melhores músicas deles) e veja se eu não tenho razão:
Isso é uma definição do Nick Hornby - que o mundo se divide entre os singles e os álbuns. As pessoas singles são frívolas, rasas, demandam satisfação imediata, não param para analisar nada, são entregues para os prazeres da carne sem controle das suas impulsões heréticas indesejadas e as mães delas são preocupadas com elas.
Mentira moçada. As pessoas single são divertidas, bacanas, não gostam de firula, são exigentes e não dão mole para coisa meia boca. São as melhores para fazer playlist para tocar na sua festa.Ruins são as pessoas álbum que são chatas, aborrecidas, intelectualóides que ficam procurando sentido onde tem e onde não tem, são racionais demais e reprimidas e dão créditos para viagens errada tipo "essa é minha obra prima de 19 cds que contém uma história conceitual que ninguém entende".Ou não...?
O parágrafo acima é obviamente um monte de baboseira :-)
As "pessoas single" são aquelas que normalmente se fixam em músicas particulares, que escutam 3 músicas que gostam e ignoram o resto do disco, que são cheias de bandas que "só gostam de uma música deles", que escutam músicas no repeat, que escutam uma música de um disco e pulam pra outro e outro e outro (aliás bem facilitado isso hoje com ipod e etc). As "pessoas álbum" gostam de ouvir a música no contexto do disco, onde ela se encaixa, qual é a relação dela com as outras faixas e o sequenciamento do disco, normalmente quando gostam de uma música baixam sempre o disco inteiro para conhecer, e sempre escutam os discos fazendo questão que seja na ordem original.
(Só um aparte: não desconsidere nem desvalorize a sequência em que as músicas tocam em um disco. Isso é algo muito mais pensado (e difícil) do que parece. Repare bem como alguns discos que você gosta ficariam chatos ou sem sentido se determinadas músicas viessem em sequência - exemplos super óbvios, juntar muita música parecida ou muita música lentinha de uma vez só. Tem muito disco que você gosta quase que só por causa da sequência. Todo mundo que já fez uma playlist para tocar numa festa sabe que sequenciamento é mais que essencial.)
Eu sou, com certeza, uma pessoa álbum. Só sei se eu gostei de uma música de verdade quando eu escuto o disco e saco ela no contexto do disco inteiro. Quando algo me interessa sempre baixo o disco inteiro (quando não a discografia) e escuto na ordem. Que coisa mais chata e nerd né. Mas não consigo evitar :-( me ajudem Eu tenho meus dias de pessoa single também... as pessoas single são também legais, só fique ligado se você for uma dessas para aprender a dar chance para os discos, você perde coisas boas... ou talvez eu que acabe dando crédito demais a músicas que não deveria... sei lá... mil coisas... Alguns discos que eu considero exemplos do sequenciamento perfeito - se você escuta uma música deles solta ela faz muito menos efeito que no meio do disco:
Nine Inch Nails - The Downward Spiral e The Fragile Radiohead - Kid A Arcade Fire - Neon Bible Manic Street Preachers - The Holy Bible Smashing Pumpkins - Mellon Collie And The Infinite Sadness Blur - Blur Can - Tago Mago Gorillaz - Gorillaz Dizzee Rascall - Maths + English Red Hot Chili Peppers - Blood Sugar Sex Magic Migala - Arde Queens Of The Stone Age - Rated R
Desafio à ciência: por favor me explica como diabos esse cara sobreviveu.
Já saiu errado crescendo num trailer no subúrbio de Michingan. Andava com cabelo comprido até que foi obrigado pelos pais a cortar e mandou o barbeiro cortar o cabelo dele igual ao dos 3 patetas; foi batera de uma banda de blues (The Iguanas) de onde roubou seu nome artístico (Iggy). Foi viciado em heroína e orgulhoso disso basicamente a vida inteirinha. E quando no início da década de 70 formou os Stooges nascia uma espécie de monstro que nunca atingiu muita popularidade mas mudou para sempre a música.
O Iggy Pop disse só ter entendido o rock quando foi ver um show dos Doors numa universidade e o Jim Morrison chegou completamente bêbado/louco/caindo, insultou todo mundo, cantou todas as músicas num falsete irritante (uahauahuaha imagina ele fazendo uma vozinha de mulher no lugar daquele gravão dele) e foi expulso e quase espancado. A reação do garoto foi "YES"! Quando iniciou os Stooges, a idéia era fazer uma espécie de rock diferente muito simples e primitivo baseado nos mínimos elementou possíveis que deveriam ser repetidos ao máximo para criar uma espécie de transe. Sem contar que isso era algo atingível para uns garotos que não sabiam tocar nem 3 acordes e nunca se importaram com isso. Você vê nos clássicos dos Stooges essa idéia - normalmente tem algo tipo 3 notas que se repetem de novo e de novo e isso é a música. Poderia ter saído horrível, mas por aquelas coisas que ninguém explica conseguiram fazer e realmente ficou um som meio esquisito e hipnótico - e a presença do Iggy fez essa base simples pegar fogo. Até Miles Davis mais tarde reconheceu ser fã de Stooges.
Iggy Pop é um cara que habita um mundo próprio - um mundo paranóico, violento, bizarro, confuso, engraçado, psicopata, tenso e muito rock. A referência para presença de palco imbatível até hoje é desse cara - quer exemplos? Tocava pelada batendo o pinto no microfone (e ainda dizem que é grande), quebrava garrafas no palco e rolava em cima dos cacos de vidro, andava em cima das mãos estendidas das pessoas lambuzado de manteiga de amendoin, arrumava brigas com membros da platéia (no último show dos Stooges desafiou uma gangue de motoqueiros inteira no rádio a ir no show - e foram - e ele tomou porrada demais), beijava as mulheres na boca, isso quando a heroína não fazia ele capotar no palco com 5 minutos de show e ele ter que sair de ambulância (aconteceu várias vezes). Tem um vídeo no youtube de um show que ele abriu para a Madonna e ela aparece pedindo para por favor não encha meu palco de vidro porque eu vou dançar nele. Na vida pessoal chegava ao ponto de amigos andarem com ele em uma coleira - de tão louco e fora do ar que estava.
Stooges era estranho demais para a década de 70 - ainda dominada pela palhaçada hippie - e era no fundo uma banda de outsiders. Frequentemente simplesmente escutar Stooges te deixava isolado na escola. Os caras dos Ramones se tornaram amigos pelo simples fato de serem todos eles fãs de Stooges. Demorou uns bons anos para as pessoas se tocarem que nessa brincadeira a banda basicamente inventou o punk rock. E muito anos antes de Ramones/Sex Pistols/The Clash.
O negócio é que esse tipo de banda sempre é fadada a auto destruição, e rápido. No caso deles durou 3 (maravilhosos) discos, entre eles o Fun House, batizado com o nome da mansão onde eles viviam ("viver" para eles provavelmente tinha um conceito um pouco mais extremo que o seu) e é para mim o caos em si capturado em poucos minutos (e todo gravado de uma vez só, sem overdub). Cansado da piração e sem banda, Iggy Pop se auto internou no hospício.
E lá estaria até hoje se o David Bowie não literalmente entrasse lá e assinasse os papéis tomando Iggy como sua responsabilidade. De quebra botou ele para gravar, tocou no disco e ainda saiu em turnê junto. O som do Iggy Pop continuou com a mesma personalidade mas trocou lado pesado por um pop meio maluco e experimental, mas muito estiloso e divertido - não muito distante do som do próprio David Bowie. De tempos em tempos estoura uma música legal dele, o som foi ficando gradualmente mais pop na veia, muitas viraram clássicões inegáveis dos anos 80 daquelas que todas as pessoas do mundo conhecem - Lust For Life, Candy, The Passenger - e os anos foram passando e o homem continua louco. E por mais pop que seja o som dele sempre tem um vislumbre daquele mundo particular. Fui no show dele e o camarada (com quase 60 anos) foi o único do festival (que tinha Sonic Youth, Flaming Lips, Nine Inch Nails, Fantomas etc) a fazer stage dive na platéia.
Procure os shows dos Stooges da década de 70 no youtube. Dá medo.
Comece por, continue por etc - comece pelos Stoogese vá pela ordem cronológica, são só 3 discos curtos (mais um que saiu por agora porque eles voltaram, mas não compara com os antigos) e depois entre na carreira solo dele, as melhores coisas estão no início. Depois rola um modo "piloto automático" Bom resumo - Nude And Rude (coletânea foda)